O trotskismo no Brasil

Os primeiros passos do trotskismo no Brasil foram dados na formação Grupo Comunista Lênin, em 1930, e logo depois na fundação da Liga Comunista Internacionalista (LCI), em 1931. A Liga reunia Mario Pedrosa (expulso do PCB em 1929 após uma viagem em que teve contato com os textos de Trotsky), Aristides Lobo, Livio Xavier, João Costa Pimenta, entre outros.

Mario Pedrosa participou da fundação da IV Internacional em 1938. No ano seguinte, o dirigente do PCB, Hermínio Sacchetta, rompe com o partido e se une ao grupo de Pedrosa, formando o PSR (Partido Socialista Revolucionário), reconhecido como seção da IV. Logo viria uma grave crise com a polêmica sobre o anti-defensismo. Pedrosa aderiu às teses anti-defensistas e rompeu com a Internacional.

O PSR sobreviveu muito enfraquecido e acabou definitivamente em razão da direção da Internacional, que defendeu um entrismo no PCB. O defensor direto dessa política era J. Posadas, dirigente do Birô Latino Americano da IV Internacional. Sacchetta resistiu ao entrismo, mas terminou se afastando do partido.
Foi organizado então o Partido Operário Revolucionário (POR), já sob a direção direta de um emissário de Posadas.

O mesmo Posadas, depois, romperia para formar sua própria “IV Internacional”. O “posadismo” levou a limites delirantes todas as capitulações do pablismo, apostando em todas as direções stalinistas e nacionalistas burguesas. Isso vai ter como conseqüência nas lutas da década de 60 sua capitulação perante o populismo de João Goulart e Miguel Arraes. O revisionismo pablista-posadista destruiu assim pela segunda vez o embrião de partido revolucionário no Brasil.

Na década de 70, o trotskismo brasileiro ganhou novas perspectivas com a estruturação de três correntes distintas.

O Secretariado Unificado se expressava na corrente estudantil Centelha, que daria origem à Democracia Socialista (DS). O “lambertismo” (corrente internacional dirigida pelo francês Pierre Lambert) animava a corrente estudantil Liberdade e Luta, que se transformaria na organização O Trabalho. A outra, que tinha origem morenista, era a Liga Operária, depois Convergência Socialista, que seria a principal corrente a formar o PSTU.

Todos os três grupos fizeram entrismo no PT, mas seguiram caminhos bem distintos. A DS não só se adaptou ao PT, como participou do governo Lula com o ministro da Reforma Agrária. Hoje é um movimento eleitoral reformista.
O Trabalho seguiu trajetória semelhante. Completamente adaptado ao reformismo, cumpre hoje o papel lamentável de ser um dos principais defensores da CUT contra todos os setores que rompem pela esquerda.

O PSTU incorporou as duas características fundamentais da corrente morenista da qual se originou: o vínculo com movimento dos trabalhadores e a luta contra os aparatos. A Convergência Socialista pôde assim romper com o PT e ajudar a fundar o PSTU.

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