Mesmo com queda na economia, grandes empresas seguem lucrando muito


Economia brasileira caminha para a recessão, mas os lucros das grandes empresas e bancos seguem exorbitantes

Em algumas semanas, será anunciado o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do 2º trimestre de 2015. E é muito provável que economia brasileira entre oficialmente em recessão – nome que os economistas escolheram para analisar a economia de um determinado país com um desempenho negativo em seu crescimento durante dois trimestres seguidos.

Depois da estagnação econômica durante o ano de 2014 (apenas 0,1% de crescimento), já houve uma pequena queda de 0,2% no PIB do 1º trimestre desse ano. Agora novamente todas as estimativas para o 2º trimestre apontam outra queda, inclusive podendo ser mais profunda. As avaliações do FMI e do próprio Banco Central brasileiro já indicam que o PIB pode recuar em até 1,5% durante o ano de 2015.

Puxando a retração na economia nacional novamente aparece a indústria de transformação. Na avaliação do IBGE, nos primeiros 5 meses de 2015, dos 14 estados pesquisados, em 11 foram identificados resultados negativos no setor industrial. E os piores desempenhos foram em: Amazonas (-17,3%); Rio Grande do Sul (-11,5%); Bahia (-10,9%); Ceará (-9,4%); Paraná (-8,8%); e São Paulo (-8,6%).

Umas das conseqüências mais sentidas na atual situação de queda em nossa economia é a volta do crescimento do desemprego, que já chegou ao índice de 8,1%, segundo o IBGE (cálculo que deixa de fora uma parte significativa dos desempregados). 

Os grandes empresários logo se utilizam da situação de crise econômica para demitir em massa os trabalhadores. Mas, uma análise um pouco mais atenta sobre os lucros das grandes empresas e dos bancos instalados no Brasil, vai demonstrar que eles seguem lucrando muito, mesmo com a dinâmica de queda de economia brasileira.

Como não temos os dados disponíveis já desse ano, analisemos os resultados do ano passado. 

A “Consultoria Economática” publicou um ranking das 20 empresas brasileiras de capital aberto que mais lucraram em 2014. E, nas três primeiras colocações, apareceram: o Itaú, com um lucro de R$ 20,24 bilhões, representando um crescimento de 28,96% em comparação ao ano anterior; em segundo lugar outro banco, o Bradesco, com um lucro de R$ 15,08 bilhões, crescimento de 25,62%; e em terceiro lugar a Ambev, com um lucro de R$ 12,06 bilhões, crescendo 26,54%. 

No mesmo ranking também chama a atenção o salto nos lucros da JBS-Friboi em apenas um ano. A empresa gigante do agronegócio lucrou R$ 2,03 bilhões em 2014, um crescimento de, nada mais nada menos, 119,65% se comparado aos seus resultados em 2013.

Lembrando que no ano passado o Brasil já vivia uma situação de estagnação econômica.

Mesmo nas montadoras de automóveis que enfrentam de fato uma expressiva queda no emplacamento de carros durante 2015, os lucros seguem ainda muito altos. Essa situação se explica em muito pelo fato da margem de lucro dessas montadoras transnacionais, aqui no Brasil, chegam a uma taxa de 10%, que representa o dobro da média mundial (5%) da taxa de lucro das montadoras e um pouco mais de três vezes maior do que a taxa de lucro dessas empresas nos EUA (3%).

Como temos poucas informações sobre o balanço dos lucros dessas montadoras, especificamente em suas plantas instaladas no Brasil, se convencionou levar em consideração, para efeito de análise dos seus resultados, o montante das remessas de lucros para o exterior que essas empresas enviam para suas matrizes.

Mesmo com uma queda expressiva em comparação a anos anteriores, as montadoras de conjunto enviaram ainda uma quantia milionária para suas matrizes fora do país em 2014. Ano passado foram enviados 884 milhões de dólares. Mas, em 2013, por exemplo, esse valor já atingiu 3,29 bilhões de dólares.

As montadoras são justamente um dos setores da indústria que mais recebem isenções fiscais e empréstimos a juros baixos do governo, especialmente do BNDES. E seus lucros são realmente exorbitantes. A Ford, por exemplo, que foi uma das montadoras que mais receberam isenções fiscais, principalmente para instalar sua Planta em Camaçari (BA) na década de 90, e muitas dessas vantagens seguem até hoje, anunciou um lucro global de 6,3 bilhões de dólares em 2014, e está projetando um lucro ainda maior em 2015, entre 8,5 e 9,5 de bilhões de dólares. Para estes, a crise passa longe!

Portanto, os trabalhadores, em especial os operários da indústria, não devem acreditar no falso discurso dos patrões que buscam justificar na queda dos lucros as porpostas absurdas de redução de direitos e congelamento dos salários. Na verdade, as grandes empresas acumularam um lucro enorme nos últimos anos em nosso páis e ainda estão lucrando muito, mesmo com a atual situação de queda em nossa economia.

Os patrões nunca aceitam diminuir suas taxa de lucros, mesmo que seja em uma pequena parte. Para eles nunca chega a hora dos trabalhadores terem acesso, de fato, a um salário digno e a plenos direitos trabalhistas.

Da mesma forma, é uma completa traição que centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, tenham acordado com o Governo Dilma e os patrões na aplicação do tal PPE – que atende pelo falso nome de “Programa de Proteção ao Emprego”. Por essa proposta, os trabalhadores teriam sua jornada de trabalho reduzida em 30% e seus salários reduzidos em 15%. E o dinheiro do FGTS, retirado dos salários dos próprios trabalhadores, seria repassado aos patrões com o objetivo de “financiar” essa pequena redução da jornada de trabalho.

Frente ao ataque aos trabalhadores com propostas rebaixadas como estas, nós seguimos propondo que as grandes empresas abram seus livros caixa, para que se comprovem de fato os tais prejuízos alegados. E defedemos a redução da jornada sem redução de salários e direitos, garantindo uma ampliação dos postos de trabalho.

São medias concretas como estas que de fato impedirão que sejam novamente os trabalhadores que paguem o preço de mais essa crise econômica.

Que os ricos paguem pela crise, que eles mesmos criaram!