No dia oito de abril foi preso o ator e modelo Paing Takhon na casa de sua mãe na cidade de Yangon, em Myanmar. Mais de cem celebridades que se posicionaram contra o golpe de Estado desferido pelas Forças Armadas do país em primeiro de fevereiro estão detidas, e se somam a centenas de presos políticos, dentre os quais muitos operários, jovens e mulheres, por se levantarem contra o novo regime.

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Takhon é considerado uma das maiores celebridades do país no momento, sendo internacionalmente conhecido, especialmente na Ásia. Seu perfil no Instagram tinha mais de 1 milhão de seguidores e foi derrubado pelo governo agora em abril, pois o artista vinha postando denúncias contra o golpe militar e fotos de sua participação nas manifestações, motivando a juventude a aderir a elas. Foi sua irmã, Thi Thi Lwin, que denunciou no Facebook a prisão. Há muita dificuldade de obter informações, pois o governo tem bloqueado a internet no país. Mesmo assim, as páginas de fã-clubes do modelo, com público jovem e feminino, têm operado como verdadeiros noticiários da luta em Myanmar, recebendo solidariedade de seguidores de países como Vietnã, Bangladesh, Camboja, Indonésia, Filipinas e Brasil, divulgando rashtags como #FrrePaingTakhon e #SaveMyanmar.

Myanmar é um país periférico do sudeste asiático com grandes desigualdades sociais, aprofundadas inclusive no governo da Liga Nacional Pela Democracia (LND), no curto período de regime democrático burguês no país. A imposição de ataques neoliberais e os problemas de opressão étnica jamais resolvidos eram a base de um descontentamento crescente, principalmente entre a juventude e a classe operária, bastante feminina e empregada na indústria têxtil. As poucas liberdades democráticas têm sido atacadas depois do golpe de primeiro de fevereiro.

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A repercussão da prisão de Paing Takhon é importante, pois ajuda chamar atenção internacional ao drama dos trabalhadores birmaneses que se enfrentam contra o golpe. Representa também, de maneira distorcida, a atenção que setores da juventude tem dado às mobilizações no mundo, contra a repressão dos governos no sistema capitalista, e por melhores condições de vida. Uma juventude que em países como Myanmar se mobiliza nas ruas (apesar da pandemia) e pelas redes contra os governos, mas que pode e precisa a partir dessas lutas avançar para um programa de superação da sociedade capitalista e construção de uma sociedade socialista.