Nota do PSTU sobre os tiros efetuados contra a caravana de Lula

Foto PT

O PSTU rechaça os disparos efetuados por grupos de ultradireita contra a caravana do PT no último dia 27 de março. Repudiamos os ataques e as agressões físicas desses grupos e exigimos pronta investigação e punição dos culpados.

Não temos nenhum acordo político com a caravana que Lula e o PT empreendem pelo país, cujo pontapé inicial se deu no Nordeste, ao lado de figurões do MDB e conhecidos coronéis, como Renan Calheiros, e agora está no sul. O discurso de “defesa da democracia” é uma mal-disfarçada campanha eleitoral e do programa do PT. Ao contrário de outros setores de esquerda, não nos somamos a esta “frente ampla”, cujos objetivos são meramente eleitorais em prol de um programa que é mais do mesmo dos governos anteriores e do atual.

Não houve nenhum golpe contra o governo do PT. Houve, sim, vários golpes contra os trabalhadores: do ajuste fiscal, que começou no governo Dilma, aos diversos ataques do governo Temer que estamos sofrendo. A campanha eleitoral de Lula defende a reedição desse mesmo projeto.

Tampouco temos acordo com setores da esquerda que acham que Lula não pode ser investigado ou julgado por corrupção. Assegurado seu direito de defesa, deve ser investigado e julgado. Diante disso tudo, não participamos de atos em “defesa da democracia” ou “em defesa de Lula”.

O PT, contudo, tem todo o direito de se manifestar e expressar suas ideias e política. Nesse sentido, tem todo o direito de realizar seus atos, inclusive aqueles dos quais não participamos e cujos objetivos discordamos profundamente.

Não somos coniventes com atos e tentativas de cerceamento do direito à livre manifestação. Grupos de ultradireita fascistoides – vinculados a Bolsonaro, ao MBL, ao Revoltados Online etc. – ou que se utilizam da violência física devem ser duramente rechaçados, da mesma forma que jagunços e forças paramilitares que atacam lutadores. Repudiamos ataques a manifestações políticas, sociais e culturais, como vimos recentemente na exposição Queermuseu, em Porto Alegre (RS).

Desse ponto de vista, reforçamos o nosso repúdio e exigimos a imediata investigação e punição aos autores dos disparos contra a caravana. Mais do que isso, consideramos que setores que tenham seu direito à liberdade de manifestação e expressão cerceado ou atacado tenham total direito à autodefesa, principalmente os setores do movimento de massas.