Maioria é contra a privatização e a retirada de direitos trabalhistas

Pesquisa mostra que Bolsonaro não recebeu um cheque em branco para entregar o patrimônio brasileiro ao capital internacional nem retirar direitos

Segundo levantamento do Datafolha divulgado neste sábado, 5 de janeiro, pelo jornal Folha de S. Paulo, a maioria da população é contra a privatização e a retirada de direitos trabalhistas. Segundo o instituto, 61% são contra a venda de estatais, enquanto 57% se dizem contrários à redução das leis trabalhistas.

À pergunta: “o governo deve vender para empresas privadas o maior número possível de estatais”?, 44% declararam que “discordam totalmente”, e 17% que “discordam em parte”. Apenas 19% afirmaram “concordar totalmente” com a medida, e 15% “em parte”. Números parecidos com a questão dos direitos trabalhistas: 43% dizem “discordar totalmente” de que “é preciso ter menos direitos trabalhistas”, e 14% discordam “em parte”.

A entrega do patrimônio público ao capital privado, por sua vez, só é majoritária entre os partidários do PSL, o partido de Bolsonaro, onde 65% defendem a medida, ou entre os mais ricos, que ganham mais de 10 salários mínimos: 56%. Nem mesmo entre os simpatizantes do PSDB a privatização é popular. Só 41% dos que se dizem simpatizantes dos tucanos apoiam a venda de estatais.

Segundo o Datafolha, o levantamento foi realizado entre os dias 18 e 19 de dezembro com 2.077 pessoas em 130 cidades.

Bolsonaro não tem cheque em branco
Esses números reforçam que o governo Bolsonaro não recebeu um cheque em branco da população para implementar as medidas que anunciou no último período: vender o maior número de estatais possível e aprofundar ainda mais a reforma trabalhista de Temer. Estranhamente, o instituto não incluiu, ou não divulgou, uma pergunta sobre a reforma da Previdência, prioridade absoluta do governo Bolsonaro, mas certamente a rejeição seria maior que a privatização ou a retirada de direitos trabalhistas.

O resultado da pesquisa do Datafolha é aparentemente contraditório com outra do próprio instituto divulgada em dezembro, onde 65% da população esperavam uma melhora na economia para o próximo período. Outras pesquisas também apontavam, além do otimismo em relação à economia, uma aprovação majoritária do governo, maior até que o próprio eleitorado de Bolsonaro.

Isso reforça o fato de que Bolsonaro não foi eleito para pôr em prática a agenda ultraliberal de Paulo Guedes. Bolsonaro conseguiu capitalizar eleitoralmente um sentimento antissistema, apesar de ser a pior dele, e expressar o ódio a “tudo o que está aí”, fundamentalmente dos políticos tradicionais e das instituições desse regime. Goza ainda da alta popularidade de um governo recém-eleito após anos de recessão e crise, mas não ganhou a população e a classe trabalhadora para a sua política.

Longe de ser um cheque em branco, a eleição de Bolsonaro tampouco foi uma chancela à sua política de entrega do patrimônio nacional ao capital privado e a retirada de direitos.

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