Porque a Fasubra não irá ao 2º congresso da ANEL?

Maioria da direção da Fasubra (CUT e CTB) recusa convite da ANEL para participar do seu 2º Congresso Nacional, reconhecendo apenas a UNE como entidade representante dos estudantes

A ANEL – Assembleia Nacional dos Estudantes Livre realizará o seu 2º Congresso Nacional em Juiz de Fora e convidou a Fasubra para participar tanto na mesa de abertura como nas mesas temáticas do congresso. Espera-se, nesse congresso, aproximadamente dois mil estudantes de todo país. No dia de hoje, por MAIORIA a direção da Fasubra (CUT e CTB) recusou o convite, reconhecendo apenas a UNE como entidade representante dos estudantes. Uma atitude sectária e de profundo desrespeito com uma entidade estudantil que se consolidou, que ocupa um espaço importante na organização das lutas do movimento estudantil brasileiro e que vem cumprindo um papel de primeira linha nas últimas lutas e greves tanto dos docentes como dos técnicos administrativos das universidades.

A ANEL esteve com os TAEs na greve de 2012 em momentos decisivos e de grande tensionamento com o governo, como no fechamento do prédio do MPOG (ato que ajudou a abrir negociações) esses estudantes estiveram de braços dados conosco, enfrentando um pesado aparato policial.

A ANEL esteve e está conosco em todas as reuniões dos conselhos universitários onde temos enfrentado a EBSERH em batalhas duríssimas que com certeza não teriam incomodado o governo tanto se não fosse a unidade com esses estudantes.

A ANEL esteve com a Fasubra construindo o Plebiscito Nacional da EBSERH. Uma parte muito significativa de votos contrários a esse projeto nefasto do governo vieram do trabalho de base organizado pelos estudantes.

Além de várias lutas específicas de vários sindicatos da base da Fasubra que sempre contaram com a força dos companheiros da ANEL, construindo assim o acúmulo de forças necessário para enfrentar os ataques do governo.

A ANEL reconhece a Fasubra e a legitimidade das lutas dos TAEs e atua no dia a dia construindo a unidade dos três segmentos da comunidade universitária (docentes, técnicos e estudantes), mas a Fasubra não reconhece a ANEL e rejeita o seu convite.

A Fasubra reconhece a UNE, que em todos os processos de lutas que citamos a cima não participou praticamente de nenhum oficialmente (exceto os setores minoritários dessa entidade).

No último congresso da Fasubra, houve uma vitória importante da chapa formada pelo Bloco de Esquerda da Fasubra. Mas uma vitória limitada, que mexeu na correlação de forças internas da federação, mas há muito por fazer. A CUT e a CTB ainda são maioria na direção da Fasubra, e é por isso que a Fasubra não vai oficialmente ao 2º Congresso da ANEL.

Não somos contra a Fasubra se relacionar com a UNE, mas achamos um equívoco virarmos as costas para os companheiros da ANEL que sempre atenderam ao nosso chamado para a luta!

A ANEL é fruto do processo de reorganização política e sindical que se desenvolve no Brasil nos últimos dez anos, onde após a chegada de parte da esquerda brasileira ao poder central do país, uma transformação no cenário das forças que atuam no movimento sindical e estudantil, fez aparecer outras direções legítimas do movimento de massas. A CUT e a UNE não são mais unanimidade e sofrem profundos questionamentos devido a suas posições de apoio ao governo e aliados.

No movimento sindical a CSP-Conlutas e até a própria CTB (mesmo com programas diferentes) são expressões desse processo de reorganização (tratam-se de entidades organizadas por sindicatos que romperam com a CUT) e no movimento estudantil a ANEL é a expressão mais importante e organizada daqueles estudantes que não aceitam mais ser representados pela UNE. E assim, possuem o direito de se organizarem de forma independente!

Os companheiros da CUT e da CTB que atuam na Fasubra precisam refletir sobre essa atitude todas as vezes que a flâmula da bandeira da ANEL aparecer nas ruas ao lado da Fasubra, ao lado dos que lutam!

O governo é ainda um gigante que pisa forte e essa política não ajuda acumular forças necessárias para enfrentar os ataques do governo Dilma à universidade pública e aos nossos direitos. Assim, estaremos mais próximos de derrotas do que de vitórias para a nossa categoria e para classe trabalhadora desse país.

De nossa parte, queremos dizer aos companheiros da ANEL que temos muitos orgulho do esforço e da luta que os companheiros vem construindo. Lamentamos muito o fato de a maioria da direção da Fasubra não entender a necessidade de aceitarmos o vosso convite e estarmos presentes no 2º Congresso da ANEL em Juiz de Fora. No congresso da ANEL estarão presentes oficialmente o Andes-SN e o Sinasefe, menos a Fasubra… Uma vergonha!

Atualização (29/05/2013): Em nova reunião, a diretoria da Fasubra aprovou a participação oficial da entidade no congresso. Leia nota aqui.