No Conat, grevistas da Educação discutem unificação das lutas

Santa Catarina e Rio de Janeiro levam 218 delegados da Educação ao ConatUma das resoluções aprovadas no Conat foi a de buscar a unificação das campanhas salariais das categorias, enfrentando o governismo e construindo uma alternativa pela base para que essas mobilizações não sejam derrotadas. Essa unificação é decisiva para os trabalhadores da Educação, que neste momento estão em luta ou acabaram de viver greves em diversos estados.

No Rio de Janeiro, a educação estadual no Rio de Janeiro parou por 42 dias, nos meses de março e abril, em todo o Estado. A maior greve do setor durante o governo Lula atingiu o ensino fundamental, médio, técnico e superior. Apesar do fim da greve no SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação) outros setores ainda permanecem parados.

“Mais uma vez, a CUT mostrou sua ausência e seu atrelamento ao governo”, afirmou Perciliana Rodrigues, do Sintuperj (Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do RJ). Segundo Gualberto Tinoco, o “Pitéu”, do SEPE, explicou: “perdemos a entidade que nos unificava, que era a CUT, e a Conlutas é a única forma de preencher essa lacuna”.

Na opinião dos sindicalistas, a Conlutas já cumpre essa função de unir e fortalecer a luta dos trabalhadores. Carlos Serrano, do SEPE, afirmou que a participação da Conlutas na greve estadual teve grande importância porque articulou os sindicatos em luta. No Rio, quase todos os sindicatos da educação em greve estão ligados à Conlutas.

Grevistas no Conat
Juntos, o Sintuperj, a APE-Faetec (escolas técnicas) e o SEPE-RJ levaram 124 delegados ao Conat, sendo 89 somente do SEPE-RJ.

Para Perciliana, do Sintuperj, o Conat teve duas funções: consolidar e reafirmar a mobilização da categoria e mostrar a capacidade que os trabalhadores têm de responder aos ataques que por parte dos governos. No Rio de Janeiro, os servidores estaduais se enfrentam diretamente com o governo de Rosinha Matheus (PMDB) que, segundo a sindicalista, “possui um caráter populista, por um lado, e reprime fortemente os movimentos sociais, por outro”.

Exemplo dessa repressão aconteceu na manifestação realizada na Assembléia Legislativa (Alerj), no dia 26 de abril. Os policiais agrediram covardemente os grevistas quando eles se retiravam da Alerj, atacando mulheres e idosos e deixando 11 pessoas feridas.

Greve pela base
De Santa Catarina, os professores estaduais em greve levaram 94 delegados ao Conat. Segundo Marcelo Serafim, diretor do SINTE-SC (Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Santa Catarina), a greve da categoria começou radicalizada. No dia 30 de março, foi realizado um grande ato na Avenida Curitibanos, em Florianópolis. Em 07 de abril, os professores ocuparam o prédio da Secretaria de Educação e, no dia 26, pouco antes de viajarem ao Conat, os grevistas paralisaram rapidamente as duas pontes da Ilha de Florianópolis, atacando o governo estadual naquele que é o seu ponto de honra.

Na avaliação de Marcelo, a greve tende a se fortalecer ainda mais, por estar sendo gestada pela base, em muitos casos antes mesmo de o Comando de Greve visitar as escolas. Para Danilo Ledra, também do SINTE-SC, o “Conat foi um passo importante na organização da classe trabalhadora sob um perspectiva realmente de esquerda e de luta”.

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    Servidores em greve são agredidos na Assembléia Legislativa do Rio
    [ 27/4/2006 ]

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