O caso da Ministra Luislinda e os limites da da ascensão social do negro na sociedade capitalista

José Roberto, de Itabuna (BA)

Quando um homem negro, principalmente uma mulher negra, comete um crime ou uma declaração abominável, ou qualquer ação condenável, vai sofrer muito além das críticas, da punição ou da rejeição, porque vivemos numa sociedade racista e machista. Se for mulher negra, sempre é acrescentado uma dose dupla de machismo e racismo.

A atual ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, reivindicou acumular os salários de desembargadora aposentada com o do cargo que ocupa hoje, totalizando R$ 61,4 mil. Criticou o teto de R$ 33,7 mil dizendo que “se assemelha ao trabalho escravo“.

A ministra negra Luislinda faz parte de um governo corrupto que ataca ferozmente a classe trabalhadora, o povo negro e todos os explorados e oprimidos. O fato dela compor este governo e usar sua figura de mulher negra, que saiu da pobreza e do lugar que o capitalismo sempre reservou ao povo negro, para se tornar a primeira juíza e desembargadora negra do Brasil, nos traz várias lições sobre a ascensão do negro nos limites da sociedade capitalista.

Milhões de mulheres negras vêem Luislinda como uma mulher negra que venceu. Saiu das cozinhas das madames brancas da Bahia para se tornar, com muita luta, uma juíza, respeitada e admirada. O capitalismo tenta iludir os trabalhadores e os oprimidos de que seus problemas são individuais. Estude muito e trabalhe que você será um vencedor! Seu sucesso só depende de você mesmo! É o que eles repetem.

O problema todo é que no capitalismo existe a propriedade privada dos meios de produção e a riqueza produzida socialmente acaba sendo apropriada individualmente e somente esses proprietários é que vão alcançar o “sucesso” em cima do trabalho dos explorados. Em relação ao povo negro que foi escravizado por mais de 300 anos, tratado como animal sem alma, chicoteado, acorrentado e depois do fim da escravidão foi marginalizado e vítima de todas as consequências do racismo essa situação de exploração ainda é pior. O povo negro é superexplorado, é vítima de genocídio, é jogado nas favelas, nas cadeias. É ridicularizado na TV.

Luislinda é uma mulher negra que sofreu tudo isso. Lutou muito para se formar e encontrou as barreiras mais terríveis de uma sociedade racista pra se tornar uma magistrada. Mas nessa sociedade de classe que vivemos, os magistrados estão a serviço de uma ordem social, de leis que foram criadas para garantir os interesses da classe proprietária branca, racista e contra a maioria do povo pobre, negro e oprimido. Luislinda fez a escolha de se tornar uma magistrada e se incorporar a esta sociedade sem lutar contra ela, sem lutar contra o capitalismo.

Queria ser aceita como mulher negra que ascendeu socialmente a fazer parte dessa sociedade de privilégios para poucos. Se acostumou aos privilégios que os magistrados tem. Filiou-se ao PSDB, o partido sangue puro da burguesia, assumiu o Ministério dos Direitos Humanos de um governo que só faz atacar os direitos do povo. E eis que de repente Luislinda fica inconformada com seu salário de 32 mil reais “apenas”. Acha justo ganhar 61 mil reais num país em que a maioria do povo se mata de trabalhar pra ganhar 937 reais.

Os negros não podem se libertar individualmente. A classe explorada no Brasil é formada por mais da metade de negros e em sua maioria mulheres negras. São os mais explorados e exploradas. A luta contra o racismo só pode ser levada adiante como uma luta contra o capitalismo para construir uma outra sociedade livre da exploração e da opressão. A verdadeira luta do povo negro é uma luta pela revolução, uma luta negra pelo socialismo. É impossível uma revolução no Brasil que não seja uma revolução negra! A revolução será negra ou não será!