(Brasília - DF, 16/09/2020) Durante a posse do ministro da saude o presidente Jair Bolsonaro mostra uma caixa do remedio Hidrocloroquina.Foto: Carolina Antunes/PR

Já faz mais de trinta dias que o país registra mais de mil mortes diárias por COVID-19, totalizando 250 mil vítimas. Na maioria dos estados, há sinais de colapso no sistema de saúde, com Unidades de Terapia Intensiva (UTI) cada vez mais sobrecarregadas.

O estado de São Paulo tem hoje o maior número de pessoas internadas em UTI com COVID-19 de toda a pandemia. A pior situação é no interior. Campinas, por exemplo, tem 100% dos leitos de UTI ocupados. A situação é semelhante em Araraquara (86,9%), Barretos (81,4%), Bauru (92,2%) e Presidente Prudente (87,5%).

O Paraná vive um colapso iminente no sistema de saúde, com ocupação de 92% dos leitos de UTI. Porto Alegre (RS) registrou superlotação de até 375% nos pronto-atendimentos, e três das sete macrorregiões do estado vão entrar em colapso nos próximos dias.

Em Manaus (AM), um dos epicentros mundiais da pandemia, o comércio voltou a ser liberado enquanto o número de enterros diários aumenta e a vacinação foi suspensa. Em Parintins (AM), os doentes começaram a ser submetidos a contenção mecânica, quando o paciente fica amarrado à cama com gaze, por falta de sedativo.

Em Uberlândia (MG), 95% das UTIs para tratamento de COVID estão ocupadas. Monte Carmelo (MG) está há mais de um mês com 100% dos leitos ocupados e está faltando oxigênio. Em Santarém (PA), os leitos também estão 100% ocupados e com fila de espera de doentes na UPA precisando ser transferidos.

Tudo isso ocorre num momento que os hospitais de campanha já foram desmontados em todo o país!

É bom salientar que as internações em UTIs hoje retratam um crescente volume de infecções que aconteceram ao longo dos últimos quinze dias. É apenas a ponta do iceberg do colapso iminente do sistema de saúde de várias regiões do país nos próximos dias. Ao que tudo indica, março será o pior mês da pandemia. Mesmo assim não há um sinal de que os governos adotarão medidas efetivas de isolamento social, como o lockdown, ou mesmo reativar os hospitais de campanha.

Vacinas a conta-gotas

A maior parte dos estados está suspendendo a vacinação por falta do imunizante. Até 22 de fevereiro, apenas 2,7% da população brasileira havia recebido alguma dose da vacina – 7.138.282 pessoas. Destas, apenas um milhão e duzentas mil pessoas receberam a segunda dose.

Mesmo assim, o general COVID, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, recomendou aos municípios que não mais reservassem vacinas para a aplicação da segunda dose. De acordo com ele, haverá novas remessas das vacinas aos estados.

A realidade é que o governo brasileiro não tem nenhuma vacina neste momento. Existe somente a perspectiva de recebermos algumas poucas doses em março, no máximo sete milhões, mas nem isso é certo, além de ser totalmente insuficiente. Por isso, a vacinação no país caminhará lentamente, a conta-gotas. O Instituto Butantã, o maior fornecedor de vacinas no país, estima que vai entregar 100 milhões doses até o dia 30 de agosto.

A falta de vacinas é culpa de Bolsonaro e Pazuello. O governo segura o dinheiro para comprar as tão necessárias vacinas. Dos mais de R$ 20 bilhões liberados para compra desde agosto, utilizou somente 9%.

Mais recentemente, o governo recusou a compra de dois milhões de doses do imunizante da Pfizer, cujo uso foi aprovado pela Anvisa e imuniza com apenas uma dose. Também se negou a investir em pesquisa científica e tecnologia fortalecendo instituições como o Instituto Butantã e a Fundação Oswaldo Cruz. Ao contrário, liquidou com as verbas públicas voltadas à ciência.

No entanto, não faltou grana para a produção de cloroquina. Foram produzidos mais de cinco milhões de compridos do produto, mesmo depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspender os testes definitivamente, em julho do ano passado, pela comprovada ineficácia.

Se por um lado a cloroquina é totalmente ineficaz, podendo até agravar a situação do paciente, por outro ela foi um manancial de corrupção e superfaturamento. O Ministério Público, junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), investiga por que o Comando do Exército pagou 84 vezes mais na compra de insumos para a fabricação da cloroquina.

PIOR QUE ESTÁ FICA SIM

Mutações podem fazer vírus escapar de vacinas

O descontrole total da pandemia tem produzido mutações mais infecciosas do vírus. Um indicativo de que essas novas variantes já estão circulando no país é o fato de as UTIs de vários estados estarem sobrecarregadas.

A maior preocupação é que essas novas variantes consigam escapar das vacinas já desenvolvidas. Isso pode comprometer a eficácia das vacinas e fazer com que a COVID-19 se torne endêmica como a dengue, a gripe, a malária e a tuberculose, por exemplo.

A vacinação lenta, a ausência de medidas preventivas efetivas e a política genocida de Bolsonaro e Pazuello são responsáveis por essa situação. Bolsonaro e os governadores militam contra o isolamento social, mesmo diante do colapso iminente do sistema de saúde.

