Barragem em Pará de Minas Foto: Prefeitura

Depois do estado da Bahia, agora são centenas de cidades em Minas Gerais que também enfrentam o caos após fortes chuvas que caem nos últimos dias. Há 154 municípios no estado estão em situação de emergência.

Em Pará de Minas, há risco iminente de rompimento da barragem hidrelétrica da Usina do Carioca e a população que reside na cidade e municípios vivinhos foi orientada a evacuar suas casas. De acordo o Corpo de Bombeiros, “tem água vertendo por cima e dos lados” da represa, que pertence à empresa Santanense.

Também neste final de semana, um dique transbordou e interditou a rodovia BR-040 na região do município de Nova Lima. Segundo os bombeiros, a estrutura de contenção da Barragem da Mina de Pau Branco, de propriedade da fabricante de tubos Vallourec, não suportou o grande volume de água das chuvas. Nas redes sociais, vídeo mostrou que a estrada se transformou num rio de lama.

A Justiça impôs à Vallourec uma série de medidas para conter os danos do transbordamento. A decisão judicial suspendeu as atividades da empresa no local e o Ministério Público pediu o bloqueio de R$ 1 bilhão, cobrando providências para “conter os danos ambientais e sociais” causados pelo vazamento.

Segundo a Defesa Civil, há cerca de 13 mil pessoas desalojadas e mais de 3 mil desabrigados no estado mineiro. São 19 vítimas fatais registradas, incluindo dez óbitos provocados pela queda de uma rocha em Capitólio, neste domingo.

Como na Bahia, a população sofre com inundações, deslizamentos de terra, queda de pontes e interdições em estradas. Milhares de pessoas estão perdendo todos seus pertences em situações tristes e dramáticas.

Enquanto tudo isso ocorre, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, escolhido por Bolsonaro para representar o governo federal no apoio às famílias vítimas das chuvas, entrou em férias desde a última quarta-feira (5).

Chuvas e problemas históricos

Em sete regiões de Belo Horizonte, nos últimos dez dias, choveu mais do que o esperado para o mês inteiro, de acordo com boletins meteorológicos. E a previsão é de mais chuvas nos próximos dias. A Bahia, apesar da redução no volume das chuvas, os estragos ainda são sentidos pela população.

O Brasil vive a típica temporada de chuvas neste período do ano, mas o fato é que a destruição vista, como destacam especialistas, não tem a ver apenas com a natureza, mas com problemas estruturais e históricos que os governos costumam, ano após ano, a tratar com descaso.

Em Capitólio, por exemplo, em que 10 pessoas morreram após a queda de parte do cânion no lago de Furnas, neste domingo, a ação das chuvas e de trombas d´água na região teriam precipitado o desprendimento da pedra. Entretanto, vários especialistas em geologia e engenharia alertam que tragédias não ocorrem de uma hora para outra e poderiam ser evitadas com estudos geológicos, combate ao turismo predatório e fiscalização. Mas, até agora, o que vemos são as autoridades se esquivando da responsabilidade.

O estado de barragens no país é outra situação alarmante e que a história já mostrou as consequências do descaso de empresas e governos. O rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, em 2019, é o exemplo mais dramático.  Segundo boletim da Agência Nacional de Mineração, em dezembro de 2021, o país tinha 40 barragens em nível de emergência. Destas, três estão em nível 3, classificadas como situação de “ruptura iminente ou em curso”. Ficam em MG e são de propriedade da Vale: B3/B4 (Nova Lima), Forquilha III (Ouro Preto) e Sul Superior (Barão de Cocais).

Falta de investimentos

Medidas preventivas, como políticas habitacionais para a construção de moradias, regularização de bairros, investimentos em infraestrutura e sistemas de prevenção poderiam evitar ou minimizar a ação de acontecimentos naturais como as chuvas. Porém, não é essa a política permanentes dos governos. Segundo o jornal O Globo, o orçamento federal para ações relacionadas a desastres teve queda de 75% em 2021.

Isso sem falar, que para favorecer os negócios de mineradoras ou conglomerados turísticos, por exemplo, os governos fecham os olhos para ações predatórias sobre a natureza que agravam a situação para esses momentos de tragédia. Ou ainda, no contexto de mudanças climáticas em todo o planeta que também propiciam cada vez mais eventos extremos.

O fato é que, ano após ano, mesmo quando não ocorrem fenômenos mais extremos, o que se vê na temporada de chuvas são tragédias em razão de deslizamentos e alagamentos que atingem principalmente os mais pobres e vulneráveis.

CSP-Conlutas articula solidariedade

A direção estadual da CSP-Conlutas em Minas Geral agendou para esta terça-feira (11) uma reunião para discutir a campanha de solidariedade às vítimas das chuvas no estado, bem como a 3ª Romaria pela Ecologia Integral que acontecerá de 20 a 27 de janeiro para marcar os três anos do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG).