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Para nós do PSTU do Paraná os últimos acontecimentos colocam na ordem do dia a necessidade da autodefesa do povo pobre e trabalhador. Seja por, mais uma vez, Bolsonaro ter subido o tom de suas ameaças golpistas e autoritárias em reunião com os embaixadores, ou pelos diversos atos de violência bolsonarista que temos vistos nos últimos dias. Como foi o caso mais marcante que, inclusive, aconteceu no nosso estado, o assassinato de Marcelo Arruda do PT de Foz do Iguaçu.

O que, lamentavelmente, não foi um episódio isolado. Dias antes, outro bolsonarista jogou uma bomba de fabricação caseira com fezes no ato de Lula no Rio de Janeiro. Isso depois de outro ataque desse tipo com drone também em um evento do PT em Uberlândia (MG). E, mais recentemente, Rodrigo Amorim, deputado bolsonarista, juntamente com seus seguranças armados, intimidou com ameaças uma atividade de rua de Marcelo Freixo no Rio de Janeiro.

Ratinho Jr. parceiro de Bolsonaro aqui no estado não diz uma palavra contra os discursos do presidente que incentiva a violência e ameaça dar um auto golpe. Não teve a coragem de se posicionar contra bolsonaro nem mesmo diante da política genocida do presidente na pandemia. Na verdade, tem sido linha de frente em aplicar a política de bolsonaro, como é o caso das escolas cívicos-militares, onde fica evidente o fracasso desse projeto diante das diversas denúncias de agressão e até mesmo assédio sexual.

Bolsonaro avança em sua tentativa de imitar aqui o que Trump fez nos EUA. Praticamente anuncia que não vai reconhecer o resultado das eleições caso perca para justificar qualquer tentativa de autogolpe. No mínimo, ensaia alguma presepada, como foi o Capitólio, para posar de vítima e manter sua base coesa para o futuro. Diante dessa escalada autoritária de Bolsonaro, a conivência de Ratinho Jr. e o aumento da violência bolsonarista, o que o movimento dos trabalhadores deve fazer?

De que lado vocês estão?

Requião, que é pré-candidato ao governo do estado pelo PT, disse na sabatina UOL/Folha de S. Paulo no dia 3 de junho que não há a menor possibilidade de um golpe por parte de Bolsonaro, que é uma bobagem pensar que o exército vai se opor ao resultado da eleição, chegou a elogiar o general Geisel, presidente do país na época da ditadura militar. Parece até piada de mal gosto, mas não é. Então perguntamos aos companheiros do PT e a Requião: Mesmo diante da escalada autoritária de Bolsonaro e da violência bolsonarista, vocês ainda continuam pensando que não está colocada a possibilidade de uma tentativa de golpe?

Bem, achamos um erro grande essa posição do Requião (PT). Porque esta política não prepara os trabalhadores para enfrentar o real perigo de uma tentativa de golpe, que não será derrota nas urnas e sim nas ruas com mobilizações massivas. Outro erro grave é confiar na Justiça para colocar freio em Bolsonaro.

Bolsonaro é a cara mais feia desse sistema que está nos levando literalmente à miséria, para garantir que um punhado de mega empresários continuem lucrando ainda mais. E que para garantir isso busca se apoiar em medidas cada vez mais ditatoriais, autoritárias e violentas para poder aumentar ainda mais o grau de exploração sobre os trabalhadores.

E o perigo aumenta devido a política que Requião (PT) apresenta, ao invés de chamar os trabalhadores a se organizar faz elogio a generais da ditadura, ou mesmo o Lula que, diante das ameaças de Bolsonaro, vai à Faria Lima reafirmar seu compromisso com o empresariado, ou a vergonhosa consulta que fez aos generais das Forças Armadas.

Apostam todas as fichas nas instituições e nas eleições. Ora gente, se as instituições do nosso país tivessem o mínimo de seriedade Bolsonaro já teria caído. Bolsonaro praticou um verdadeiro genocídio na pandemia, diversas denúncias de corrupção inclusive na compra de vacinas. Então perguntamos o que as instituições fizeram? Nos digam qual foi o resultado da CPI da Covid? O que STF fez?

