‘O governo dialoga com bombas, gás lacrimogêneo e spray de pimenta’, afirma bombeiro

Cabo Cleber, no ato deste domingo, dia 5, no centro do Rio
Samuel Tosta

O Portal do PSTU conversou com o cabo Cleber de Araujo Rosa, bombeiro no Rio de Janeiro. Ele falou sobre a brutal repressão do estado contra o movimento e da falta de negociação das autoridades com os trabalhadores mobilizados Portal do PSTU – Como o governo vem tratando as manifestações que ocorrem há mais de um mês?
O governo vem dialogando com bombas, gás lacrimogêneo, spray de pimenta e armamento letal. Está ‘dialogando´ com o Bope contra os bombeiros.

Explique um pouco o que ocorreu entre a sexta, dia 3, e a manhã de sábado
A afirmação do governo de que o movimento é de uma minoria e com motivação política se mostrou falsa. Havia milhares de bombeiros na sexta-feira. E hoje estamos na Alerj, num domingo, com uma grande mobilização de bombeiros, mesmo com a baixa de 439 presos políticos. A responsabilidade de todos os problemas é única e exclusivamente fruto da falta de abertura de diálogo pelo comando geral da corporação e do governo do estado. A nossa movimentação já vinha há muito tempo, e as únicas respostas verbais que tínhamos do governador eram ironias e coisas sem importância. Isso fez com que nós, manifestantes, tivéssemos que nos esforçar cada vez mais para chamar a atenção da sociedade. Na sexta optamos por entrar no nosso quartel central para nos manter organizados, ter os ânimos e emoções sob controle e para buscar abrigo. O governo do estado, vendo a ampla repercussão e apoio do conjunto dos bombeiros e da sociedade, mandou o BOPE e a tropa de choque, com todo o seu aparato, para tentar dispersar a mobilização. Diante da invasão do BOPE no quartel, utilizando principalmente bombas de gás lacrimogêneo, muitos tiveram que sair para fugir do gás e não puderam regressar. Os que ficaram foram presos. Toda a violência dessa ação foi feita tendo mulheres e crianças no local.

Qual a situação dos presos?
Cabo Cleber:Ontem (dia 4) advogados da OAB tiveram muita dificuldade para ter acesso aos presos políticos. Os celulares foram tomados. A falta de acesso que a PM impôs aos presos permitiu que eles ficassem sem as mínimas condições de permanência no local. Faltaram direitos básicos, como roupas, comida, banho, cama, acesso a banheiros.

Quais são as reivindicações dos bombeiros?
Cabo Cleber: Reivindicamos R$ 2.000,00 como piso salarial (hoje o nosso salário é de R$ 950,00), vale-transporte e fim da política de gratificação, que escamoteia a necessidade de aumento salarial.

Quais foram as atitudes do governo do estado em relação às reivindicações ?
Desde o início do movimento, quando começou, tentamos cumprir a ordem hierárquica, mas o ex-comandante geral se negou a receber os nossos representantes. E o governador manteve a postura do ex-comandante, tratando o movimento como desnecessário e ilegal.

ESCUTE O DEPOIMENTO DE OUTRO CABO, GRAVADO ENQUANTO ESTAVA DETIDO NA CORREGEDORIA, NO SÁBADO

  • Leia a nota oficial do PSTU-RJ: ‘Somos todos bombeiros’