Paraíba: a Justiça acaba a greve, mas não o movimento

Professores paraibanos fazem greve histórico e, mesmo após ataque da Justiça, mantém mobilizaçãoInfelizmente a Justiça comprova mais uma vez que não está do lado dos trabalhadores e assim decretou a ilegalidade de nossa greve, exatamente um dia após o “Stálin Coutinho” ter pago nossos salários incorporando a GED e a GEAP.

O juiz nos deu 72 horas para retornarmos aos trabalhos, caso isso não ocorresse o SINTEP pagaria multa de R$20.000,00 diários e teríamos nossos dias descontados. A questão é que esse mesmo juiz não deu as mesmas 72 horas para “Stálin Coutinho” devolver o salário surrupiado de alguns trabalhadores de nossa categoria, mesmo admitindo que foi um desconto ilegal.

O que é mais revoltante nessa situação é que um dos argumentos utilizados pelo excelentíssimo senhor juiz, é que os meninos estão há mais de 30 dias sem merenda. Afinal de contas o que somos? Educadores ou merendeiros? Qual o papel da escola afinal? O desembargador Romero Marcelo da Fonseca Oliveira não leva em consideração que existem hoje mais de 400 escolas no estado sem condições de funcionamento, de que hoje os únicos recursos didáticos que os professores dispõem são a saliva e o giz, que várias escolas no estado faltam professores, que o ensino é precarizado com 6.000 prestadores de serviço que ganham pouco e pouca formação tem, na sua maioria. A solução que o desembargador deveria ter dado é a de retorno apenas das merendeiras e o pior é que o governo “Stálin Coutinho” para elas não deu nada, nem os R$60,00 prometiodos.

O fim da greve não significa o fim da nossa luta, a categoria reunida em assembléia nesse 2 de junho, decidiu que o movimento continua pela reincorporarão da GED. Vamos voltar às aulas nesse 6 de junho, mas traçamos um calendário de mobilizações constantes em que todos os meses faremos mobilizações e paralisações na luta pelo retorno da GED e também pelo restante de nossa pauta de reivindicações.

Nesses 32 dias de greve realizamos uma ação histórica, que nem a direção do SINTEP estava preparada ou querendo realizar, que foi ocupação do Palácio do governo, conseguimos mostrar para todo o Brasil a situação calamitosa em que vivem os professores da Paraíba. Forçamos os políticos de oposição e situação a colocarem na ordem do dia o tema educação.

Conseguimos derrotar a burocracia do SINTEP que queria acabar com a greve desde o dia 20 e que na verdade nunca construiu efetivamente essa greve. Conseguimos fazer com que o governo pagasse o piso nacional no vencimento, mesmo que através de uma manobra, mas estamos recebendo o piso e como a luta não acabou, apenas a greve, temos hoje força suficiente para lutarmos pelo retorno da GED, só não podemos deixar o movimento enfraquecer.

Conseguimos desmascarar esse governo, que provou para a população paraibana o quanto ele é autoritário, intransigente, e capaz de utilizar qualquer artifício para prejudicar os servidores estaduais, pois o seu ataque não é apenas a educação, a saúde e a segurança também estão na mira desse governo.

Nós que fazemos a “Oposição SINTEP”, nos solidarizamos com os professores que bravamente resistiram nesses 32 dias, cerca de 80% da categoria segundo a própria justiça, e ainda mais com aqueles que tiveram de forma injusta seus salários descontados em quase a sua totalidade.

A bandeira da educação pública e de qualidade para a classe trabalhadora é uma bandeira nossa e que ao contrário de outros nós não a abandonaremos, por isso continuaremos mobilizados até a vitória da categoria.