Na última sexta-feira, dia 6, a Justiça de São Paulo concedeu a reintegração de posse da sede do Sindicato dos Metroviários, construída há mais de 30 anos pelos trabalhadores da categoria.

Esta Justiça dos ricos, morosa quando o assunto é a garantia de direitos dos trabalhadores – como é o caso da campanha salarial que se arrasta há meses – foi rápida em aceitar o pedido de reintegração do governo Dória (PSDB) e do Metrô para atacar a organização dos trabalhadores e dificultar a sua capacidade de resistência à destruição das condições de vida e o desmonte do transporte público fruto do projeto de privatização.

O ataque à sede do sindicato ocorreu junto à campanha salarial da categoria, em uma clara demonstração de prática antissindical. Declarações de Alexandre Baldy nas redes sociais, Secretário de Transportes Metropolitanos e preso ano passado acusado de corrupção, deixam ainda mais explícito o objetivo de retalhar os trabalhadores metroviários que têm resistido à sanha do governo capitalista de Dória em aprofundar a destruição dos serviços públicos. Como era esperado, Doria, a despeito de uma suposta disposição de negociação acordada em reunião com as centrais sindicais – da qual, infelizmente excluíram a CSP-Conlutas – não impediu que seu secretário seguisse com a disposição de ataque aos trabalhadores.

Essa prática joga luz ao caráter antidemocrático do governo tucano aqui em São Paulo, que a despeito de todas palavras ao vento que dispara em entrevistas, segue a mesma prática de Bolsonaro – com quem, diga-se de passagem, fez a dobradinha “BolsoDoria” em 2018 – onde ataca os direitos dos trabalhadores por um lado, para satisfazer a sanha dos capitalistas e alavancar seus lucros – e, por outro, reprime e ataca as condições de organização dos trabalhadores, buscando desarticular a sua capacidade de mobilização. Pior, desfere essas maldades em meio a pandemia, e a uma situação de caos social, com miséria, fome e desemprego. Aliás, não surpreende que Alexandre Baldy tenha, na última semana, se deslocado até Brasília para assistir a posse de Ciro Nogueira (PP) como Chefe da Casa Civil de Bolsonaro. Lá e aqui o Centrão segue dando as cartas.

A justiça burguesa, por outro lado, ao conceder a reintegração de posse deixou explícito o seu caráter de classe privilegiando, como sempre, os de cima. Se segue garantindo ao Metrô e ao governo de Doria e Baldy, a condição de retirar os Metroviários de sua sede histórica, não teve o mesmo empenho em tomou nenhuma medida sobre as graves denúncias que pesam sobre este leilão, cujo martelo foi batido por um valor bastante inferior à avaliação de mercado, para não falar da relação profundamente questionável entre uma das sócias da empresa vencedora e de um diretor do Metrô que foi objeto de denúncia do sindicato na Delegacia Anticorrupção.

Este ataque é inaceitável em quaisquer circunstâncias, ainda mais em um momento em que os trabalhadores enfrentam uma profunda crise social e diversos ataques dos governos. A sede dos metroviários é um patrimônio histórico dos trabalhadores, foi palco da organização de importantes lutas e, no último período, inclusive, se destacou na organização de ações de solidariedade de classe com o oferecimento de alimentos, arrecadação de cestas básicas e abrigos para população em situação de vulnerabilidade. Como disse Altino Prazeres, coordenador do Sindicato e dirigente do PSTU, “resistiremos a mais esse ataque dos capitalistas e de seus governos de plantão, para sabotar a organização da nossa classe”.

Neste momento crítico, é preciso fortalecer a ocupação da sede dos Metroviários e a solidariedade ativa das organizações da nossa classe com os companheiros metroviários. Tirem as mãos da sede dos metroviários!