O debate na Band e a democracia dos ricos

Foto Kelly Fuzaro/Band

Os debates eleitorais na TV são sempre uma desgraça. Os mesmos projetos políticos de sempre, com candidatos apresentando milhões de promessas falsas, enquanto na verdade defendem os interesses dos grandes bancos e megaempresários. Sem contar que não é um debate democrático já que impedem a participação da única candidatura socialista e revolucionária dessa campanha que é Vera do PSTU.

O primeiro debate desta eleição é expressão da putrefação da democracia burguesa. Não que em outras eleições fosse melhor. Mas quando há estabilidade política e social, a burguesia consegue passar uma imagem de que as eleições são serias, que os candidatos são respeitáveis, e conseguem iludir os trabalhadores a acreditarem nesse sistema político podre. Mas vivemos uma situação de relativa instabilidade com crise econômica, política e social. E essas eleições já estão marcadas pelo descrédito e pela desconfiança dos trabalhadores em relação a essa democracia dos ricos. A participação dos candidatos nesse debate, o nível do ridículo, são expressão disso, ou seja, das máscaras dessa democracia podre caindo.

Alckimin, Meirelles, Marina e Ciro disputavam quem seria mais capaz para gerir o capitalismo brasileiro. Meirelles e Alckimin são neoliberais puros e abertamente, não à toa ambos defendem o governo Temer e suas medidas. Alvaro Dias defende o mesmo projeto, é de um partido que foi base do governo Temer, votou a favor do teto de gastos.

Marina é uma espécie de neoliberalismo verde, alternativo, mas lembremos que votou no Aécio na última eleição. Ciro Gomes diz que não, mas também defende uma política neoliberal em última instancia em nome de um suposto desenvolvimentismo nacional.

Bolsonaro e Daciolo tentam se apoiar nesse descrédito com o sistema político para defender um projeto conservador e de direita, ligado aos militares. Bolsonaro é um defensor da ditadura militar que tenta se apresentar como antissistema, mas faz parte do sistema há muitos anos. Disse que tem que cortar direitos dos trabalhadores mesmo. E em outras situações já destilou seu ódio aos negros, mulheres e LGBTs. Daciolo combina o fundamentalismo religioso e o anticomunismo em 40 graus de febre. Identificar o foro de São Paulo, o PT ou o Ciro Gomes com o comunismo é simplesmente uma aberração. Tanto PT quanto Ciro Gomes já prestaram seus serviços a burguesia brasileira e internacional e se mostraram capitalistas de primeira linha.

Guilherme Boulos defendeu propostas de reformas no capitalismo. Não falou nada que atacasse o sistema capitalista, o interesse dos grandes bancos e megaempresários. Não atacou o sistema político na raiz de seus problemas que enquanto o capitalismo estiver de pé no país os capitalistas controlarão as eleições. Não propôs uma alternativa da classe trabalhadora para essa mudar o sistema. Boulos é o projeto político do PT requentado não à toa coube a ele a defesa de Lula no debate.

Enfim, só podemos afirmar a falta enorme que fez no debate uma candidatura que expressasse as lutas da classe trabalhadora e um programa revolucionário e socialista. A saída para essa democracia, que de democrática não tem quase nada, é a construção de um poder operário e popular, com a organização do povo em conselhos populares. Assim através de uma rebelião podemos derrubar todos eles, e implementar um programa dos trabalhadores no país que passe pela expropriação das 100 maiores empresas que exploram o nosso povo para colocarmos essa riqueza produzida pelos trabalhadores a serviço dos trabalhadores. E passe também pelo não pagamento dessa dívida pública ilegítima e fraudulenta para que possamos investir em educação e saúde pública de qualidade.