Segundo Congresso Nacional da ANEL: com sonhos e lutas se faz o futuro!

Entidade surgiu há quatro anos, num congresso estudantes que reuniu dois mil delegados de todo o país

A Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre!, a ANEL, saúda todos os estudantes brasileiros! Em 2013, entre os dias 30 de maio a 2 de junho, realizaremos nosso 2° Congresso Nacional. Desde já, queremos convidá-los a participar. Será o espaço onde as lutas da juventude se encontrarão, para, coletivamente, construirmos um novo futuro do tamanho dos nossos sonhos.

O mundo passa por grandes transformações. A juventude luta em toda a parte, ocupando ruas e praças para agarrar o futuro com suas próprias mãos! Vivemos a maior crise econômica das últimas décadas. Os donos do mundo estão atacando os direitos sociais do povo. No entanto, não contavam com a resistência dos trabalhadores e da juventude europeus! No norte da África e no Oriente Médio, os jovens estão na linha de frente das revoluções contra cruéis ditaduras. Na América Latina e no Quebec, os estudantes voltaram a se mobilizar.

Em 2013, completam-se 45 anos do maio de 68. Com a mesma força dos jovens que marcaram a história, a nossa geração faz reviver as cenas sonhadoras do passado. A ANEL se solidariza com a juventude em luta no mundo, fazendo de seu II Congresso um espaço para fortalecer a solidariedade internacional. Contaremos com a presença de uma forte delegação estudantil de diferentes países. “Corra, camarada! O velho mundo está atrás de ti”.

No Brasil, a juventude também quer seu direito ao futuro!
Infelizmente, ainda vivemos num país de desigualdades e injustiças sociais. A população brasileira se revolta com os casos de corrupção no país. Renan Calheiros substituiu Sarney na presidência do Senado, dois corruptos de longa história. O “mensalão” do PT envergonha o povo.

Em 2014, o Brasil sediará a Copa do Mundo. No país do futebol, o que temos visto é o povo ficar de escanteio! O governo Dilma e a FIFA estão preparando uma Copa para os ricos, com ingressos caros, remoções de comunidades pobres e privatização dos aeroportos.

Aumentam os casos chocantes de violência nas grandes cidades. As mulheres são estupradas em qualquer esquina e sofrem com a violência doméstica. Os jovens negros da periferia são vítimas de uma “pena de morte informal”, nas mãos da polícia racista e do tráfico. Casais homossexuais não podem exercer seu direito de amar e viver livremente.

Os movimentos sociais são criminalizados e a mídia ataca com mentiras e distorções a luta dos estudantes e trabalhadores. Atualmente, 72 estudantes da USP estão sendo processados por exercer seu direito de se mobilizar e a tribo indígena Guarani-Kaiowá sofre com os ataques de fazendeiros.

Queremos 10% do PIB já para construir outro projeto de educação!
A educação brasileira reflete esse Brasil da exclusão social. Hoje, menos de 5% do PIB é investido em educação. A consequência disso é alarmante: quase 10% da população são analfabetos, quase metade da população com mais de 25 anos não tem o ensino fundamental completo, apenas 18% das crianças de até três anos estão nas creches! Todos nós sabemos que a educação no Brasil não é uma prioridade. O governo Dilma cortou quase R$ 5 bilhões da área nos últimos anos.

Entre os jovens de 18 a 24 anos, somente 14,4% estão matriculados no ensino superior, e destes, 73% estão nas faculdades privadas. A expansão, tão propagandeada pelo governo, deu-se prioritariamente no ensino à distância, que cresceu desde 2001 mais de 400%! O setor privado cresceu duas vezes mais que o público.

O REUNI significou muito pouca expansão e muito mais precarização. Com o PRONATEC, o governo promove parcerias com a iniciativa privada, concedendo isenção fiscal às empresas. A ANEL defende a educação como um direito, com produção de conhecimento crítico e voltado aos interesses sociais! Os estudantes brasileiros merecem mais do que currículos enxutos a serviço do mercado, salas superlotadas, escolas sucateadas, professores com péssimos salários, cursos novos sem direito à pesquisa e extensão, muito pouca assistência estudantil e infraestrutura adequada.

Em 2012, fizemos a maior greve da educação dos últimos dez anos! Agora, a luta deve continuar. O governo Dilma sistematizou no novo Plano Nacional de Educação o conjunto dos seus ataques à educação. A ANEL se opõe ao PNE do governo e defende o investimento imediato de 10% do PIB, para construirmos nas lutas outro projeto de educação!

