Ministro da Educação, Abraham Weintraub. Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Natália Damaceno, da PUC-Campinas e do Rebeldia

O mundo vive agora uma pandemia mundial que a cada dia tem ceifado a vida de milhares de pessoas, principalmente as pobres e trabalhadores que, como temos acompanhado, não tem condições de ter um tratamento adequado quando infectados, ou de se prevenir com medidas de higiene básica. O sentimento geral é de desespero, insegurança com o futuro e revolta, muita revolta.

Em um momento como este, já ficou claro que aqueles que estão no poder e que estão, diga-se de passagem, em suas mansões, protegidos e com suas necessidades garantidas, tem aproveitado o momento de evasão social dos principais locais físicos e políticos da cidade para sancionar ataques em diversas áreas: saúde, direitos trabalhistas, direitos das mulheres e educação.

Somente na educação, além da falácia do EaD que tem gerado inúmeras críticas por especialistas da educação pública e estudantes de todo o país, secundaristas ou universitários, há o grande ataque à ciência brasileira como um todo com a nova medida catastrófica de Bolsonaro de corte de bolsas de pesquisa para a área das ciências humanas no CNPq ( Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico).

Isso mesmo: no último dia 24, foi publicada uma portaria  do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI) que anunciou a exclusão de bolsas de pesquisa para a área de Ciências Humanas (Política, Antropologia, Sociologia, História e Ciências Sociais no geral) por não ser considerada uma área de “prioridade de pesquisa” no momento, até o ano e 2023. Esse novo ataque de Bolsonaro vem de uma política obscurantista e retrógrada que sempre acompanhou esse governo desde seu início. Não é à toa que uma das suas bases de apoio é Olavo de Carvalho que divulga pseudoteorias como a da terra plana em pleno século XXI.

Bolsonaro e o ministro da Educação escolheram desvalorizar, precarizar e privatizar a educação pública. Além de ambos serem contra qualquer tipo de desenvolvimento cientifico. É o que se vê tanto através das declarações deles (vide as bizarras declarações que dá o ministro em seu twitter) como nos cortes que vem fazendo antes e durante a pandemia.

Esta portaria representa um ataque enorme para as Ciências Humanas e devemos lutar pela revogação imediata da mesma. É um absurdo que o governo ataque os direitos dos estudantes em meio à pandemia! O governo justifica que “existe um marxismo cultural” nas escolas e universidades brasileiras, e com essa justificativa fazem cortes como esse da CNPQ! Na verdade, convidamos Bolsonaro e o ministro a irem, por exemplo, às escolas públicas ao redor do país, para verem qual é de fato a situação das escolas, que em sua maioria é de forte precarização.

É por isso e outros diversos motivos que devemos lutar contra os ataques que a educação vem sofrendo nesse período de pandemia. É preciso também dizer fora Weintraub, Bolsonaro e Mourão, inimigos dos estudantes e dos trabalhadores!