Bolsonaro: Um candidato contra os trabalhadores e trabalhadoras

Brasília - Deputado Jair Bolsonaro fala com a imprensa sobre ter virado réu no STF, pela sua declaração que "Não estupraria Maria do Rosário porque ela não merece" (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Valente com os oprimidos, servil e covarde com os poderosos

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) tem figurado em segundo lugar nas pesquisas de opinião para as eleições presidenciais deste ano. Tem em torno de 20% das preferências entre os que manifestam seu voto, sendo superado apenas por Lula.

Uma parte de seus apoiadores, aqueles que o consideram um “mito”, é formada por indivíduos totalmente reacionários que pregam a volta ao regime militar, defendem a tortura e o assassinato de opositores políticos e admiram torturadores.

Um grande número dos que declaram apoio a Bolsonaro, no entanto, são trabalhadores, principalmente jovens. Este setor tem outras razões para apoiar o deputado. A maioria era muito jovem ou nasceu depois que a ditadura militar acabou. Nem mesmo são conscientemente de direita. Pensam que o deputado “fala a verdade”, “é corajoso”, “vai acabar com os políticos corruptos”, “vai matar os bandidos” e, principalmente, “vai colocar ordem e acabar com a bandalheira que existe no país”.

É errado tratar esses trabalhadores que apoiam Bolsonaro com insultos tais como “fascistas”, “direitistas”, “bolsominions” ou coisa parecida. Não é certo que os 20% de eleitores que manifestam sua intenção de votar no candidato são todos fascistas que querem a volta da ditadura militar.

Parte importante deste apoio vem de trabalhadores que são levados ao desespero pela crise econômica, o desemprego e, principalmente, a violência gerada pela crise social. Essa exasperação se agrava quando confrontada com as crescentes denúncias de corrupção dos políticos e da ação de empresários corruptores.

Diante da enorme crise econômica, social, política e moral do sistema capitalista em nosso país, muitos trabalhadores pensam que a única solução seria adotar medidas radicais que varram o sistema político brasileiro e se inclinam por um líder “forte” que ponha ordem no caos instalado no país. É desse sentimento que nascem as ilusões em Bolsonaro. Mas aqui existem pelo menos dois problemas: por um lado, Bolsonaro é uma farsa. Não é um político contra tudo o que está aí, ao contrário. Por outro, todas as medidas que propõe são contra os mesmos trabalhadores e pobres que o admiram.

 

Um velho político podre como todos

Brasília – Os deputados Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro falam com a imprensa (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A primeira coisa que precisa ser desmascarada é a ideia de que Bolsonaro seria um líder diferente dos políticos corruptos, que são a maioria absoluta no país, e que se chegar à presidência irá varrer a corrupção e mudar a política no Brasil.

Nada mais falso: Bolsonaro é deputado federal desde fevereiro de 1991, ou seja, há 27 anos. Está no seu sétimo mandato. Neste período, nunca se enfrentou ou denunciou outros políticos. Ao contrário, foi filiado a oito partidos, entre os quais alguns dos mais corruptos do país como o PP de Paulo Maluf, o PTB de Roberto Jefferson do mensalão, o PFL (atual DEM) de Rodrigo Maia e o PR. Ou seja, é farinha do mesmo saco.

Além disso, como todos os políticos, Bolsonaro se beneficiou enormemente desse sistema. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo (07/01/2018), até 2008, o parlamentar e seus filhos declaravam um patrimônio de cerca de um milhão de reais, que foi multiplicado até atingir 15 milhões de reais em 2017, valor dos atuais 13 imóveis de propriedade da família adquiridos nos últimos 10 anos. Os bens dos Bolsonaro incluem carros, que vão de 45 mil a 105 mil reais, e uma aplicação financeira no valor de 1,7 milhão.

O salário líquido do deputado é de cerca de 25 mil reais líquidos e o seu soldo como militar é de 5.700 reais brutos. Não é preciso dizer que com esse salário seria impossível acumular esse patrimônio em 10 anos.

Bolsonaro também recebeu financiamento das mesmas empresas que corrompem centenas de políticos no país inteiro. O caso mais escandaloso foi o recebimento de 200 mil reais da JBS para sua campanha eleitoral de 2014. A conclusão é óbvia: o deputado não quer nem vai atuar contra um sistema político do qual ele e seus três filhos vêm se beneficiando há quase três décadas.

Bolsonaro não tem nada de nacionalista
Muitos pensam que o candidato é um nacionalista que defenderia as empresas estatais e os recursos naturais do país. Totalmente falso. Bolsonaro tem apoiado medidas econômicas liberais. Votou na abertura do Pré-sal, afirmou que o “livre mercado é a mãe da liberdade” e, em uma entrevista, disse que “deve ser privatizado o máximo que puder“.

O economista Paulo Guedes, seu principal assessor econômico e que será nomeado ministro da Fazenda caso o candidato seja eleito, já declarou que o plano de governo é vender todas as empresas estatais sem exceção e utilizar o dinheiro para pagar a dívida pública ao capital financeiro.

Em resumo, o candidato será mais um político a se somar aos que pretendem entregar todo o patrimônio e as riquezas do país às grandes empresas multinacionais para que estas saqueiem e explorem tudo o que puderem.