Só tem uma saída: imunizar cada vez mais rápido a população com todas as vacinas disponíveis para evitar que o vírus se multiplique de forma indiscriminada, diminuindo assim a chance de sofrer mutações.

Vamos falar de lockdown

A única maneira de evitar o colapso e as mutações do vírus é restringindo a circulação de pessoas com um lockdown, mas há uma frente única entre Bolsonaro, governadores e vários prefeitos contra a medida. Alegam que vai trazer mais prejuízos aos comerciantes e ameaçar empregos. Alguns políticos têm adotado toque de recolher das 22h às 5h, mas isso é pura hipocrisia.

Os governos resistem ao lockdown porque não querem pagar auxílio emergencial de verdade para os trabalhadores e para os pequenos comerciantes ameaçados de falência. Dizem que o Brasil está quebrado, mas jogam metade do orçamento nas mãos dos banqueiros com o pagamento da dívida pública. Desse modo, empurram milhões para a morte e garantem o lucro dos grandes capitalistas

 

GREVES EM DEFESA DA VIDA

Aulas presenciais é um crime

Mesmo diante do descontrole total da pandemia, os governos estão exigindo o retorno às aulas. Em São Paulo, desde que as atividades presenciais foram retomadas nas escolas estaduais, municipais e privadas, já foram contabilizados oficialmente 741 casos de COVID-19 e mais de 1.100 casos suspeitos. Entidades de professores denunciam que os números estão subnotificados e há pressão de direções para esconder casos.

A primeira vítima da ação criminosa do governo foi a professora de geografia Maria Tereza Miguel Couto, de 32 anos, que faleceu, no dia 20 de fevereiro, vítima de COVID-19. Sua mãe também morreu devido à doença.

Em São Paulo, os trabalhadores em educação estão em greve contra a retomada das aulas presenciais. Em Recife, o Simpere, sindicato dos professores municipais, deu início a uma forte campanha contra a volta às aulas. A entidade vem denunciando a morte de vários professores em razão da COVID-19.

 

NOVA FARSA DE BOLSONARO

A cloroquina de Israel

Ameaçados de serem processados por incentivarem o uso da cloroquina, Bolsonaro e Pazuello encontraram uma nova cura milagrosa para a COVID.

A nova panaceia de Bolsonaro é o spray nasal EXO-CD 24, utilizado para tratamento de câncer de ovário, testado por Israel em apenas 30 pacientes, sem acompanhamento pós-hospitalar e sem resultados publicados. Bolsonaro já disse que vai gastar milhões para trazer a droga mágica ao Brasil. Talvez mande até o exército produzi-la aqui no Brasil de forma superfaturada, ao gosto dos generais do seu governo.

O spray nasal é uma cortina de fumaça para esconder o descontrole total da pandemia e a falta de vacinas. Além disso, é preciso lembrar que Israel vacinou quase 80% de sua população. No entanto, impede que uma única dose de vacina chegue até os palestinos, como na Faixa de Gaza.

 

PATENTES

O capitalismo quer lucrar com a morte

O monopólio da grande indústria farmacêutica impede a produção de vacina em massa pelo mundo. O direito de patentes é uma estratégia dos grandes laboratórios para impedir que outros fabriquem e vendam a vacina a preços mais baixos. Ao ter o direito às patentes, só as corporações farmacêuticas podem seguir produzindo vacinas, ganhando muito dinheiro com a escassez dos imunizantes. Também fazem chantagens com os governos, como, por exemplo, fez a Pfizer, que pela assinatura de um contrato com cláusulas que isentam a farmacêutica de responsabilidades, exigem um fundo garantidor para o pagamento e a adoção de convenção de arbitragem sob as leis de Nova Iorque.

As patentes das farmacêuticas impedem o uso da capacidade produtiva de muitos países, inclusive do Brasil, voltada à produção de vacinas. Enquanto isso, um punhado de bilionários enriquece à custa da morte. Por isso, é preciso quebrar as patentes desses monopólios para garantir a vacinação em massa.

Como se não bastasse, as grandes farmacêuticas têm Bolsonaro como um grande aliado. Ele é contra a quebra de patentes de medicamentos e vacinas contra a COVID-19, comportando-se como um lambe-botas do imperialismo europeu e estadunidense.

O Brasil poderia ser um importante fabricante de insumos, inclusive um desenvolvedor deles. No passado, desenvolvemos a vacina contra a febre amarela. Com a atual capacidade do SUS, seria possível imunizar a população em três ou quatro meses e ainda ajudar a imunizar o mundo.

 

PROGRAMA

Vacina para todos já! Fora Bolsonaro, Mourão e Pazuello!

Bolsonaro é o maior militante a favor do vírus. Seu governo de morte é um obstáculo para a vacinação. Tirá-lo de lá é condição fundamental para enfrentar a pandemia e salvar vidas.

Quebrar as patentes da indústria farmacêutica!

A quebra das patentes pode garantir a produção em massa das vacinas

Quarentena para valer!

O lockdown é uma necessidade para enfrentar o iminente colapso da saúde. Para garanti-lo, é preciso auxílio emergencial de verdade para os trabalhadores e para os pequenos comerciantes ameaçados de falência.

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Editorial: Bolsonaro e o mercado contra o Brasil