Livre comércio e militarização: ofensiva imperialista

Militarização e livre comércio estão intimamente ligados. Este foi o centro da discussão na conferência sobre o tema “Globalização armada e militarização da América Latina”, realizada nesta sexta, primeiro dia de trabalhos do Fórum.
A conferência teve como debatedores Maria Luísa Mendonça, da Rede Social, o jornalista José Arbex Junior, e Borges, do Movimento contra a Base Militar de Alcântara.

Tanto Arbex quanto Maria Luísa desmascararam as justificativas das ações militares do imperialismo norte-americano. Arbex afirmou que “inicialmente eles criam um veneno, espalham e, então, se utilizam dele para encobrir suas imposições e seus ataques”. Ele exemplifica o caso do Afeganistão, país ao qual foi imposto um ataque de grandes proporções sob a justificativa de combate ao terrorismo. Na América Latina, deu o exemplo do Plano Colômbia, que se aproveita do discurso de combate ao narcotráfico.

O jornalista disse ainda que a ação dos EUA no Afeganistão colocou no poder a Liga do Norte, grupo de guerrilheiros ligados ao tráfico de ópio. “O Afeganistão é hoje, após a `intervenção` dos Estados Unidos, um grande líder no tráfico de ópio. Como colocaram uma quadrilha de narcotraficantes no poder no Afeganistão se estão na Amazônia para combater o narcotráfico?”, disse expondo as contradições do discurso imperialista.

Já Maria Luísa lembrou que a dominação militar dos EUA não ocorre somente no Oriente Médio, mas também aqui na América Latina com a implantação de bases militares. Segundo ela, essas bases são instaladas em locais onde há reservas de água potável e petróleo. Sobre a política do governo Lula, de incentivo às exportações e criação de grandes barragens em áreas indígenas, Luísa foi enfática:“o nome para isso é colonização”.

A Base de Alcantâra e a população quilombola

Borges, morador da cidade de Alcântara, falou sobre as conseqüências de um projeto militar norte-americano tanto para o Brasil como para a comunidade local. Relembrou que quando o projeto da Base de Alcântara chegou, em 1980, pensaram que isso traria tecnologia, empregos, universidade, escolas para a comunidade. “Eles diziam que a cidade entraria para a era espacial. Em julho de 1982, trinta jovens, inclusive eu, entraram em um avião para São Paulo, achando que seria um curso para preparar quem fosse trabalhar na base. Só não nos avisaram que seríamos militares. O projeto já começou com uma mentira”, contou.

Trezentas e doze famílias foram deslocadas para a implantação do projeto, perdendo os recursos naturais. Elas foram confinadas em agrovilas (pedaços de terra de dezessete hectares) com uma promessa de que os lotes teriam tecnologia para produzir.

Hoje essas agrovilas são bastiões de pobreza e miséria. Começou a haver prostituição e criou-se uma periferia. As agrovilas chegaram a ser incluídas no programa Fome Zero e isso, para Borges, não passa de uma humilhação.

“Somos vítimas de uma mentira, uma irresponsabilidade” diz ele. “Acreditávamos que esse governo nos desse uma resposta diferente mas ele tem dado continuidade às mesmas práticas políticas do governo passado. Ele já assinou um acordo com a Ucrânia e vai haver outro deslocamento de comunidades em Alcântara”.

Os três conferencistas encerraram conclamando o povo a partir para as ruas exigindo a ruptura do governo com o imperialismo. “Ou vamos à luta ou ficaremos de quatro para o imperialismo”, finalizou Arbex.