O governador Romeu Zema (Novo) e Jair Bolsonaro (sem partido)

Desde o início da pandemia, o governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) se comportou como “ventríloco” desafinado de Bolsonaro e seu negacionismo. Tal qual um personagem de filme de terror, Zema aparece nas telas e nos jornais com sua pose de gestor “frio e calculista”, inabalável diante das tragédias (não foi assim em Brumadinho?). Essa pose esconde um certo grau de psicopatia, acompanhada pela falta de caráter, talvez comparado somente a seu chefe. Sem pestanejar, meses atrás, sugeriu que o vírus deveria viajar.

Em mais um ato estapafúrdio, Zema, deputados e senadores mineiros, reuniram-se com Bolsonaro para prestar apoio ao seu “negacionismo genocida”. No mesmo dia também que a imprensa noticiava que pacientes mineiros estão sendo transferidos para tratamento em São Paulo por falta de leitos de UTI. Essa aliança macabra foi selada com um jantar onde se tripudiou das vidas perdidas.

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A situação da pandemia fugiu do controle em todo o país. Já ultrapassa 350 mil óbitos (considerando os subnotificados). A situação de Manaus no início do ano já é realidade em quase todos os Estados. Filas de leitos, falta de oxigênio, pessoas morrendo sufocadas. A sabotagem do governo amplia o desastre. Não foi feito nenhum plano de vacinação em massa. E o genocídio segue.

O vírus segue sua rota e continua se espalhando, como queria Zema. Entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021 o número de óbitos por Covid triplicou, saltando de 1.026 para 3.505, 86% dos óbitos estão no interior do Estado. Em municípios grandes como Uberaba e Uberlândia o sistema de saúde já está em colapso, com filas por leitos e transferências para outras cidades e Estados.

Corte de verbas na saúde e o segredo para a catástrofe.

Diante da catástrofe já estabelecida e sem controle, com mais que o dobro de vítimas, falta de leitos, o governador alterou, em 3 de março, para fase “vermelha” algumas regiões e para “roxa” parte do triângulo mineiro. São medidas tímidas

Essa situação era prevista por especialistas que, cotidianamente, alertavam na imprensa a necessidade de isolamento social e lockdown. Mas sempre esbarram no negacionismo envergonhado do governador, que sabotou as orientações enquanto  pôde. Logo no início da pandemia chegou a propor a reabertura das escolas em todo o Estado.

Por outro lado, ocorreram cortes de investimentos na saúde pelo governo. Dados divulgados no Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) indicam que Minas Gerais investiu somente 10,75% dos impostos arrecadados na saúde, ficando em último lugar entre todos os Estados. A constituição federal prevê 12%, o que já seria insuficiente, pois, vivemos um cenário de guerra. Mas isso não é tudo. Segundo levantamento do site G1 até o terceiro bimestre (pico da pandemia em 2020) o Estado tinha investido somente 7,7% em Ações e Serviços Públicos em Saúde (ASPS).

Essa economia leva ao genocídio. Minas é um dos piores em testagem, promovendo uma gigantesca subnotificação de casos, e falta de previsibilidade da circulação do vírus. Para termos uma ideia, em nível nacional, pelo menos 30% dos óbitos são subnotificados por falta de testes e estão enquadrados como Síndrome Respiratória Aguda Grave. Dessa forma, enquanto oficialmente o governo divulga quase 20 mil óbitos, é preciso afirmar que já ultrapassam 30 mil no Estado.

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Engajado em governar para a Vale

Mas a mesma incompetência em salvar vidas não vemos quando o assunto é defender os interesses da Vale. O governo Zema acaba de assinar um acordo com a Vale, com anuência do judiciário, que, literalmente “passa pano” para a destruição e mortes em Brumadinho e região. O acordo abre mão de R$ 17,32 bi do valor inicialmente pedido pelo governo. Além disso, prevê muitas obras que nada tem a ver com os atingidos, que pode ainda agravar danos ambientais. Além disso, todo o acordo foi feito à revelia dos moradores das regiões atingidas. Foi um acordo para “comprar” a impunidade dos executivos da Vale.

Somente esses R$ 17 bi que o governo Zema abriu mão na negociação com a Vale daria para pagar auxílio emergencial de R$ 600,00 para 7 milhões de famílias por 4 meses, garantindo um lockdown e auxílio emergencial e contenção da pandemia.

 

Intensificar a luta por vacinação e auxílio emergencial. É hora de lockdown!

Bolsonaro, Zema e os governadores colocaram todo tipo de dificuldades para impor um combate sério à pandemia. São os grandes responsáveis pelo genocídio que vivemos. De forma hipócrita se dizem preocupados com o desemprego, com a falta de renda dos trabalhadores autônomos e com os pequenos empresários. Agitam que, se parar tudo, vamos passar fome. A realidade é mais dura do que parece.

Sob o maior genocídio dos últimos cem anos, pelo menos, as grandes empresas, mineradoras, bancos, o agronegócio anunciam seus balanços de 2020. A variação é gritante. Os lucros e distribuição de dividendos para acionistas batem recordes. Algumas empresas aumentaram em 600% seus lucros. Isso acontece porque aumentou o grau de concentração de capital nas mãos de grandes conglomerados, uma parte porque milhares de empresas menores foram a falência. Outro aspecto é que diversos produtos antes vendidos no mercado interno passaram a ser exportados de forma mais intensiva, como o arroz, a carne, etc. e passaram a ter os preços cotados em dólar. A Petrobras, por exemplo, aumentou os combustíveis em 70% desde o início da pandemia e garantiu uma distribuição de R$ 10 bi. Além disso, reduziram custos, como redução de salários de milhões de trabalhadores.

Enquanto essas empresas lucram bilhões, com auxílio dos governos, o desemprego e o genocídio crescem. A absoluta falta de planejamento na compra de vacinas cobra um preço alto. Em Belo Horizonte existem diversos laboratórios, incluindo a FUNED, que poderiam ter entrado na batalha pelo desenvolvimento e produção de vacinas para toda a população. Zema sequer tomou conhecimento. Ao contrário, segue firme com sua política de atacar os serviços públicos.

É preciso aumentar a luta pela vacinação  em massa, pelo auxílio emergencial e por lockdown, da forma como pudermos fazer, com carreatas, panelaços, atos simbólicos. É preciso que essa campanha em defesa da vida dos trabalhadores e trabalhadoras siga com força e que possamos criar as condições para derrubar esses governos genocidas como Bolsonaro, Mourão e Zema.