Lista da Forbes retrata a farra do capitalismo internacional

Carlos Slim, comprador da Embratel, é destaque da lista da Forbes.
Detalhe capa revista Monopoly

Lista de mais ricos do mundo cresce. Brasil tem mais bilionários e desigualdade socialA retomada do crescimento econômico, os juros altos e o bom desempenho das bolsas tornam o Brasil um lugar atraente e lucrativo para o capitalismo financeiro, nativo ou estrangeiro. Prova dessa afirmação é que mais três brasileiros foram incluídos na lista mundial de bilionários elaborada anualmente pela revista Forbes, divulgada na semana passada. O país abriga a segunda maior fortuna da América Latina, a dos irmãos Joseph e Moise Safra, proprietários do banco Safra (US$ 5,2 bilhões).

Os novos magnatas brasileiros da lista são: Antonio Ermírio de Moraes, presidente do maior grupo empresarial do Brasil, o Grupo Votorantim, com patrimônio de US$ 2,5 bilhões; Marcel Telles e Carlos Sicupira, ex-acionistas da Ambev, respectivamente com US$ 1,2 bilhão e US$ 1 bilhão.

Outros brasileiros aparecem na lista, como Aloysio de Andrade (US$ 3,2 bilhões, proprietário do Banco Alfa, ex do Banco Real), Jorge Paulo Lemann (US$ 2,6 bilhões, também ex-acionista da Ambev), Júlio Bozano (ex-dono do Banco Bozano-Simonsen) e Abílio Diniz (Grupo Pão de Açúcar), ambos com US$ 1,6 bilhão. Confira na tabela ao final a posição de cada um no ranking da Forbes.

Além de comprovar como a política econômica do governo Lula favorece os grupos financeiros e as transações especulativas – nunca os bancos tiveram tanto lucro -, a maior presença de brasileiros no ranking mostra que a desigualdade social no Brasil se agrava. O aumento das grandes fortunas contraria a tendência de redução da desigualdade, divulgada em fevereiro pelo IBGE.

A “orgia” capitalista se repete também na América Latina, que incluiu 26 nomes na lista da Forbes. No total, as fortunas latino-americanas subiram de US$ 69,8 bilhões, em 2004, para US$ 87,9 bilhões este ano. Ao mesmo tempo, 44% da população da América Latina vive em favelas ou bairros com infra-estrutura precária, segundo mostrou pesquisa recente da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), ligada à ONU.

Comprador da Embratel é destaque da lista
O destaque vai para o mexicano Carlos Slim, 4º colocado geral, cujo patrimônio aumentou 70% em um ano, chegando agora a US$ 23,8 bilhões (maior do que o PIB da Bolívia, de US$ 21 bi). Devido a jogadas financeiras de mestre, o grupo financeiro de Slim coleciona ações em gigantes das telecomunicações, como a Telmex, do México, a América Móvil (telefonia celular com negócios em todo o continente) e a Claro. Recentemente, adquiriu a Embratel por uma pechincha: US$ 400 milhões, aproveitando-se da concordata da quase falida norte-americana MCI, então proprietária da Embratel.

Os ricos no mundo
`BillA lista de bilionários, em 2005, é maior, e comprova que eles estão ainda mais ricos. Foram adicionados 131 nomes, em relação ao ano anterior, num total de 691 magnatas. Juntos, somam uma fortuna de 2,2 trilhões de dólares (em 2004 o montante era de 1,9 trilhões). A concentração absurda de riquezas é conseqüência do avanço do imperialismo, que abre mercado para o lucro dos grupos financeiros em países onde a maioria da população permanece miserável.

O crescimento econômico, nos limites do capitalismo, é sempre concentrador de renda. Não à toa, o Brasil é a 15ª maior economia do mundo, mas ocupa a 167ª posição no ranking da desigualdade social (segundo o Atlas da Exclusão Social, vol. 4 – “A Exclusão no Mundo”, elaborado por pesquisadores da Unicamp, entre eles o economista Márcio Pochmann).

O próprio Atlas da Exclusão conclui que o processo de globalização – o nome dado à abertura de fronteiras ao capitalismo internacional – tem sido responsável pelo enorme aumento da desigualdade e da concentração de renda em todo o mundo.

Grandes magnatas e pobreza extrema para cerca de 50% da população mundial. O sistema capitalista é, pela sua própria lógica, incapaz de oferecer ao ser humano condições mínimas e igualitárias de dignidade e vida.


O RANKING DA FORBES

1º US$46,5 bi Bill Gates (Microsoft)
2º US$44 bi Warren Buffet (fundos de investimento)
3º US$25 bi Lakshmi Mittal (Siderurgia)
4º US$23,8 bi Carlos Slim (Telefonia)
91º US$5,2 bi Joseph e Moise Safra (Banco Safra)
170º US$3,2 bi Aloysio Andrade (Banco Alfa/Real*)
228º US$2,6 bi Jorge Paulo Lemman (Ex-acionista Ambev)
243º US$2,5 bi Antonio Ermírio de Moraes (Votorantim)
413º US$1,6 bi Julio Bozano (11% da Embraer)
507º US$1,3 bi Abílio dos Santos Diniz (Pão de Açúcar)
548º US$1,2 bi Marcel Telles (Ex-acionista Ambev)
620º US$1 bi Carlos Sicupira (Ex-acionista Ambev)

* O banco Real foi vendido para o ABN Amro

FONTE: Forbes