Seminário sobre auditoria da dívida discute a relação do governo Lula com o FMI

No seminário “Ilegitimidade e Auditoria da Dívida Externa“, organizado pela UNAFISCO, em praticamente todas as falas esteve presente a avaliação do governo Lula e do PT. O seminário era parte da programação da tarde de 8 de novembro do Fórum Social Brasileiro e contou com os debatedores Carlos Juliá, da Argentina, Plínio de Arruda Sampaio, do Correio da Cidadania, Pedro Ribeiro de Oliveira, assessor da CNBB, Alberto Amadei Neto, auditor fiscal e Maria Lúcia Fattorelli, auditora fiscal e presidente da Unafisco Nacional. Além disso, estavam na platéia o deputado Babá, Sérgio Miranda e Dra Clair, para o lançamento da Frente Parlamentar de Acompanhamento da Dívida Pública, programado para a mesma ocasião.

Ao discutirem sobre a dívida externa, sobre sua ilegitimidade e sobre a necessidade de uma auditoria, não poderia ser esquecido o acordo fechado com o FMI nas vésperas do Fórum Social Brasileiro. A partir desse questionamento, o debate desencadeou as divergências sobre Lula e seu governo. Plínio, apesar de colocar críticas duras, de questionar o eleitoralismo que o PT assumiu durante os últimos anos, disse que “o governo Lula ainda é um governo em disputa“.

Sobre isso, Alberto Amadei Neto discordou: “Eles não precisam mais do FMI, porque, num transe neoliberal, incorporaram o Fundo Monetário. Eu os chamo de neopetistas“. Após Carlos Juliá falar sobre a moratória da Argentina, Alberto denunciou que “o Brasil atrapalhou a Argentina quando não deu um pio sobre a moratória“.

Iranilson, da direção da UNAFISCO, estava na platéia e criticou a postura de quem defende que o governo está em disputa dizendo que “a única coisa que eu queria disputar com Lula é seu mandato, pois ele já traiu de vez os trabalhadores“.

Sobre a relação que teria o endividamento externo com a subserviência do governo aos capitais internacionais, tanto Maria Lúcia quanto Pedro Ribeiro figurativizam. Maria Lúcia diz que “é a dívida que amarra o Brasil no pé da mesa de negociação da ALCA“ e Pedro diz que a dívida seria como um enforcador, de domesticar cães. “Se o cachorro se comporta bem, nada lhe acontece. Se ele cometer algum deslize, o dono puxa o enforcador, provocando dor. Da mesma forma a dívida é para o Brasil e quem puxa o enforcador é o FMI e os grandes capitais“ compara.

Uma contradição se colocou sobre o lançamento da Frente Parlamentar, pois as falas da platéia e de membros da mesa por diversas vezes secundarizaram o papel do debate dessa frente parlamentar, ressaltando o papel das lutas das massas. Dirceu Travesso, da CUT e do PSTU, foi um dos presentes na platéia que disse que “a luta não é só parlamentar. A ruptura deve surgir das lutas concretas“ disse, sendo aplaudido pelos participantes. Dirceu criticou ainda o fato da campanha contra a Alca ter esfriado com a vitória de Lula.

Os participantes concordaram com a necessidade de fortalecer a campanha contra a Alca e também com a importância de incorporar a questão da dívida externa no movimento como parte da mesma luta anti-imperialista.