No Rio, 400 pessoas participaram do lançamento da pré-candidatura


Samuel Tosta

Ato foi transmitido ao vivo pelo PortalCerca de 400 pessoas lotaram o auditório da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ para o ato de lançamento da pré-candidatura de Zé Maria no Rio. Entre os presentes, estavam trabalhadores e estudantes de diversas categorias, militantes e simpatizantes do partido e militantes do PSOL. Antes das falas, um breve vídeo com a biografia e trajetória de luta de Zé Maria foi exibido e bastante aplaudido ao final.

Os militantes Letícia Hastenreiter, da regional Niterói/São Gonçalo, e Miguel Malheiros, professor, coordenaram a mesa. Junto com Zé Maria, eles chamaram para fazer parte da mesa os militantes Cyro Garcia, Rafael Nunes, Vera Nepomuceno e Eduardo Henrique. Dirceu Travesso, bancário de São Paulo, dirigente do partido e da Conlutas, também esteve no ato.

Cyro Garcia, primeiro a falar, ressaltou a situação de opressão que vive hoje o povo negro e pobre do Rio. Ele denunciou a política de segurança do prefeito Eduardo Paes e do governador Sérgio Cabral, apoiado por Lula: “O que existe é uma política de chacina da juventude negra das comunidades carentes da nossa cidade”. Cyro destacou que os governos agem “para fazer a limpeza para as Olimpíadas e a Copa que aí vêm”, assassinando a população, inclusive crianças, cujo único crime que cometeram é ser pobre segundo ele.

Vera Nepomuceno afirmou: “hoje, a nossa presença aqui faz história”. “Nós somos ousados, queremos construir esta frente e vamos tentar convencer cada companheiro da base do PSOL e do PCB da necessidade desta frente. Não nos movimentamos pela nossa vaidade, mas pela necessidade da classe.” Ela concluiu convidando os presentes a entrarem no PSTU.

A fala de Zé Maria fechou o ato. Ele fez um breve balanço dos oito anos de governo Lula e Frente Popular e de como as esperanças dos trabalhadores não se comprovaram. Zé Maria destacou que a prioridade do governo tem sido os banqueiros e os empresários e não os trabalhadores. “A demagogia é o que explica as chamadas medidas sociais compensatórias”, disse sobre programas como o Bolsa Família e outros. Esses programas não visam acabar com a pobreza, mas “se destinam a servir como uma válvula de escape para os bolsões mais miseráveis”.

Zé Maria também falou sobre a crise e os efeitos sobre os trabalhadores. Afirmou que a crise não acabou e que é preciso construir alternativas dos trabalhadores. A burguesia, segundo ele, vai aproveitar as eleições para legitimar as saídas que já esta construindo, baseada no aumento da exploração, da pobreza, da miséria e da fome para retomar o crescimento de seu capital.

Entre outras coisas, Zé Maria também falou sobre o problema dos alimentos e da fome e dos privilégios para o agronegócio. Enquanto isso, sem-terra são perseguidos e assassinados. Defendeu, ainda, a campanha “O petróleo tem de ser nosso” e o preço dos combustíveis mais barato para a população.

O tema das opressões também foi parte de sua fala. Ele manifestou a necessidade e a possibilidade de construir uma sociedade sem a opressão de mulheres, negros e homossexuais.

Zé Maria demonstrou que é possível construir um mundo melhor para os trabalhadores, mas, para isso, “é preciso discutir um programa não abstrato, mas concreto, para agora”. Para implementar este programa, “há dinheiro, mas é necessário romper com o imperialismo, parar de pagar as dívidas interna e externa e parar de dar dinheiro para banqueiros”.

Na luta e nas eleições
Como em São Paulo, o debate sobre a Frente de Esquerda e a polêmica sobre o possível acordo entre PSOL e Marina Silva, foi tema do debate.

Representantes de correntes do PSOL falaram. Luciano, professor e militante do Bloco Resistência Socialista, que reúne correntes internas do PSOL que defendem a Frente de Esquerda, saudou a unidade entre a Conlutas e Intersindical e a construção de uma nova central para enfrentar o governo e defender os trabalhadores.

Ele defendeu a frente: “Para nós, a eleição não é uma prioridade, a prioridade é a aliança do dia-a-dia”. Luciano afirmou que existe uma disputa dentro do PSOL “por um programa classista e pela independência financeira”. Ele denunciou a postura do MES, corrente da deputada Luciana Genro, que aceitou dinheiro da Gerdau nas últimas eleições municipais.

Quanto à Heloísa Helena, disse que seria importante sua candidatura, mas não sem um programa. Para ele, é fundamental reeditar a aliança de 2006 sem Marina Silva. Luciano acredita que é positiva a pré-candidatura de Zé Maria para pressionar setores do PSOL que ainda tem dúvidas.

Uma representante do grupo Reage Socialista – Coletivo Fundador também defendeu a unidade. Ela falou que era um orgulho participar do ato. “Para nós é extremamente importante esta candidatura, disse.

Zé Maria criticou e denunciou duramente Marina Silva. Lembrou que ela, recentemente, defendeu a manutenção do mesmo modelo aplicado por FHC e Lula. Sequer a defesa do meio-ambiente” é parte do programa da ex-ministra de Lula. Zé Maria questionou as políticas implementadas quando ela era ministra do Meio Ambiente: a entrega da floresta amazônica, a aprovação dos transgênicos, a transposição do rio São Francisco.

“A melhor forma que a esquerda social tem para se apresentar nesse processo eleitoral seria numa frente de esquerda”, afirmou. A frente tem sido proposta há meses ao PSOL e ao PCB para defender um programa socialista para os trabalhadores, uma frente que tenha independência dos partidos da burguesia e financeira.

Infelizmente, Zé Maria lembrou que a movimentação da direção do PSOL tem sido no sentido oposto: de apoiar Marina Silva. “Nós seguimos achando que esta é a melhor forma de a esquerda socialista cumprir a sua obrigação”, disse.

O pré-candidato do PSTU chamou os lutadores a cerrar “fileiras mais uma vez, para fazermos frente a esta tarefa que é grande para nossas forças, mas nos podemos enfrentá-la”.

Aos companheiros e companheiras de outras organizações presentes, agradeceu a presença e disse que o desafio de apresentar uma alternativa classista e socialista não é uma tarefa fácil, mas que “o PSTU vai assumir esta tarefa e, se não sair a frente, quer fazer isso com cada companheiro e companheira que, mesmo não sendo do nosso partido, queiram assumir esta tarefa”.

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