Marcha do dia 24 foi primeiro ato unificado contra a política econômica do governo Dilma

Na semana passada, no dia 24 de agosto, aconteceu, em Brasília, uma importante manifestação nacional unificada, convocada por entidades como a CSP Conlutas, o MST, a Via Campesina, a Resistência Urbana, o MTST, o MTL, a Anel, a Intersindical, as principais entidades nacionais dos servidores públicos federais, entre outras entidades e movimentos.

Segundo os organizadores, a passeata contou com cerca de 20 mil trabalhadores, estudantes e ativistas dos movimentos sociais. As atividades já tinham iniciado na semana anterior, com paralisações e manifestações nas principais capitais e cidades, como parte da Jornada Nacional de Lutas. A CSP-Conlutas participou desta vitoriosa manifestação nacional com o tema “Se o Brasil cresceu, os trabalhadores querem o seu. Dilma está na hora de dividir o bolo”.

A pauta da Jornada Nacional de Lutas inclui pontos como o reajuste dos salários com reposição da inflação e aumento real, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, contra o fator previdenciário e contra uma nova reforma da Previdência que quer aumentar ainda mais a idade da aposentadoria, pela reforma agrária, pela reforma urbana, contra a privatização dos Correios, das reservas de petróleo, dos transportes e dos aeroportos, pelo investimento imediato de 10% do PIB na educação pública, entre outros pontos da pauta de reivindicações. Portanto, este protesto se tornou o primeiro ato nacional unificado contra a política econômica do governo Dilma Rousseff.

A maioria das entidades que usaram a palavra questionou a política do governo de cortes dos gastos sociais, arrocho salarial, crescimento inflacionário, pagamentos dos juros da dívida pública, congelamento do salário dos servidores públicos, entre outros ataques.

Outra denúncia importante, levantada na manifestação, é que o governo ataca os trabalhadores e a maioria do povo, por um lado, enquanto segue aplicando sua política de isenções fiscais e aumento do financiamento público para as grandes empresas, como ficou evidente no plano Brasil Maior, lançado recentemente pelo governo Dilma, que significará uma nova renúncia de cerca de R$ 25 bilhões, ou seja, mais dinheiro público para os grandes empresários, dinheiro que falta para os investimentos em saúde, educação e moradia.

Governo e patrões querem usar a intensificação da crise econômica internacional para atacar ainda mais os trabalhadores
Os trabalhadores não devem acreditar nas mentiras dos patrões e do Governo, infelizmente com apoio das centrais sindicais governistas, como CUT, Força Sindical e CTB, de que frente à intensificação da crise econômica internacional devemos rebaixar as nossas reivindicações.

O Brasil segue em um momento de crescimento econômico, apesar da desaceleração dos últimos meses, e os patrões lucraram como nunca nos últimos anos e seguem lucrando agora, contando inclusive com a política do Governo Dilma de isenções fiscais e transferência de dinheiro público para as grandes empresas.

Mesmo em um cenário futuro, onde a economia brasileira seja mais fortemente atingida por esta nova intensificação da crise econômica internacional, os trabalhadores não podem mais uma vez pagar a conta por esta crise da economia capitalista.

As mobilizações devem continuar, principalmente nas campanhas salariais de importantes categorias como petroleiros, metalúrgicos, bancários e funcionários dos Correios, que se intensificaram agora no mês de setembro. O eixo das mobilizações é o aumento dos salários, com por reposição da inflação e significativo aumento real.

Além das campanhas salariais, o movimento popular urbano deve intensificar também a luta contra os despejos e remoções motivadas, principalmente, as obras de infra-estrutura para os grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Os movimentos ligados a educação, sejam os estudantes e os trabalhadores em educação, definiram realizar um plebiscito nacional em novembro para exigir do Governo Dilma e do Congresso Nacional a aplicação imediata de 10% do PIB na educação pública brasileira. Outros setores da classe trabalhadora devem se envolver também neste plebiscito.

As entidades e movimentos que convocaram e realizaram a Jornada Nacional de Lutas vão realizar uma nova reunião nacional para discutir os próximos passos unificados do processo de mobilização dos trabalhadores da cidade e do campo e da juventude por suas reivindicações e contra os ataques dos governos e dos patrões.