Nosso oito de março é negro, classista, internacionalista e feminista


Foto: Sérgio Koei

O oito de março em São Paulo juntou milhares de mulheres para denunciar os abusos do governo Dilma na reitrada dos direitos das mulheres trabalhadoras e para exigir 1% do PIB no combate a violência à mulher. 
 
Esse 8 de março foi especial porque não há como falar de feminismo e todas as consequências a que somos submetidas se tratarmos as mulheres de maneira abstrata, se assim o fizermos reproduziremos na luta contra o machismo o mito da democracia racial. Não existe mulheres em abstrato, mulheres assim compreendidas, em um país como nosso imerso no mito da democracia racial, serão sempre brancas. E que, sem dúvida, devem ter suas demandas colocadas e devem ser companheiras na luta contra o machismo e a exploração que nós trabalhadoras estamos submetidas.

No entanto, feminismo classista, principalmente em um país como nosso, deve ter a obrigação de ser negro, e de compreender a luta, a auto-organização e o protagonismo das mulheres negras, algo que vai muito além de compreender as estatísticas que nos colocam na situação da bárbarie. Passa por combater também o racismo no interior do movimento de mulheres, incorporando no seu programa, na sua ação e organização as bandeiras históricas das mulheres negras. Não é possível avançar na luta contra o machismo e o capitalismo sem combater o mito da democracia racial e sem entender que enquanto uma negra viver sob as condições que vivemos, nenhuma mulher branca trabalhadora poderá ser plenamente livre, muito menos um homem trabalhador.

Portanto, construir uma ação dessa natureza exige não reduzir as mulheres negras às estatísticas, as notas de rodapé, e sim, compreender que entre nós pulsa a resistência, a persistência, a teimosia típica de nossos ancestrais. Somos herdeiras de Dandaras, Acotirenes, Luizas, Carolinas, Anastácias, Cláudias, Beths e de todas as mulheres haitianas e africanas, e como tais, não podemos estar atrás, mas sempre a frente e marchando junto com as mulheres e homens trabalhadores em todo mundo. E Movimento Mulheres Em Luta, o Quilombo Raça e Classe – SP e a União Social dos Imigrantes Haitianos fizeram exatamente isso neste 8 de março.

 
Seguimos nossa luta até que todas haitianas sejam livres!
Seguimos nossa luta até que todas africanas sejam livres!
Seguimos nossa luta até que todas as mulheres sejam livres!
Seguimos até que a classe trabalhadora seja livre!
E é por isso que lutamos por uma sociedade socialista, sem machismo, racismo ou LGBTfobia!