Leite, Bolsonaro e Mourão Foto Itamar Aguiar/Palácio Piratini

O governador do estado do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), declarou-se homossexual em entrevista concedida ao jornalista Pedro Bial, fato que tem gerado repercussão nacional. É a primeira vez que, publicamente, o governador assume a sua orientação sexual.

Naturalmente, essa atitude desperta simpatia entre as LGBTI’s. Isso é compreensível, pois é muito desafiador para a maioria das LGBTI’s assumir a sua sexualidade nesta sociedade miserável. Assumir-se significa perder muitas possibilidades e, para muitas, isso significa a morte. Entretanto, para as gays ricas isso não se compara à grande maioria das LGBTI’s, por mais homofóbica que seja a sociedade. Para elas que herdarão fortunas não há preocupação com o acesso à saúde em razão da sua sexualidade, não precisam preocupar-se com a perda do emprego, andam por espaços públicos que têm bem menos chances de serem mortas ou sofrerem violência policial. Então, para elas, ter políticas governamentais que sustentam a discriminação não é um grande problema. A homofobia e a transfobia pesam muito mais nas questões materiais.

Não podemos deixar de observar a diferença da fala de 2021, quando Leite se apresenta como pré-candidato à Presidência, daquela de 2018, quando apoiou Bolsonaro, o presidente mais homofóbico da história, que é responsável pelo aumento da violência e opressão contra as LGBTI’s.

Vemos que Eduardo Leite tenta colar na onda da reação a toda essa homofobia que tem impactado a opinião pública. Para citar um exemplo, o apresentador Sikêra Jr, que chamou os gays de “raça desgraçada” tem visto sua audiência e patrocínios decaírem esse ano.

É um fenômeno contemporâneo que alguns indivíduos procurem se identificar com a luta contra a opressão em benefício de carreiras políticas, num chamado empoderamento, que não se reflete nem para a maioria das gays, mulheres ou negros, nem muito menos para quem não dispõe de uma situação privilegiada econômica e socialmente. Acabam por usurpar uma causa, mas sem trazer qualquer benefício a ela. Afinal, o que tem feito o governador agora autodeclarado gay para as LGBTI’s do estado? O relatório da comissão da Assembleia Legislativa sobre a violência contra a população LGBTI no Rio Grande do Sulz fez 37 recomendações para combater a violência. Quase nada disso saiu do papel.

Para nós, é impossível dissociar a opressão que sofrem as LGBTI’s da questão de classe. As LGBTI’s da classe trabalhadora, além de oprimidas pelos capitalistas e seus representantes nos governos, são superexplorados pela sua orientação sexual.

Às LGBTIs, assim como aos negros e mulheres, estão reservados os piores trabalhos, muitas vezes informais, sem direitos e menor remuneração, sofrendo todo tipo de assédio. O medo de perder emprego acaba dificultando as denúncias de abusos, principalmente quando promovidos pelos chefes. Entre as LGBTI’s, o índice de desemprego é de 21,6% (dados de pesquisa realizada pela UFMG e Unicamp). Isso sem falar na violência que todo dia vitima as LGBTI’s, inclusive nas universidades e escolas. E quem ganha com isso são os patrões que conseguem superexplorar mais um setor da classe trabalhadora.

Nesse sentido, Eduardo Leite, mesmo sendo homossexual não é um aliado das LGBTI’s na luta contra a exploração e opressão. Leite é membro do PSDB, partido burguês responsável pela implementação dos planos neoliberais nos anos 90 no Brasil, promovendo privatizações, desemprego e repressão aos movimentos sociais.

No Rio Grande do Sul, Leite acabou com a carreira do magistério, atacou os aposentados que voltaram a pagar previdência, recentemente privatizou a CEEE-D (Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica) e já anunciou que privatizará o Banrisul. Acabou com a obrigatoriedade do plebiscito para a venda de estatais para poder vender a Corsan entre outras. Sem falar no arrocho salarial promovido no funcionalismo público e parcelamento de salários.

Na pandemia, tem pactuado com a política genocida de Bolsonaro ao promover a volta às aulas presencias sem vacinação e qualquer segurança, com o apoio dos Deputados Estaduais que votaram a educação como serviço essencial. Nunca decretou um lockdown, com auxílio emergencial estadual aos desempregados, à população de baixa renda, micro, pequenos e médios empresários.

Leite, Bolsonaro e Mourão Foto Itamar Aguiar/Palácio Piratini

Ao mesmo tempo, garante aos grandes empresários isenções fiscais milionárias e quer promover uma reforma tributária no estado, que penalizará os mais pobres, com aumento do ICMS sobre telecomunicações, álcool, gasolina, energia elétrica e alguns alimentos.

Todos esses ataques acabam por atingir mais os setores mais explorados e oprimidos, estando as LGBTI’s incluídas. Ou seja, apesar de Leite ser homossexual seu governo em nada contribui para que as LGBTI’s deixem de ser explorados, ao contrário!

LGBTI´s em luta!

Temos visto recentemente muitas lutas pelo mundo e, em todas elas, as LGBTI’s têm sido linha de frente. No Brasil, contra o governo genocida de Bolsonaro, na Colômbia, contra a retirada de direitos; no Chile, uma revolução que derrubou a Constituição dos tempos de ditadura que continua agitando o país; em Myamar (Burma), o povo está mobilizado contra a ditadura que tomou o país; nos EUA, seguem em luta contra o racismo e, na Polônia, contra a criminalização das LGBTI’s.

Alternativa Revolucionária e Socialista para acabar com a opressão e exploração

Apoiamos toda a pauta da luta LGBTI, ao mesmo tempo que estamos certos de que o sistema capitalista não tem nenhum interesse por ela, pelo contrário. É um sistema que precisa das discriminações, que justificam salários mais baixos para mulheres e negros, que precisam disseminar o ódio e a divisão dentro da classe trabalhadora.

Ao contrário do que defendem PT, PCdoB e a maioria do Psol, não podemos depositar nenhuma confiança nas eleições e no Congresso Nacional. São os deputados e senadores que votam leis que retiram direito dos trabalhadores, como a reforma da Previdência, que aumentou o tempo de trabalho e contribuição para aposentadoria.

Precisamos derrubar Bolsonaro e Mourão já para frear o genocídio e construir um governo socialista dos trabalhadores e por fim ao sistema capitalista. Somente assim, conseguiremos acabar com a exploração e opressão!

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