O PT e a Igreja católica

Na última semana, num encontro da Renovação Carismática Católica (RCC), a novidade foi a presença de ministros do governo Lula e de membros do Partido dos Trabalhadores, levados pelo ex-secretário da educação do Estado de São Paulo, Chalita. A RCC, assim, se aproxima do PT e do governo Lula. Provavelmente, também se aproxima de sua pré-candidata, Dilma Rousseff.

Desde o seu nascimento, o Partido dos Trabalhadores teve fortes vínculos com setores da Igreja católica. Na época, esta relação era com os membros da Teologia da Libertação (TL), setor da igreja com forte presença na América Latina e vinculado aos movimentos sociais pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEB).

Eram os anos 1980, havia uma ascensão do movimento dos trabalhadores. Os teólogos da TL, no Brasil, eram Frei Leonardo Boff, D. Pedro Casaldaliga e Frei Beto. Esse setor da igreja tentava unir parte do marxismo com as teorias sociais da Igreja do Vaticano e teve forte influência nos movimentos sociais na América Latina nos anos 1970 e 80.

Reação de Roma
Com o advento do neoliberalismo, o vaticano se apoiou nos setores mais reacionários dentro da igreja para combater o que chamava de influência do comunismo nas fileiras da Igreja Católica. Para isso, não mediu esforços. Transformou facínoras em santos, mandou silenciar os teólogos da TL e deu status especial às organizações católicas mais reacionárias, como a Opus Dei, a RCC etc.

A RCC e a direita no Brasil
Como parte da reação do Vaticano à esquerda nas fileiras da Igreja, surgiu, nos anos 1990, no Brasil, o movimento chamado, Renovação Carismática Católica. Sua base inicial estava no Vale do Paraíba, em Cachoeira Paulista. Este setor se expandiu com favores de políticos de direita e, hoje, conta com canal de TV, rádio, editora e uma gigantesca infraestrutura na região para seus encontros e manifestações públicas.

Um de seus principais líderes políticos na região é o Sr. Chalita, ex-secretário da educação do Estado de São Paulo, ex-PSDB e, agora, um “socialista” convertido ao PSB, como Paulo Skaf, presidente da FIESP.

Para aqueles lutadores católicos dos anos 1970 e 80, da TL, fica a pergunta: e agora, companheiro? O partido construído por vocês como um partido para transformar a sociedade, hoje se alia ao setor mais conservador da Igreja católica no Brasil, que foi mentor da censura pela qual passaram os teólogos da TL.

Sabemos e valorizamos o esforço que um setor da igreja, a Pastoral Operária da diocese de São Paulo, vem fazendo para unificar a esquerda socialista e classista numa entidade de frente única comum. Fica a pergunta àqueles, que dentro do PT, acham que este partido ainda pode voltar às origens.