Tudo isso não passou de um grande teatro. Bolsonaro só está na presidência ainda pela posição oportunista que o PT teve, pois não levou acabo o processo de mobilização que se iniciou para derrubar Bolsonaro, pois viam o cenário eleitoral com Bolsonaro na presidência mais favorável. Então perguntamos ao Requião, é nessas instituições que vocês vão continuar apostando? Ou vamos iniciar imediatamente um processo de mobilização do povo pobre e trabalhador para barrar qualquer tentativa de golpe? De que lado vocês estão?

Derrotar Bolsonaro é urgente, mas precisamos ir além!

Não vemos uma perspectiva de um golpe vitorioso, por não ser essa a posição na maioria da burguesia e do imperialismo. Pode ser que haja uma tentativa de golpe? Pode ser. Não se pode assegurar que vai existir. Mas tampouco garantir que não vá ocorrer. E, nesse caso, é fundamental a preparação do movimento de massas. Por isso, é preciso que o povo pobre e trabalhador se organize e se mobilize contra as ameaças de tentativa de golpe e a violência da ultra direita desde já, levantando, junto, nesta luta suas reivindicações por emprego, salário, direitos e soberania. Golpismo se derrota nas ruas, e mesmo que Bolsonaro perca as eleições, a ultradireita continuará se armando e se organizando.

A segunda é fortalecer uma alternativa independente dos trabalhadores, revolucionária e socialista. Ficar a reboque dos setores da burguesia é errado e perigoso, como fazem o PT e o PSOL com suas candidaturas de aliança com a burguesia, comprometidas com o sistema capitalista. Isso não cria uma alternativa à polarização social e política, nem contra os desmandos dos capitalistas. E também deixa os trabalhadores desarmados para derrotarem nas ruas as ameaças golpistas de Bolsonaro.

As pré-candidaturas do PSTU estão a serviço dessa tarefa. Ou seja, uma alternativa que se enfrente com os ricos e poderosos, pois esta é a única forma de resolver os problemas da nossa classe. E a ultradireita, o bolsonarismo e seus arroubos autoritários só podem ser definitivamente derrotados com um programa que se contraponha a esse sistema capitalista que os criou e não administrando o capitalismo como propõe o PT.

Um chamado a construção de uma brigada de autodefesa!

Nós achamos que não dá para esperar sentados enquanto a ultradireita se arma e diz que não vai aceitar o resultado eleitoral com as Forças Armadas. É preciso começar a organizar a autodefesa dos trabalhadores imediatamente para garantir as campanhas e todas as atividades políticas e dos movimentos sociais.

Por isso, estamos fazendo um chamado a todos os movimentos e setores oprimidos da classe trabalhadora do Paraná, em especial ao PT e PSOL, para organizar uma brigada de autodefesa da nossa classe no Paraná, mesmo diante de todas as nossas diferenças. Pois achamos que precisamos construir a mais ampla unidade de ação para derrotar as ameaças golpistas de Bolsonaro. Só a classe trabalhadora pode impedir ou derrotar um golpe, e uma vez mobilizada, só ela pode reivindicar emprego, salário e direitos.

Então, estamos propondo ao conjunto das organizações da nossa classe, sindicatos, coletivos de juventude, dos setores oprimidos e todos os ativistas a organização de uma brigada de autodefesa. Construindo assim uma grande plenária estadual do movimento para iniciar a discussão e organizar também plenárias regionais. Montar equipes de autodefesa em todos os sindicatos, movimentos sociais (camponeses, ocupações de terras urbanas e rurais, quilombolas, contra a opressão de mulheres, LGBTI, contra o racismo), de juventude, associações de bairros, formar equipes de autodefesa, para treinamento em artes marciais e defesa nas manifestações, piquetes de greve, etc. Inclui aí preparar equipes de autodefesa também para as eleições, preparando a resposta em caso de golpe.

Bem, como já dissemos para nós essa deveria ser a tarefa central do conjunto do movimento neste momento. Estamos dispostos a sentar para discutir a organização da nossa classe, para avançar em um processo de mobilização organizando a autodefesa que prepare de fato os trabalhadores para os enfrentamentos e os desafios que estão colocados.