Justiça nega abusividade do movimento e greve da Caixa se fortalece

Passeata em São Paulo
Sérgio Koei

Mesmo com o ajuizamento do dissídio por parte da Caixa Econômica Federal, os bancários em todo o país não se intimidaram com a intransigência de Lula e do seu time que hoje está à frente da direção do bancoApostando no Tribunal Superior do Trabalho (TST) para sair do impasse que a própria Caixa criou nas negociações, a direção da empresa e o governo Lula sentiram o peso da mobilização dos bancários, que responderam a essa política truculenta com luta.

Na sexta-feira, 16, um fortíssimo piquete em frente à CETEL (central que abriga cerca de mil trabalhadores terceirizados) impediu o funcionamento de setores de telemarketing e parte da tecnologia em São Paulo. Uma ação radicalizada que há muito não se via numa greve de bancários.

No final da tarde de sexta, a maioria das assembleias decidiu manter a greve nacional. O movimento segue com força nos 26 estados e no Distrito Federal.

Derrota da CEF na Justiça dá fôlego à greve
Tentando não negociar com os trabalhadores ao utilizar a Mesa Única da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) como escudo, Lula e a direção da Caixa se viram de mãos atadas frente a uma greve muito mais forte que nos últimos anos. Apelaram, então, para o dissídio e um pedido de liminar decretando abusividade da greve na última quinta-feira, 15.

No entanto, a derrota veio a galope. A abusividade e a determinação de retorno ao trabalho foram negadas pelo tribunal. Essa derrota acirrou ainda mais os ânimos dos trabalhadores, que agora fortalecem e radicalizam a greve. Enquanto isso, a Caixa é obrigada a esperar por duas audiências de conciliação antes do julgamento do dissídio, com a maioria das suas agências fechadas.

A primeira audiência foi marcada para a próxima quarta-feira, dia 21. Esse cenário dá fôlego à greve e abre a possibilidade de, através do fortalecimento do movimento, os bancários conseguirem arrancar da Caixa as suas reivindicações.

MNOB defende aprovação de contraproposta e fortalecimento da greve
O Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB), ligado à Conlutas, entende que este é o momento de ampliar e fortalecer o movimento, pois há espaço para conquistar as reivindicações da categoria até o julgamento do dissídio. A orientação também se estende às bases sindicais que suspenderam a paralisação.

Os trabalhadores cujos sindicatos encerraram a greve devem exigir das direções que chamem novas assembleias para que retomem o movimento, pois essas localidades estão isoladas a partir do momento que a greve segue forte em mais de 90% das localidades. O MNOB orienta aos trabalhadores que aprovem nas assembleias a apresentação de uma contraproposta à direção da Caixa, que contemple: PCF já, seis horas sem redução de salário; isonomia, licença-prêmio e ATS para todos; reposição das perdas; não-compensação dos dias da greve; e nenhuma punição aos que lutam por todos.

Além disso, o MNOB está formando uma comissão de sindicalistas para exigir de parlamentares que intervenham junto ao governo Lula para que se reabram as negociações e para que sejam atendidas as reivindicações dos bancários.

Esta é uma iniciativa importante, que aliada ao fortalecimento da greve a partir desta segunda-feira, 19, pode dar um norte político ao movimento, cobrando diretamente e jogando a responsabilidade da greve para Lula, a Casa Civil e seus ministérios, aumentando a possibilidade de vitória da categoria.

Quadro nacional
A greve na Caixa segue forte em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Ceará, Florianópolis, Bahia, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Pará/Amapá, Maranhão, Piauí, Goiás, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe, Alagoas, Acre, Campo Grande (MS), Nova Friburgo (RJ), Feira de Santana (BA), Vitória da Conquista (BA), Andradina (SP), Assis (SP), Blumenau (SC), Campina Grande (PB), Catanduva (SP), Corumbá (MS), Dourados (MS), Guaratinguetá (SP), Jaú (SP), Lins (SP), Marília (SP), Naviraí (MS), Ponta Porá (MS), Presidente Prudente (SP), Presidente Wenceslau (SP), Ribeirão preto (SP), Rio Claro (SP), Rondonópolis (MT), Santos (SP), São Carlos (SP), São José dos Campos (SP), São José do Rio Preto (SP), Sorocaba (SP), Mogi das Cruzes (SP), Três Lagoas (MT), Tupã (SP), Vale do Ribeira (SP), Votuporanga (SP), Videira (SC), Atibaia (SP), Vale do Paranhana (RS), São Miguel do Oeste (SC), Chapecó (SC), Araranguá (SC), Concórdia (SP), Divinópolis (MG), Joaçaba (SC).

Suspenderam a greve da Caixa: ABC Paulista, Itaperuna (RJ), Taubaté (SP), Araraquara (SP), Bragança Paulista (SP), Caxias do Sul (RS), Criciúma (SC), Franca (SP), Guarapuava (PR), Guarulhos (SP), Jau (SP), Jundiaí (SP), Piracicaba (SP), Santiago (RS), Teófilo Otoni (MG), Toledo (PR), Umuarama (PR), Araçatuba (SP), Arapoti (PR), Limeira (SP), Vale do Caí (RS), Campinas (SP), Guaporé (RS).

Outros bancos em greve: Os trabalhadores do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e do Banco do Estado de Sergipe (Banese) também permanecem em greve, aguardando propostas da direção da empresa. O Banco da Amazônia apresentou nova proposta em negociação e os trabalhadores irão submetê-la às assembléias.

*Juary Chagas, é diretor do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte e escreve o blog http://juary-chagas.blogspot.com