Para investir de verdade em educação, o Petróleo tem que ser nosso!
Muito se especula sobre como atingir os 10% do PIB para a educação. A UNE afirma que com 100% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do pré-sal iremos salvar a educação brasileira. Grande ilusão! Nós da ANEL sabemos que os royalties do petróleo representam menos de 1% do PIB, muito longe dos 10% que defendemos. O Fundo Social do pré-sal significa menos de 2% de todo o lucro da exploração. A UNE é conivente com a privatização do petróleo que realiza o governo federal, através dos leilões e partilhas. Só com uma Petrobrás 100% estatal, poderemos fazer da educação uma prioridade em nosso país.

Cotas Racias: Eu defendo SIM! A juventude negra tem direito ao futuro!
A ANEL está lançando a Campanha Nacional “Cotas Raciais: eu defendo sim! A juventude negra tem direito ao futuro”. Hoje, os negros não passam de 8% dos estudantes matriculados nas universidades públicas. Essa realidade de desigualdade profunda é expressão do racismo, que faz a juventude negra abandonar mais cedo os estudos, ocupar os piores postos de trabalho e viver no meio do fogo cruzado nas periferias das grandes cidades, sofrendo com humilhações diárias.

O governo federal, depois de muita luta e pressão do movimento negro, aprovou a Lei de Cotas (PL 180/08). Todavia, o projeto tem inúmeras limitações. A maior delas é a vinculação das cotas raciais às cotas sociais. Defendemos que as cotas raciais sejam desvinculadas das sociais e incidam sobre todas as matrículas, alcançando a proporção de negros em cada estado. Além de políticas de assistência estudantil direcionadas especificamente aos cotistas.

NÃO à EBSERH: Saúde não é mercadoria!
A EBSERH, projeto da presidente Dilma e do ministro da educação Aloizio Mercadante, é privatização dos HUs. A partir de uma parceria com a iniciativa privada, a EBSERH vai interferir diretamente no corpo de funcionários e nas atividades dos hospitais, destruindo seu caráter de hospital-escola, prejudicando a formação dos médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde, e piorando seu atendimento, que poderá deixar de ser gratuito.

Em algumas universidades, como a UFCG, UFPR e UFAL, o movimento estudantil organizou protestos e conseguiu barrar a aplicação do projeto. É preciso construir uma grande campanha contra a EBSERH, a começar pelo plebiscito nacional em conjunto com o ANDES, SINASEFE e FASUBRA. Educação e Saúde não são mercadorias!

“Mãos para o alto, esse aumento é um assalto!”
Todo ano é a mesma coisa: os empresários pressionam e as prefeituras aumentam as tarifas de ônibus. Além de sucateado e superlotado, o transporte coletivo está muito mais caro, restringindo o acesso à educação, lazer e cultura. A ANEL esteve e estará presente na luta contra o aumento das tarifas em várias cidades do país. Defendemos a estatização do transporte público e o passe-livre para estudantes e desempregados.

Venha para o II Congresso da ANEL!
Há quase quatro anos, no Congresso Nacional de Estudantes, dois mil delegados de todo o país votaram pela construção da ANEL. A partir de então, a democracia, a independência e a aliança com os trabalhadores se fez presente, através da nova entidade, em cada luta estudantil do Brasil.

Após a maior greve da educação dos últimos dez anos, a ANEL mostrou sua força e foi capaz de unificar o movimento estudantil com sua proposta de formação do Comando Nacional de Greve Estudantil, instrumento que organizou a luta dos estudantes brasileiros contra o governo federal.

Nos dias 30 de maio a 2 de junho, será realizado, em Juiz de Fora (MG), o 2° Congresso da ANEL. Nos próximos meses, milhares de estudantes serão eleitos delegados democraticamente nas universidades e escolas do país. A votação da maioria dos delegados, que participarão de debates ao longo do Congresso, vai decidir como enfrentar os futuros desafios que teremos pela frente.

Suas resoluções, programação e funcionamento serão decididos de acordo com a vontade dos estudantes, de forma livre e democrática. O Congresso será construído em cada luta da juventude e será erguido sobre os sonhos de um novo futuro!

UNE: tão longe dos estudantes, tão perto do governo
A velha UNE abandou as lutas e, hoje, amarga a condição de ministério estudantil do governo federal. Seus congressos servem para referendar toda a política educacional do governo, de forma antidemocrática e acrítica. Por outro lado, o Congresso da ANEL vai articular nacionalmente os estudantes em uma entidade independente dos governos e reitorias, que preza pela democracia e pela aliança com os trabalhadores e com os jovens de todo o mundo.

Infelizmente, os coletivos da esquerda da UNE ainda estão presos à velha entidade. Essa posição acaba legitimando as traições da UNE e atrasando a construção do novo movimento estudantil. Queremos convidá-los a darem um passo à frente, aprofundando nossa unidade. Por isso, o Congresso da ANEL estará de portas abertas! Precisamos apostar com ousadia na construção do novo, que inspirado pelos ventos árabes e europeus, consiga organizar a juventude do país a lutar por seus direitos de forma independente!

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