 

Um candidato contra os trabalhadores e trabalhadoras

As maiores evidências de que Bolsonaro é um candidato contra os trabalhadores e os setores pobres são as suas posições a favor das leis propostas pelo governo Temer e aprovadas pelo Congresso, que retiram direitos e conquistas históricas dos trabalhadores.

Jair Bolsonaro (o pai) e Eduardo Bolsonaro (o filho) votaram a favor da reforma trabalhista. Eduardo Bolsonaro votou a favor da lei que autoriza a terceirização de qualquer setor das empresas, inclusive suas atividades-fim, e Jair Bolsonaro se absteve.

Bolsonaro mostra seu profundo ódio aos trabalhadores quando fala sobre os direitos das mulheres a um salário igual. Em entrevista ao jornal Zero Hora (10/12/2014), o deputado afirmou: “eu tenho pena do empresário no Brasil, porque é uma desgraça você ser patrão no nosso país, com tantos direitos trabalhistas. Entre um homem e uma mulher jovem, o que o empresário pensa? ‘Poxa, essa mulher tá com aliança no dedo, daqui a pouco engravida, seis meses de licença-maternidade…’. Bonito pra c…, pra c…! Quem que vai pagar a conta? O empregador. No final, ele abate no INSS, mas quebrou o ritmo de trabalho. Quando ela voltar, vai ter mais um mês de férias, ou seja, ela trabalhou cinco meses em um ano.

Para ele, é correto que uma mulher receba menos que um homem: “Por isso que o cara paga menos para a mulher! É muito fácil eu, que sou empregado, falar que é injusto, que tem que pagar salário igual. Só que o cara que está produzindo, com todos os encargos trabalhistas, perde produtividade. O produto dele vai ser posto mais caro na rua, ele vai ser quebrado pelo cara da esquina. Eu sou um liberal, se eu quero empregar você na minha empresa ganhando R$ 2 mil por mês e a Dona Maria ganhando R$ 1,5 mil, se a Dona Maria não quiser ganhar isso, que procure outro emprego! O patrão sou eu.

Racismo, machismo e homofobia a serviço da divisão dos trabalhadores
Bolsonaro se caracteriza por ser um político racista, que ataca negros, quilombolas e índios, que chamou de “fedorentos, não educados e não falantes de nossa língua“. A uma liderança indígena ele disse que “devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens“. Chamou os imigrantes, como os haitianos, senegaleses, bolivianos e sírios, de “escória” do mundo. Ataca sistematicamente as mulheres, chegando a dizer que a deputada Maria do Rosário do PT não “merecia ser estuprada”. Agride verbalmente e humilha sistematicamente os setores LGBT, defendendo inclusive agressões físicas aos mesmos: “se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater”, declarou.

Esse comportamento odioso não só revela a falta de caráter moral desse homem repulsivo, mas principalmente revela um objetivo político: dividir os trabalhadores e setores pobres, jogando-os uns contra os outros. Essa é uma tática consciente que tem o objetivo de facilitar a dominação de classe dos donos do dinheiro e do poder.

Imagine-se uma empresa em que os trabalhadores brancos vivessem insultando e atacando as mulheres, os negros, LGBT’s e eventualmente imigrantes ou indígenas que aí trabalhassem. Seria impossível não só uma greve unitária ou uma luta qualquer em defesa dos direitos comuns a todos, mas até mesmo a simples convivência.

É essa divisão que a burguesia fomenta todos os dias para evitar que os trabalhadores se unam e ganhem uma força invencível. Bolsonaro serve a esse objetivo tratando de estimular preconceitos e ódio entre setores da mesma classe trabalhadora.

Valente: contra mulheres, negros, indígenas e LGBT’s. Manso com os poderosos

Valente com os oprimidos, servil e covarde com os poderosos

Por fim, é preciso desmontar um último mito: o do Bolsonaro valente e destemido que propõe que as PM’s matem muito mais do que atualmente. Para se ter uma ideia da falsidade desta lenda é só ver a quem o deputado admira. No momento da declaração de voto por ocasião do impeachment da presidente Dilma, Bolsonaro fez uma homenagem ao conhecido torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-CODI, órgão de repressão da ditadura.

Bolsonaro repetidamente defende a tortura e os torturadores. Não é de admirar. Os torturadores, além de serem evidentemente aberrações humanas, porque só um ser degenerado se presta a este tipo de ação, são reconhecidamente os mais covardes servidores militares do Estado. Não são valentes soldados que enfrentam os inimigos. Ao contrário, torturam prisioneiros amarrados que não podem se defender, inclusive crianças. São estupradores de mulheres e homens.

Os torturadores dos órgãos de repressão foram a escória humana que a Ditadura militar recrutou para fazer o trabalho sujo de reprimir seus opositores. Ustra, o herói de Bolsonaro, foi um deles. Que Bolsonaro homenageie seu ídolo em um dos momentos de mais evidência, o impeachment, mostra qual é o seu conceito de “coragem”: torturar prisioneiros indefesos. Covarde como seu mentor.

Bolsonaro é um candidato contra a classe trabalhadora e os setores oprimidos, a favor dos grandes empresários e banqueiros, submisso às multinacionais e um político corrupto como os outros. Não deve ter o apoio de nenhum trabalhador consciente.