Para privatizar, Alckmin ataca metroviários

Nos dias 17 e 18 de junho, depois de 45 dias de negociações, os trabalhadores do Metrô de São Paulo fizeram uma greve para que a direção da empresa cumprisse sentença do Tribunal Regional do Trabalho, concedendo 18,13% de aumento, 100% sobre as horas extras, adicional de 10% de risco de vida para quem trabalha nas bilheterias (alvos de constantes assaltos) e acréscimo de cinco dias de aviso-prévio por ano trabalhado, para todos os trabalhadores.

Naquele momento, o governo Alckmin e a direção da empresa — alegando falta de dinheiro e possibilidade de quebra do sistema — recorreram ao Tribunal Superior do Trabalho e ao Supremo Tribunal Federal, perdendo em ambas as instâncias. Isso obrigou a empresa a pagar a diferença salarial referente aos meses de maio e junho.
De lá para cá, o governo e a empresa não pararam seus ataques e foram várias as oportunidades em que representantes do governo ou do Metrô foram à imprensa para tentar jogar a população contra os trabalhadores e o acordo assinado. O secretário de Transporte Metropolitano, Jurandir Fernandes, tem dito sistematicamente que, devido ao atendimento das reivindicações, o Metrô terá que suspender a construção da Linha 4 e a ampliação da Linha 2.

Mentiras, corte de direitos e perseguição

Por trás da tentativa de indispor a categoria com a população e de desmoralizar os trabalhadores — impondo, por exemplo, a suspensão de todas as férias até o final de agosto — o que existe é uma longa história de ataques ao sistema metroviário de São Paulo.

Ataque que se intensificou ao final do governo Covas, foi eliminado um subsídio de 30% que o governo concedia para os custos operacionais do sistema. Desde então, as passagens subiram de forma astronômica e o governo e a empresa intensificaram o discurso de que o sistema está à beira de um colapso.

Alegando que os metroviários são “marajás” e que seus salários consomem 81% do orçamento da empresa, Alckmin e seus capachos afirmam que a única forma de construir novas linhas é através da concessão de partes do sistema, por 30 anos, para empresas privadas. No topo das empresas interessadas nesta mamata, está a Alston, multinacional francesa que fabricou boa parte dos vagões que circulam pela cidade e é uma das maiores empresas mundiais do ramo.

Como parte deste plano, o governo e o Metrô estão buscando atacar também a organização de base dos trabalhadores com medidas arbitrárias: ativistas e dirigentes sindicais têm sido perseguidos.

Um destes ataques atingiu Alex Fernandes, da Executiva do Sindicato, que foi demitido no dia 14 de julho — com a anuência do TRT —por justa causa, por ter organizado o plebiscito da Alca no Metrô. Os trabalhadores seguem em campanha pela reintegração dele.

Post author Núcleo de metroviários do PSTU São Paulo
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