Altino Prazeres, Coordenador Geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, membro da direção da CSP Conlutas e dirigente do PSTU São Paulo

É correta a decisão da categoria metroviária de realizar greve diante do desrespeito e intransigência de Doria e da direção do Metrô. Ao longo de toda a pandemia, nós, metroviários, estamos na linha de frente. Perdemos amigos, familiares, colegas de trabalho. E neste cenário, o governo nos enxerga como números, atacando direitos, dias depois de entregar bilhões para a CCR – um verdadeiro absurdo.

A campanha salarial foi marcada pela intransigência e falta de sensibilidade por parte dos gestores. Desde o início de abril, tentamos iniciar as negociações, porém, a empresa somente aceitou “negociar” ao fim do referido mês, com a condição de retirada de direitos e ataque às condições de vida dos trabalhadores.

Num país cuja somatória das fortunas dos bilionários equivale ao PIB do Chile e que o número dessa seleta lista aumentou 71%. Em um estado que transfere bilhões para o metrô privado (CCR) e prevê 15,8 bilhões em isenções fiscais para as grandes empresas,  não há justificativa aceitável para não repor perdas salariais, quando a inflação é galopante e estamos em meio à pandemia. Vale lembrar que a tarifa paga pelo usuário segue altíssima.

Altino Prazeres, coordenador geral do Sindicato dos Metroviários de SP e militante do PSTU         |       Foto: Tácito Chimato

Nós, que nos expusemos todos os dias no último ano, mostramos disposição de negociação e chegamos, inclusive, a adiar a greve marcada para semana passada. Porém, a resposta obtida foi intransigência e desrespeito, a ponto da direção do Metrô simplesmente não comparecer à audiência de conciliação agendada para última terça (18), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), horas antes da assembleia que decidiria sobre a  greve.

Sem diálogo, a única alternativa para defender nossas condições de vida e nossos direitos foi a paralisação das atividades.  Sabemos que isso impacta a população. Em alternativa, temos duas propostas ao governo: que atenda nossas reivindicações ou no mínimo libere as catracas enquanto durarem as negociações que voltamos aos postos de trabalho.

As nossas reivindicações são as mesmas do povo trabalhador.

– Nenhum direito a menos! Manutenção do acordo coletivo!
– Reposição das perdas salariais!
– Reposição dos adicionais retirados pela privatização!
– Trabalho igual, salário igual! Equiparação para todos os cargos! Pagamento dos steps!
– Pagamento da participação nos lucros (PR) atrasadas, referente a 2019 e 2020!
– Reincorporação dos demitidos injustamente!
– Contra a privatização, em defesa do transporte público de qualidade!
– Vacina para Todos!

Nossa luta é em defesa do metrô público e estatal de qualidade. Queremos vacina para todos e todas já e o fim das contaminações no transporte público.  Estamos contra a tarifa exorbitante que é paga pelos usuários e pela manutenção de nossos direitos. O que nos move é  a certeza de que não queremos que ninguém morra de fome ou do vírus!