Movimento Negro tem que exigir estatização de verdade e cotas nas universidades públicas

A proposta do governo de oferecer as vagas compradas nas faculdades particulares a estudantes de baixa renda, negros, indígenas, deficientes físicos e ex-presidiários vem gerando uma grande ilusão no movimento negro e nos setores mais pobres da população de que agora será possível “o povo” entrar na universidade.

Nada mais falso. O dinheiro que o governo dá aos tubarões do ensino, ele tira dos negros e pobres em geral. Somente uma pequena parcela das vagas terá bolsa integral, o restante serão bolsas parciais e financiamento estudantil a serem restituídas, com juros, após a conclusão do curso.

Assim, o governo joga os negros nas piores faculdades (impossibilitando-os de entrar em uma universidade pública); enterra o debate de cotas, que ganhou grande peso em várias universidades públicas, favorecendo os tubarões do ensino.
O movimento negro precisa se posicionar contra esta manobra do governo, exigir estatização de fato das faculdades privadas sem indenização aos donos de escola, e um programa nacional de cotas nas universidades públicas. Somente assim iniciaremos a inclusão de fato de negros e negras nas universidades brasileiras.

Post author José Erinaldo Júnior, Diretor de Universidades Pagas da UNE e do Movimento Ruptura Socialista
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