O suposto descolamento dos emergentes é uma farsa

A famosa tese do descolamento dos países ditos emergentes, que por serem supostas potências em ascensão poderiam escapar da crise, revelou-se um mito. Existe uma única economia e um mercado mundiais e as economias nacionais são partes deste todo e estão subordinadas a ele. E, como já dissemos antes, o centro da crise é a principal economia do planeta, os Estados Unidos, o que faz com que seus efeitos se estendam às economias de todos os países, principalmente os países de economia mais débil ou secundária.

Os emergentes já estão sentindo esses efeitos. A crise financeira já atingiu a Rússia onde, em uma semana, os pregões da bolsa já foram interrompidos quatro vezes numa tentativa de impedir a fuga de capitais. Somente no dia 6, a Bolsa de Moscou caiu 19%. O governo russo foi obrigado a suspender o funcionamento da bolsa por dois dias para não ruir completamente o sistema financeiro.

Na América Latina não é diferente. A princípio, os governos latino-americanos, como os de Lula e Cristina Kirchner, tentaram minimizar a crise enquanto permitiam que banqueiros e capitalistas internacionais e nativos retirassem seus capitais com ganhos extraordinários, aproveitando as remessas de lucros, os juros altos pagos pelo governo e os pagamentos da dívida externa e interna.

Agora, a crise mundial está desequilibrando essas economias de várias maneiras, seja pela fuga de capitais, pela queda nas exportações ou pela desaceleração da produção agrícola e industrial, fruto da queda do consumo dos países imperialistas. Tudo aponta para a recessão. A ilusão do descolamento ruiu e, agora, os mesmos governos que antes faziam pouco caso da crise tentarão impor o seu custo à classe trabalhadora e aos pobres.

Afirmações de que o Brasil, a Argentina ou outros países periféricos não seriam atingidos pela crise não têm apenas o objetivo de encobrir a inação destes governos. Além disso, existe um caráter intencional claro: os governos de Lula, Cristina Kirchner e outros querem anestesiar a classe operária e os setores populares, desarmá-los, amarrar suas mãos para que aceitem passivamente pagar pelos custos da crise ou que a enfrentem totalmente despreparados para a inevitável luta de vida ou morte contra a superexploração, o desemprego e a fome que já se vê no horizonte.

Post author Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI)
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