No auge da nova onda da pandemia no país, o Banco do Brasil anunciou nesta segunda-feira, 11 de janeiro, um plano de reestruturação que elimina 5 mil postos de trabalho diretos, fecha 361 dependências de atendimentos (145 agências e várias postos de atendimento) e muda a estrutura interna, o que implica em extinções de cargos e perda de salário para diversos funcionários, além da demissão para trabalhadores terceirizados. Cada agência fechada, por exemplo, gera demissões de muitos outros trabalhadores , em especial vigilantes e de limpeza. O caos social que vivemos hoje só se aprofundará.

Junto com a chamada reorganização institucional, o banco anunciou um Plano de Adequação de Quadros e um Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), que, com regulamentos específicos, irão promover “incentivos” para aposentadoria e demissão consensual de até 5 mil trabalhadores.

Uma das mudanças de maior impacto para clientes e funcionários é a extinção dos guichês de caixa em 145 postos de atendimento, chamados agora de “Loja BB” e a extinção da função de caixa. O mesmo funcionário agora vai atender (abrir contas, resolver problemas, vender seguros, empréstimos, etc.) e receber pagamentos no caixa. O funcionário responsável pelo atendimento nas agências também tem a sua nomenclatura alterada de escriturário para agente comercial, mostrando que agora querem que os funcionários apenas vendam, descuidando ainda mais do aspecto de prestar serviços a sociedade. Procuram transformar o trabalho de atendimento bancário e orientação financeira em simples vendas de produtos e serviços.

No atendimento digital também ocorrerão mudanças, com aumento da quantidade de clientes por “carteira”. Segundo a direção da empresa, a previsão é de economizar R$ 353 milhões em 2021 e 2,7 bilhões até 2025 com essas medidas. Isso ao custo de dificultar o atendimento da população mais pobre e das pessoas com dificuldade de acesso a meios digitais, além do aumento da exploração dos trabalhadores.

Essas mudanças vão na mesma linha dos demais bancos que reduzem o atendimento, demitem trabalhadores, mas mantém lucros pornográficos, apesar da pandemia e da crise econômica. Juntos, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander lucraram R$ 53,383 bilhões nesse mesmo período. Apenas nos primeiros nove meses de 2020, em plena pandemia, o Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 10,189 bilhões. Essa lucratividade é conseguida ao custo da exploração da população trabalhadora, com juros e tarifas exorbitantes. A pequena redução na lucratividade que ocorreu com a pandemia, agora querem jogar toda nas costas dos funcionários.

Além disso, os bancos aplicam cada vez mais tecnologias. Os avanços tecnológicos que deveriam melhorar a qualidade de vida das pessoas se tornam mecanismos de aumento da exploração e da opressão sob o domínio capitalista. Ferramentas como o PIX, que diminuem a quantidade de trabalho empregada nos bancos poderia permitir a redução na jornada dos trabalhadores, mas invés disso, é utilizado para destruir empregos e aumentar as demandas sobre os que mantém seus postos de trabalho, enquanto às pessoas sem acesso a tecnologia é imposta a necessidade de se adaptar ou serem excluídos.

Encolher para entregar

As reestruturações nos bancos têm sido uma constante. Em 2019, o mesmo Banco do Brasil efetuou um Plano de Adequação de Quadros similar ao que implementa neste momento, e em novembro de 2020 a Caixa Econômica Federal realizou um Programa de Desligamento Voluntário. Medidas que visam reduzir o tamanho destas empresas, sucateá-las, e preparar para a privatização, que já ocorre de forma avançada através da venda de partes do conglomerado, como a BB Seguridade, BB Cartões, BB DTVM e outras empresas.

Os bancos públicos, ao fazerem essas reestruturações, se alinham ao que existe de pior no sistema financeiro. A estrutura do banco fica voltada apenas ao lucro, venda de produtos financeiros, lucro e rentabilidade e não ao atendimento a população com serviços e crédito barato. Por isso somos contra esse massivo fechamento de agências. Essa visão dos bancos públicos como voltado ao mercado já existe desde a época de FHC e Lula, mas a redução do quadro de funcionários e terceirizados deu um salto no governo Bolsonaro.

É preciso que bancários e a população enfrentem esses ataques à classe trabalhadora!

Entendemos que a Contraf/CUT, que dirige a maioria dos sindicatos da categoria, tem a responsabilidade de organizar uma forte luta contra essa reestruturação. É necessário a unificação desse processo com os demais setores em luta, em especial contra as privatizações de Correios e Petrobrás, contra a Reforma Administrativa, já que as privatizações e a reforma tem a mesma finalidade de desmonte da função social do Estado.

  • Não ao fechamento das agências! Manutenção dos postos de atendimento com guichês de caixa para a população!
  • Redução das horas de trabalho, sem redução dos salários! Garantias sanitárias para todos que estão trabalhando presencialmente!
  • Manutenção de todos os postos de trabalho: dos bancários e terceirizados !
  • Para defender o Banco do Brasil, os empregos e a vida da população necessitamos por pra fora o governo Bolsonaro-Mourao-Guedes já! Por um Banco do Brasil 100% público, administrado pelos trabalhadores, a serviço da necessidade da população pobre, pequenos agricultores e comerciantes !