Movimento Mulheres em Luta defende 8 de Março classista e feminista

Leia abaixo o nanifesto nacional“Nós do Movimento Mulheres em Luta/Conlutas, fazemos um chamado a todas as trabalhadoras e organizações feministas, para juntas, com o conjunto da classe trabalhadora, construirmos um 8 de Março classista, de luta contra o machismo e a exploração, contra os patrões e governos.

Neste 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, é fundamental que estejamos unidas enquanto mulheres e trabalhadoras, resgatando o sentido histórico de nossa luta contra o machismo, os patrões e governos, lutando contra a opressão machista, que nos violenta cotidianamente e contra a exploração que recai sobre nós mulheres de forma mais profunda. É preciso deixar claro para o conjunto das mulheres trabalhadoras que para conquistarmos o fim do machismo e da exploração, para destruirmos as relações capitalistas é necessário que nossa luta seja direcionada aos nossos inimigos de classe: aos patrões e aos governos. Vivemos hoje uma crise econômica a nível mundial, que demonstra suas conseqüências através do desemprego, da retirada de direitos, do aumento do ritmo de trabalho e da ampla transferência de dinheiro público para os empresários e banqueiros.

A política do imperialismo para os trabalhadores do mundo todo pode ser comprovada pela situação que vive hoje o povo haitiano. A catástrofe natural que atingiu este país, de dimensões assustadoras, que seria destruidora em qualquer parte, ocorreu num dos países mais pobres do mundo. Antes mesmo do terremoto, 80% dos haitianos viviam abaixo do limiar da pobreza. Mais de 70% da população vivia com menos de 2 dólares por dia e 56%, com menos de 1 dólar. 1/3 da população dependia da ajuda alimentar para sobreviver. Apenas 30% dos haitianos tinham acesso à rede pública de saúde. A situação de extrema pobreza no Haiti é produto de dois séculos de intensa exploração por diversas potencias imperialistas.

Mais recentemente, desde 2004, o Haiti foi ocupado pelas forças da ONU. Atualmente as forças de ocupação da ONU (Minustah) são dirigidas pelo Brasil, que assim ajuda os EUA a manterem os seus interesses na região.

As tropas da Minustah têm servido não para ajudar a trazer a paz e melhoria social ao Haiti, mas, ao contrário, para garantir os grandes lucros das multinacionais das principais potências imperialistas, principalmente dos EUA, que conseguem grandes lucros à custa de trabalho quase escravo.

O recente terremoto, ao contrário do que diz a propaganda oficial, demonstra da forma mais explícita e cruel que, cinco anos de ocupação militar não serviram para dotar o país de mais infra-estrutura ou melhores condições de vida. Ao contrário, o desastre natural desnudou a catástrofe social que é a vida no Haiti.

Precisamos nos organizar enquanto mulheres, e trazer conosco nossos aliados, os trabalhadores que são os únicos capazes de junto conosco combater a exploração, para lutarmos pela conquista de nossos direitos, pois a opressão serve para manter e reproduzir a exploração sobre homens e mulheres da classe trabalhadora. É imprescindível dizer em alto e bom som que não há capitalismo sem machismo, assim como não é possível acabar com o machismo sob o capitalismo. Isso é resgatar o caráter histórico do 8 de Março, proposto no II Congresso Internacional das Mulheres Socialistas por Clara Zetkin!

Nós não podemos abandonar a luta da mulher trabalhadora, e nem romper com a nossa história de luta. Por isso, convidamos todas as organizações feministas, sindicais, estudantis e populares, todas as trabalhadoras e estudantes, para junto com toda a classe trabalhadora, construir um 08 de março que se enfrente diretamente contra os governos e patrões, contra o machismo e a exploração.

Por um 8 de Março classista e feminista, nós do Movimento Mulheres em Luta – Conlutas fazemos um chamado a todas as trabalhadoras e organizações feministas, para juntas, com o conjunto da classe trabalhadora, construirmos um 8 de Março classista, de luta contra o machismo e a exploração, contra os patrões e governos.

– Por creches em período integral para todas e todos.
– Pela imediata ampliação da licença maternidade para seis meses, obrigatória e sem isenção fiscal.
– Por salário igual para trabalho igual
– Pelo pleno emprego para as mulheres na cidade, pela garantia de trabalho digno para a mulher camponesa
– Pela descriminalização e legalização do aborto, garantido na rede pública de saúde, com distribuição gratuita de todos os métodos contraceptivos
– Pela construção de postos de saúde e hospitais em todos os bairros da periferia, com número adequado de profissionais para atender à demanda
– Pelo fim da violência sofrida pelas mulheres
– Pelo direito a moradia
– Contra o preconceito de raça, nacionalidade e orientação sexual
– Solidariedade dos trabalhadores de todo o mundo com o povo haitiano
– Fora a Minustah e a ocupação militar do Haiti
– Exigimos do governo brasileiro a retirada das tropas do país e transformação de seus gastos em uma verdadeira ajuda humanitária

Movimento Mulheres em Luta / Conlutas