A crise econômica vai provocar uma enorme crise social

Como em todas as crises da economia capitalista, a burguesia mundial já começou a descarregar os custos nas costas dos trabalhadores e dos setores populares. As primeiras manifestações são as restrições do crédito ao consumidor e os aumentos de preços. Por exemplo, só nos Estados Unidos, mais de um 1,7 milhão de famílias foram expulsas de suas casas porque não puderam pagar suas hipotecas. Mas o ataque que está por vir será muito pior.

A recessão provocará um enorme aumento do desemprego. Só nos Estados Unidos, 750 mil trabalhadores já perderam seus empregos. Antes da explosão dos mercados financeiros, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) já previa que 5 milhões de trabalhadores se somariam à população desempregada no mundo este ano. Agora, esse número deve aumentar muito.

Os trabalhadores imigrantes nos países imperialistas, oriundos de países pobres, serão os primeiros a sofrer com o desemprego, o aumento do trabalho precário e as leis para estrangeiros promovidas pelos governos desses países. A crise econômica e o desemprego também trarão o crescimento da xenofobia e do racismo, como está acontecendo hoje na Itália e na Áustria.

Por outro lado, em mais de trinta países pobres, já existia uma crise social por causa do aumento do preço dos alimentos e dos combustíveis. Aí, a recessão e o desemprego terão o efeito de uma verdadeira hecatombe social.

Os reflexos da crise econômica entre os trabalhadores contrastam com os privilégios da alta burguesia. O capitalismo busca salvar os bancos com pacotes estatais que só nos Estados Unidos já somam mais de US$1 trilhão.

O que significa esse gasto frente a outras necessidades agudas da humanidade? Segundo a ONU, para dar água potável a todo o planeta seriam necessários US$32 bilhões. Segundo a FAO, para acabar com o drama das 925 milhões de pessoas que passam fome em todo o mundo seria preciso US$30 bilhões. Quantias ínfimas se comparadas à fortuna destinada a salvar os bancos, que foram os protagonistas da ciranda financeira.

Além disso, há outra farsa que caiu por terra. Durante décadas, a propaganda neoliberal fez a defesa das privatizações, da liberdade do capital para atuar livremente, obedecendo apenas às leis do mercado. Agora pedem desesperadamente, ou melhor, exigem uma injeção de dinheiro público para cobrir suas perdas. O que estão dizendo é que, num momento de crescimento econômico e altos lucros, é preciso privatizar o Estado. Nos momentos de crise e grandes perdas o Estado deve financiar os capitalistas. Privatizar os lucros e socializar os prejuízos, tal é a lógica do capitalismo.

Por isso, nem todos sofrem a crise por igual. Os trabalhadores perdem suas casas e empregos, muitos já estão ameaçados pela fome. Muitos burgueses, cuja especulação levou os bancos à quebra, conservam privilégios escandalosos, até obscenos. Executivos dos bancos que foram à falência levaram para casa indenizações e bônus milionários.

Richard Fuld, que conduzia o Banco Lehman Brothers, que pediu concordata no meio de setembro, teve ganhos de US$45 milhões em 2007. Stan O’Neal, do banco Merryl Lynch, vendido para o Bank of América, se aposentou levando para casa US$161 milhões em indenizações.

Mas que ninguém se engane. O custo dessa bondade com os grandes bancos e seus executivos será pago pelos Estados com dinheiro público, isto é, dos trabalhadores. Pior, para desviar dinheiro do Estado para salvar os bancos, os governos capitalistas vão procurar aumentar os ataques ao nível de vida dos trabalhadores.

Isso porque as enormes quantias despendidas para salvar os bancos aumentarão o déficit do orçamento e a dívida pública dos Estados Unidos e dos países europeus. Os governos desses países buscarão cortar gastos com saúde, educação e planos de aposentadoria, bancados pelo Estado. E também vão procurar aumentar a exploração dos países periféricos, fazendo funcionar seu conhecido aspirador de capitais.

Post author Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI)
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