Hydro Alunorte e mineração na Amazônia: poluição, doenças e assassinatos

Foto Ascom/MPF

Na madrugada do último dia 12, Paulo Sérgio Almeida Nascimento, um dos diretores da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), foi morto a tiros. Foi o segundo assassinato envolvendo membros da associação em três meses. Em 22 dezembro de 2017, Fernando Pereira também foi executado. Outras lideranças comunitárias denunciam atentados e ameaças.

Todos denunciavam a mineradora norueguesa Hydro Alunorte, que ganhou os noticiários após o vazamento de rejeitos que atingiu a cidade de Barcarena (PA), próxima à capital Belém. A presidente da Cainquiama, Maria do Socorro, e outro dirigente tiveram de deixar a comunidade de Burajuba, em Barcarena, após um ataque à sede da Cainquiama em dezembro.

A mineradora norueguesa é uma das maiores empresas do setor de alumínio. O governo norueguês é o maior acionista e controla 34% das ações. Detalhe: em junho do ano passado, o governo norueguês anunciou que cortaria aproximadamente R$ 200 milhões dos recursos repassados para o Fundo Amazônia, que se dedica à preservação ambiental. Haja hipocrisia.

Criminosos
Não é de hoje que essa empresa vem agindo de maneira criminosa. Ela é alvo de quase 2 mil processos judiciais por contaminação de rios. Além disso, a empresa deve R$ 17 milhões em multas ao Ibama por conta de um vazamento ocorrido em 2009. Até agora, não se sabe o alcance do derramamento, mas igarapés, poços e os rios que fazem parte da bacia do Amazonas estão todos contaminados por metais pesados, como chumbo. Em 2015, pesquisadores da Universidade Federal do Pará coletaram fios de cabelo de 90 moradores, e 80% deles continham chumbo.

Em fevereiro, um relatório do Instituto Evandro Chagas provou que havia uma ligação clandestina liberando esses produtos, todos muito tóxicos. A mineradora negou, mas, diante das evidências, foi obrigada a admitir o duto clandestino. Na sequência, outras duas ligações clandestinas foram encontradas.

FORA JATENE!
O crime do governo do PSDB

O governo de Simão Jatene (PSDB) foi alertado inúmeras vezes a respeito dos crimes ambientais da mineradora. Recebeu diversos laudos do Instituto Evandro Chagas e sabia dos atentados e assassinatos de lideranças comunitárias que lutavam contra a mineradora. Não fez absolutamente nada. Logo após o primeiro vazamento, Jatene teve a cara de pau de culpar o excesso de chuvas pelos derramamentos da bacia de rejeitos da Hydro. Durante uma reunião com os técnicos ambientais, o governador do PSDB agarrou um violão e resolveu mostrar seus dotes artísticos. Um verdadeiro escárnio contra o povo e as vítimas da Hydro!

Na verdade, o picareta Jatene foi o principal incentivador das operações da Hydro em Barcarena. Concedeu benefícios fiscais para a empresa estimados em R$ 7,5 bilhões no período de 15 anos. Ou seja, a empresa não pagava impostos e ainda teve carta branca de Jatene para destruir a comunidade e detonar a população.

É preciso punir e prender todos os responsáveis por esse crime. Fora Jatene! Cadeia para os diretores executivos da Hydro e para o governador do PSDB, cuja campanha foi financiada pelas empreiteiras investigadas na Lava Jato.

Estatizar toda a mineração

Embora tenha atraído menos atenção da mídia, o vazamento de rejeitos tóxicos em Barcarena tem semelhança com o crime da mineradora Samarco, em Mariana (MG). Em 5 de novembro de 2015, um rompimento do tanque de rejeitos da Samarco matou 19 pessoas entre moradores do distrito de Bento Rodrigues e funcionários da empresa. As imagens da avalanche de lama tóxica chocaram e causaram comoção. Em Barcarena, a morte é mais silenciosa. É por contaminação de chumbo e por assassinatos de lideranças comunitárias.

O impacto, porém, é igualmente brutal. Revela a recolonização da economia brasileira, que sempre foi dependente, mas que, nas últimas décadas, pautou-se pela exportação de matérias-primas como minérios, soja, etanol etc., enquanto a produção de bens industrializados caiu. Essa recolonização do Brasil afeta os trabalhadores e a população não apenas na sua relação com o trabalho, mas também pelas práticas predatórias em relação à natureza e o saque das riquezas nacionais. E a Amazônia se tornou palco de rapinagem e devastação.

Atualmente, existem na Amazônia quase 53 mil zonas mineiras cobrindo uma área de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, ou 21% da superfície de toda a região. Metade das zonas de interesse mineiro está em fase de solicitação. A Guiana é o país com maior porcentagem de zonas mineiras, com 67,5% de seu território amazônico, seguido pelo Brasil com 27%. Quem atua nesse negócio são grandes mineradoras de capital estrangeiro.

É preciso pôr um fim nessa nova colonização do país e no saque aos nossos recursos. O primeiro passo é estatizar todas as mineradoras em funcionamento e colocá-las sob controle dos trabalhadores e das populações afetadas. Isso vai impedir o roubo dos recursos naturais e sua exploração predatória.

Publicado no Opinião Socialista nº 551