Povo na rua pode derrotar golpe pró-imperialista

Ainda que a paralisação convocada pela direita continue parcialmente, a resistência popular vem crescendo e pode derrotar mais esta tentativa de golpe.
A hora não é para concessões e sim para derrotar totalmente a direita golpista

A diferença desta paralisação para as anteriores é a sua extensão e os reflexos na produção e distribuição de petróleo. No refino, pelo boicote dos altos funcionários, gerentes e técnicos. Na distribuição, pelo apoio dos oficiais da marinha mercante e das empresas de transporte. Além disso, alcançou parcialmente setores do comércio, algumas indústrias, escolas e bancos que fecharam por 48 horas. Apesar da mídia golpista divulgar uma paralisação de mais de 80% da atividade econômica do país, a verdade é bem outra.
Hoje, setores da burguesia já estão esgotados pelos prejuízos e, dentro da sua autodenominada “Coordenadora Democrática”, começam a defender o fim do “paro” e uma saída negociada. Resta-lhes convocar atividades desesperadas, como paralisações de avenidas e atentados terroristas, como a granada jogada na embaixada da Argélia. Fruto disso, começou a ganhar peso a organização “Clase Média en Positiva” que está contra os golpistas.
Em Caracas, a população pobre se organiza nos bairros para garantir a distribuição de gasolina e gás, o reinício das aulas e a defesa contra os ataques da direita e sua polícia. Setores mais radicalizados atacam redes de televisão pró-golpistas, enfrentam as manifestações da direita como, por exemplo, a do último dia 20 em Valle del Tuy com o saldo de um morto e 28 feridos.
Na Zona Industrial de Valência, a população pobre tomou o depósito de gasolina de Yagua e exigiu a abertura da empresa de transportes Ferrari, que transportou gasolina em suas gôndolas sob a supervisão da Guarda Nacional e do povo.
No Estado petroleiro de Anzoategui, o governador impedia o carregamento de gás para as siderúrgicas de Guayana. Mas milhares de metalúrgicos, organizados pelo sindicato, foram de ônibus à capital Ananco e junto com os petroleiros e os moradores da cidade garantiram o envio de gás para o funcionamento das empresas.
No Complexo Petroquímico de José em Puerto La Cruz, sessenta mil petroleiros colocaram para fora a gerência de PDVSA (estatal petroleira) e tocaram a produção. Na refinaria El Palito, trabalhadores garantem a produção dia e noite.

Chávez quer acordo com o imperialismo

O golpe de 11 de abril do ano passado foi derrotado por uma insurreição de massas que paralisou e dividiu as Forças Armadas.
Desde então, Chávez vem pregando uma saída negociada. Não deu nenhum passo para realizar mudanças econômicas ou sociais. Não deixou de pagar a dívida externa. Continuou fornecendo petróleo aos Estados Unidos. Não prendeu os golpistas. Não destituiu das Forças Armadas os conspiradores, nem demitiu os membros da direção de PDVSA que sabotam a produção. Isto explica porque os golpistas mantiveram suas posições.
A estratégia da direita é derrubar ou impor a renúncia de Chávez. Se não conseguir, ventila uma saída eleitoral. Porém, para derrotá-lo neste campo, necessita de mudanças na lei eleitoral e de maior controle do Conselho Nacional Eleitoral.
Isso não significa que não possa ocorrer um golpe sangrento. O problema é que isso custaria caro à burguesia e ao imperialismo, ainda mais às vésperas de uma guerra no Oriente Médio.

Bush e Gaviria: com amigos como esses, quem precisa de inimigos?

O “mediador” desta negociação é o atual secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o carniceiro César Gaviria, ex-presidente da Colômbia. Este agente do imperialismo tem como tarefa garantir a capitulação completa de Chávez.
Depois de muita crise diplomática, a imprensa de todo mundo noticiou que Brasil e Estados Unidos liderarão a formação do grupo “Amigos da Venezuela”. O grupo é formado ainda por Chile, México, Portugal e Espanha, cujo governo apoiou, junto com Bush, o golpe de abril. O objetivo explícito do imperialismo com a formação dos “Amigos da Venezuela” não é uma saída “negociada” mas a rendição incondicional de Chávez.
Chávez, depois de aceitar a proposta, havia pedido que Rússia, Cuba e França também participassem do “grupo de amigos”. O que foi prontamente rechaçado pelos EUA e pela OEA. Lula recomendou a Chávez que recuasse e este resolveu “dar ao grupo um crédito de confiança”.
No momento em que as massas venezuelanas estão enfrentando mais uma tentativa golpista é lamentável que Lula se submeta ao triste papel de linha auxiliar nas articulações do imperialismo, que não tem nada de “conciliadoras”, mas visam tão somente fechar a situação revolucionária e retomar o controle da Venezuela.
Post author Américo Gomes,
de São Paulo
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