Pancadaria no INSS: Quem te viu e quem te vê

Governo petista reprime manifestação de servidores na sede do INSS com força policial, deixando cinco feridos. Depois do espancamento, presidente do órgão divulga nota chamando funcionários de “baderneiros”

Pela segunda vez, em menos de dez dias, o governo apelou para a truculência a fim de impedir uma manifestação de servidores públicos contra a Reforma da Previdência. Na sexta-feira passada, durante uma ocupação dos funcionários públicos em greve do Edifício Sede do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), em Brasília, o Batalhão de Choque da Polícia Federal foi novamente acionado para expulsar e agredir os servidores.

No embate, a senadora Heloisa Helena (PT-AL) e cinco funcionários públicos foram covardemente feridos pelos policiais, os quais usaram cacetetes, tiros de borracha e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Os grevistas chegaram pela manhã na sede do INSS com o objetivo de tentar uma negociação com o governo por intermédio do presidente do Instituto, Haiti Inemame.

Como Inemame não os recebeu, iniciaram a ocupação do prédio pela garagem, mas foram impedidos de entrar pela PM, acionada pelo presidente do instituto. Em virtude da ação da polícia, a senadora Heloisa Helena se prontificou a intermediar a negociação para que os servidores fossem recebidos pelo representante do governo.

Depois de cinco horas de conversa com a senadora e uma comissão do Comando Nacional Unificado de Greve da Coordenação Nacional de Entidades dos Servidores Federais (CNESF), Inemame avisou ao grupo que teria conseguido uma audiência com o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, mas para isso teria de ir ao ministério.

Pouco tempo depois de sair do INSS, Inemame telefonou para a senadora e avisou que havia conseguido avanços na conversa com o ministro. Pediu a ela e ao grupo, que a essa altura estavam em seu gabinete, no oitavo andar, para irem ao térreo a fim de fazerem uma negociação pacífica. Ao chegar ao local combinado, o grupo de manifestantes e a senadora se depararam com o presidente do INSS acompanhado do Batalhão de Choque da Polícia Federal. Nesse momento, os policiais partiram em direção aos manifestantes e os forçaram, à base de cacetetes, tiros de borracha e gás lacrimogêneo, a sair do prédio.

Ao contrário do que se propôs antes de ser eleito, o governo petista vira as costas para o movimento social e, esquecido de seu passado de lutas ao lado dos trabalhadores por conquistas trabalhistas, políticas e sociais e dos pactos feitos com o movimento social antes das eleições de 2002, segue, com o suporte do aparato policial, as recomendações dos banqueiros internacionais com um único objetivo: privatizar a Previdência a fim de favorecer os grandes empresários nacionais e internacionais com fundos de pensões privados.

Depois da agressão aos manifestantes, o Ministério da Previdência social divulgou uma nota à imprensa acusando lideranças sindicais e servidores em greve de agressivos e desordeiros. Acometida de uma crise de asma por causa das bombas de gás lacrimogêneo, a senadora Heloísa Helena recebeu atendimento médico depois do incidente. Fonte: CNESF