Foto: Jaelson Lucas/AEN

PSTU Paraná

O governo Ratinho Júnior pretende no último trimestre deste ano realizar o leilão na B3, bolsa de valores brasileira, para a concessão de uma nova ferrovia do estado. O projeto prevê um investimento na casa dos R$ 29 bilhões e permitirá que a empresa vencedora administre a ferrovia por 70 anos, com uma taxa interna de retorno (TIR) de 11%. Ou seja, lucro garantido.

Enquanto a fome aumenta, Ratinho Jr prefere investir bilhões para facilitar o escoamento da produção do agronegócio para fora do país. Além do absurdo que já é a própria privatização da ferrovia, isso tem o objetivo claro de beneficiar os lucros do agronegócio.

Ao contrário do que possam tentar propagandear, esse investimento bilionário não tem o objetivo de baratear a produção de alimentos. Não garante comida no prato dos paranaenses, mas sim busca uma forma mais eficiente e barata para o agronegócio escoar a produção até o Porto de Paranaguá, local de onde sai para diversas partes do mundo. Ao priorizar a exportação, contribui ao mesmo tempo para que a fome aumente e o preço dos alimentos disparem.

Não a privatização! Por uma ferrovia estatal e controlada pelos trabalhadores!

É um fato que precisamos investir em modais de transporte mais eficientes e que possibilitem um desenvolvimento que não só preserve o meio ambiente, mas também possibilite sua recomposição. O mais importante é que isso também se converter em melhores condições de vida para o povo pobre e trabalhador. Fato que não é o caso nesse projeto.

A nova ferrovia pretende ligar Paranaguá à Maracaju (MS), com um ramal que ligue também Cascavel e Foz do Iguaçu e outro que vá até Chapecó (SC). Projeto que permitirá a captação de cargas do Paraguai e da Argentina. Totalizando mais de 1,5 mil quilômetros em linha férrea.

O problema em si não é a construção da ferrovia, mas sim qual o real objetivo para qual se constrói. Por um lado, irá beneficiar os lucros do agronegócio e, por outro, a empresa que assumir a construção e administração da via pelos próximos 70 anos.

Em primeiro lugar é importante afirmar que o sistema ferroviário não pode ser privatizado. É preciso cancelar imediatamente todos os trâmites que estão em andamento para o leilão. O povo paranaense sabe muito bem quais são os resultados das privatizações. Basta observar a concessão das estradas de rodagem que seguiram este modelo durante 24 anos, com a população pagando preços absurdos nos pedágios. Diga-se passagem, Ratinho Jr não vê a hora de abaixar novamente as cancelas e retomar as cobranças.

Em segundo lugar, é preciso desenvolver um sistema ferroviário moderno, eficiente e que preserve o meio ambiente. Mas isso tem que estar a serviço de melhorar a vida do povo pobre e trabalhador e não de deixar os grandes empresários ainda mais ricos. Isso começa pela própria construção da ferrovia que deve ser parte de um grande plano de obras públicas que sirva para garantir empregos aos desempregados, com direitos como férias, décimo terceiro salário e estabilidade.

Também é preciso reestatizar toda a malha ferroviária que estiver nas mãos da iniciativa privada. O modal deve ser controlado e administrado pelos próprios trabalhadores, em benefício do conjunto da classe trabalhadora.

A ligação entre a ferrovia, o Porto de Paranaguá, a produção de alimentos e a fome

A economia paranaense está entre as principais do país. Está na quinta posição, com uma participação de 6,2% do PIB nacional. O PIB estadual é dividido em 18,4% pelo setor agropecuário, 40% pela indústria e 41,6% pela prestação de serviços. O Paraná é ainda o segundo maior estado produtor de grãos do Brasil.

A exportação paranaense atinge a casa dos 10 bilhões de dólares, dos quais 34,2% correspondem à soja e derivados, 21,4% veículos e peças, 10% madeira, 8,2% carne congelada e 8,8% são outros alimentos, como milho, açúcar e café. Para facilitar toda essa exportação, contamos com o maior porto graneleiro da América Latina e o segundo maior porto do Brasil em volume geral, o porto de Paranaguá.

É possível observar que o Paraná tem uma enorme capacidade de produção de alimentos, assim como o restante do país. As perguntas que ficam são: por que está cada dia mais difícil colocar comida na mesa? Como se explica os altos preços dos alimentos? Como 33 milhões de pessoas passam fome hoje no Brasil?

O que muitas vezes parece difícil de entender, na realidade é muito simples. Isso tudo tem a ver com o objetivo que é dado para a produção que, nesta sociedade, tem o objetivo de gerar lucro e acumulação cada vez maior de capital e não de atender as necessidades das pessoas. Isso é o capitalismo.

Podemos começar discutindo o que é cultivado nas terras do Paraná, por exemplo. Quem ou o que define quais são as culturas produzidas? A produção está voltada para atender as necessidades alimentares da população? Não, não são esses os critérios que definem a produção. O que determina o que será produzido é o lucro. Fato que em nosso estado se materializa na enorme produção de soja que é produzida para ser exportada para outros países para virar ração.

É em função disso que funciona atualmente as ferrovias. Portanto, o investimento bilionário para a nova ferrovia serve apenas para garantir com mais eficiência o envio da produção para fora do país, passando centralmente pelo Porto de Paranaguá. Ou seja, não ajuda acabar com a fome ou baratear o preço dos alimentos, como tenta nos convencer Ratinho Jr. Faz parte de um projeto para manter a produção cada vez mais voltada para exportação e o resultado disso é o que estamos vendo, inflação altíssima porque as coisas são produzidas aqui em real, mas vendidas em dólar, a famosa dolarização.

Precisamos de um governo socialista e dos trabalhadores!

Isso acontece porque as fábricas, as terras e todos os demais meios de produção se concentram nas mãos dos super-ricos e poderosos. Para que possamos inverter esta lógica da produção e organizarmos a produção para atender as reais necessidades da população, garantindo a preservação do meio ambiente, precisamos atacar as propriedades das grandes empresas.

Por isso, defendemos um verdadeiro governo dos trabalhadores com um programa socialista e de ruptura com a dominação das grandes empresas, apoiado em conselhos populares.

É preciso que os trabalhadores se organizem, para tomar em nossas mãos o poder político da sociedade. Só assim conseguiremos garantir as medidas econômicas e políticas para acabar todas essas injustiças, toda forma de exploração e opressão.