O movimento estudantil contra Bolsonaro

É necessário organizar a juventude e a classe trabalhadora

Há mobilizações com assembleias, paralisações, comitês de luta e atos em diversas universidades como USP, UERJ, UFRGS, UFPR, UFF e UFRJ, dentre outras. Hoje, colocar o movimento estudantil em ação contra Bolsonaro é uma tarefa importantíssima. Uma demonstração de coragem e disposição de luta de toda uma geração que não sucumbe ao projeto político representado por Bolsonaro, que representa hoje o que há de pior na política brasileira. É racista, machista e LGBTfóbico. Defende a ditadura militar e se propõe a endurecer repressão e violência sobre os ativistas e movimentos sociais para aprofundar o capitalismo, a exploração e opressão.

Votamos 13 nesse segundo turno para impedir que Bolsonaro assuma o controle do governo e tenha facilitado o seu projeto político nefasto com possibilidade de, inclusive, autogolpe como disse seu vice. Mas junto a isso afirmamos que não apoiamos o Haddad ou o PT. Pelo contrário, desde já seremos oposição ao seu governo. Na verdade, alertamos que tanto Bolsonaro quanto Haddad irão atacar os trabalhadores e a juventude com retirada de direitos e reforma da Previdência, por exemplo.

Se queremos derrotar a direita e os ataques aos nossos direitos é preciso apostar na mobilização e não na eleição. Diferente da UNE, da UJS e do PT que colocam todas as expectativas na eleição e que titubeiam para impulsionar as lutas e mobilizações nas universidades e escolas. Pior ainda, tentam limitar o movimento a defesa do projeto político do PT. Em que pese isso, é preciso uma ampla unidade para lutar. Exigindo das direções que convoquem paralisações, passeatas, organizações de comitês de luta. Além disso, o movimento estudantil está se levantando, mas precisa fazer um chamado aos trabalhadores.

A unidade e organização do movimento é ainda mais importante agora quando estamos vendo vários casos de violência de seguidores do Bolsonaro, inclusive na juventude. Os setores mais atacado são as LGBT’s, os negros e as mulheres. Nas universidades há pichações violentas contra negros, mulheres e LGBT’s. No Paraná, um estudante da UFPR foi agredido por estar com um boné do MST. E há várias dezenas de outros casos similares onde ativistas estão sendo agredidos e até mesmo mortos como o Mestre Moa.

É preciso que o movimento estudantil também tome em suas mãos a autodefesa de suas atividades, de seus ativistas e da sua luta. Um estudante ou jovem atacado por apoiadores do Bolsonaro será um ataque a todo movimento. Temos o direito democrático de nos defender de quem quer que seja que, pela força, tente nos intimidar. Formar já comitês de autodefesa do movimento. Resistiremos a qualquer ataque às liberdades democráticas, à liberdade de lutar e se organizar.

Estamos assistindo uma escalada da polarização social e política do país, fruto das contradições sistema capitalista que quer aprofundar a exploração e a opressão para garantir os lucros da grande burguesia.

Compreendemos o medo de muitos ativistas. Mas tenham certeza que, com a luta unificada dos estudantes em aliança com os trabalhadores, seremos vitoriosos. E saibam que os trabalhadores irão se levantar mais cedo ou mais tarde. Os trabalhadores e o povo não são de direita. Não defendem o programa da direita. Nem são fascistas. Estão, na verdade, sendo enganados.

Muitos ao longo da nossa história se sacrificaram lutando para termos os mínimos direitos de hoje. É nosso dever honrar a história de luta desses estudantes e trabalhadores que tombaram e deram sua vida tentando construir um mundo melhor. A aliança dos estudantes com os trabalhadores na história do nosso país já derrubou a ditadura e pode hoje pode derrotar os ataques que se avizinham, pode derrotar Bolsonaro, ou qualquer governo que nos ataque.

Não há motivo para o medo ou para o pânico. Os absurdos que ouvimos e vemos no cotidiano hoje deve servir para nutrir em nós um ódio aos ricos e poderosos, um ódio desse sistema, e deve ser um impulsionador da justa rebelião operária e popular que pode varrer de uma vez por todas a direita, os traidores dos trabalhadores e todos os corruptos e políticos burgueses que transformam nossa vida em um inferno.

Os ativistas devem saber que a burguesia está dobrando a aposta com um projeto autoritário, e nós também devemos dobrar a aposta. Vamos nos preparar para grandes batalhas. Todos estamos cansados dessa democracia dos ricos controlada pelo poder econômico e que de democracia para o povo tem pouca coisa. Todos estamos cansados desse sistema. Mas achar que o caminho é uma ditadura da burguesia é um tiro no pé. Contra o sistema atual não há outro caminho para os trabalhadores e a juventude que não seja a estratégia da revolução socialista. Hoje, derrotar Bolsonaro e toda a direita.  Mas sem superar as traições e o programa conciliador do PT esta tarefa fica cada dia mais difícil. No bojo dessa luta é preciso construir e fortalecer uma organização revolucionária e socialista. Chega da esquerda ficar refém do programa petista que, querendo ou não, ajudam os Bolsonaros da vida.