Paes chega de caô! Pare de perseguir os camelôs!!

Samantha Guedes, do Rio de Janeiro

No Brasil, atualmente, são 92 milhões de pessoas sem trabalho, sobrevivendo por meio de bicos ou na informalidade. Quando o trabalhador perde seu emprego, sem qualquer tipo de ajuda ou assistência social, precisa “se virar” para o sustento de sua família. Com o agravamento da crise, na pandemia, o trabalho por conta própria atingiu o recorde de 24,8 milhões de pessoas. Assim os vendedores popularmente chamados de ambulantes ou camelôs se ampliam nas grandes cidades.

Segundo o IBGE, o Rio de Janeiro é a cidade com maior número de ambulantes (9,14%) do país. Esses vendedores ambulantes têm as piores condições de trabalho, sejam fixos ou tira colo, pois ficam debaixo de sol e chuva, nas ruas, nas praças, nos transportes coletivos, sem banheiro, sem direitos.

Mesmo assim, com toda a crise social que obriga famílias buscarem alimentos nos caminhões de lixo, os camelôs estão sendo perseguidos pelo prefeito Eduardo Paes. Essa prática é comum no seu histórico, ocorrendo também em 2009, na sua primeira gestão. O “tal choque de ordem” segundo o prefeito tem como objetivo organizar a cidade, entretanto, a sua verdadeira função é atender a exigência dos donos das redes do grande comércio. Paes quer retribuir aos financiadores de sua campanha, expulsando a periferia dos “pontos turísticos”, para atender aos anseios da especulação imobiliária. Para Paes, o projeto “Reviver Centro” significa expulsar os trabalhadores de rua. Mas não é apenas no Centro. Em Madureira, Méier, Taquara, Campo Grande e Santa Cruz têm sido frequentes os episódios de perseguição.
A guarda municipal tem imposto um clima de terror a quem quer trabalhar e ganhar a vida dignamente. Cenas de humilhação e violência física são constantes. Mercadorias são apreendidas sem devolução.

Uma das maiores crueldades que pode fazer com um trabalhador é tirar o seu sustento. E, no caso desses vendedores ambulantes é apreender/destruir suas mercadorias muitas delas consignadas. O Prefeito playboy demonstra muito mais que insensibilidade e crueldade. Demonstra a que classe ele pertence, a que interesses ele representa.

Ao invés de punir as grandes empresas que demitem, é mais fácil atacar os trabalhadores camelôs, majoritariamente negros e mulheres provedoras de suas casas. Há muitos idosos que, por conta da inflação dos alimentos, não conseguem mais sobreviver apenas com suas aposentadorias. Isso é desumano.

Devemos exigir dos governos políticas de geração de empregos, como um plano de obras públicas, com construção de moradias, saneamento, entre tantas outras necessidades e a redução de jornada de trabalho para 30 horas semanais sem redução de salário, o que seria plenamente possível. Devemos exigir a manutenção do auxílio de R $600,00 para que não seja mais necessário revirar lixo.

Mas, enquanto não houver empregos, os governos têm a obrigação de garantir que os camelôs possam trabalhar com tranquilidade. O que eles reivindicam é uma reorganização das licenças, o que a Prefeitura tem negado. Por isto, está sendo organizada uma passeata dos camelôs no próximo dia 24 de Novembro, pelas ruas do centro da cidade.

O PSTU se soma a este chamado e convoca o conjunto dos trabalhadores da nossa cidade a se solidarizar com os camelôs e a repudiar a atitude covarde de Eduardo Paes.

Emprego e renda sim, Guarda municipal armada não!

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