A necessidade da revolução socialista para acabar com o racismo

Massacre de Shaperville, em 1960

Em 21 de março o massacre de Shaperville na África do Sul faz 58 anos

Foi em 1960, mais precisamente no dia 21 de março. A África do Sul vivia sob o regime do apartheid (separação entre negros e brancos). Não suportando mais tanta humilhação, 20 mil negros protestaram contra a Lei do Passe, que determinava os locais por onde deveriam transitar. O exército foi implacável. Dispararam contra a multidão deixando 69 pessoas mortas e 186 feridos. O país se incendiou e a notícia correu o mundo. Em 1960, a ONU transformou a data do massacre, que ocorreu na cidade de Sheperville, no Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

Somente em 1991, porém, as leis do apartheid foram abolidas. Nelson Mandela deixava de ser preso político para ser eleito presidente da República em 1993 pelo CNA (Congresso Nacional Africano), partido que até hoje está no poder.

Massacre de Marikana, em 2012

Caiu o regime mas não o sistema capitalista
Com Mandela no poder, o imperialismo perdeu os anéis (já que o apartheid caiu), mas manteve os dedos (o capitalismo se manteve). O CNA preservou a grande propriedade privada, não fez reforma agrária, não nacionalizou os bancos e sequer suspendeu a dívida externa. As desigualdades de raça e classe permaneceram quase intactas. Apenas a burguesia negra que era 3% passou a ser 19%, mas quase 100% dos despossuídos no país continuam sendo negros.

Em 2012, 34 grevistas foram mortos pela polícia do presidente Zuma do CNA na mina de platina, na cidade de Marikana. E para conter uma reação popular que se desencadeou pelo país, a polícia do CNA assassinou mais de 60 pessoas. Esse massacre relembrou Sheperville de 1960.

Por ironia da história, no dia 15 de março deste ano, quando acontecia a primeira audiência para apurar o massacre de Marikana, Zuma renunciou ao cargo em meio a denúncias de corrupção e uma profunda crise dentro do CNA. Já o novo presidente, Cyril Ramaphosa, é acusado ter pressionado a polícia a abater os mineiros. Na época, ele era diretor da empresa responsável pela exploração da mina.

Hoje muitas organizações e lideranças que lutaram pela descolonização do continente africano são burgueses corruptos e sanguinários. Isso se explica pela opção que fizeram em preservar o capitalismo, e qualquer semelhança com o PT brasileiro não é mera coincidência.

Todo o continente africano está pagando um preço muito alto pelas traições dos stalinistas, dos reformistas e dos pan-africanistas. O lema “a África para os Africanos” está mostrando todos os seus limites de classe.  Está mostrando também que não possível eliminar o racismo e libertar a África da dominação imperialista sem uma revolução socialista que destrua com a grande propriedade privada e coloque as riquezas produzidas para resolver os graves problemas dos trabalhadores.

Hertz é pré-candidato a vice-presidente do PSTU