Daiane Delfino “Meg”

Neste último final de semana acordamos com mais uma triste e revoltante notícia: um jovem de 22 anos foi vítima de um estupro coletivo no centro de Florianópolis, no dia 31 de maio.

Sim, isso mesmo! Em Florianópolis, a considerada e assim chamada capital brasileira “Gay Friendlly”.

Florianópolis, ilha da lgbtfobia

Como este crime bárbaro demonstrou, por aqui nem tudo é tão colorido quanto tentam pintar. A violência brutal que sofreu esse jovem escancara a verdadeira realidade que vive a população LGBT+ em todo o país e especialmente em Florianópolis-SC.

A burguesia e o governo há muito tempo se utilizam do pink money para lucrar em cima das vidas de LGBT+ aqui na região e venderem uma imagem amistosa para o turismo e para seus negócios.

Mas o lado “colorido” da cidade tem um público alvo específico e não é LGBT+ trabalhadores, pobres e periféricos. Este lado muito bem pintado é destinado a uma pequena elite burguesa. Com diversas baladas e festas caras, políticos e grandes empresários mascaram a realidade vivida pela maioria de nós diariamente: a exploração, o trabalho informal, a precariedade dos postos de trabalho, o medo das agressões verbais e físicas nas ruas, o medo do assédio, o medo do futuro incerto, o medo de não saber se voltaremos para casa vivas e vivos.

Temos medo de não saber sequer se sairemos vivos de dentro de casa, onde ocorre boa parte das agressões aos LGBT+ desde muito cedo.

Medo, medo, medo e medo! Nós não podemos mais conviver com o medo, naturalizar este sentimento. Mas também é preciso dizer que crimes brutais como o que este jovem sofreu são também a expressão prática do discurso incitado pelo atual governo federal.

Com um longo dossiê de declarações racistas, machistas e LGBTfóbicas, Jair Bolsonaro – que minimizou os efeitos da pandemia no Brasil, que disse “e daí?” “eu não sou coveiro” sobre a morte de milhares de pessoa – é o mesmo homem que vociferou: “Para mim é a morte. Digo mais: prefiro que morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo”. Bolsonaro autoriza e estimula a violência contra os oprimidos.

Não é negligência, é genocídio!

Bolsonaro, Mourão e toda sua corja tem um plano bem traçado para cada LGBT+ e por isso nós não podemos esperar mais uma vítima, nós não podemos esperar que quem sabe em 2022 algo mude.

Dia 28 de junho fará 52 anos da Revolta de StoneWall, dia em que milhares de LGBT+ enfrentaram a polícia cansados da violência que vinham sofrendo ano após ano e dia após dia, nos Estados Unidos.

Precisamos nos lembrar de exemplos como a revolta de StoneWall e do Ferro’s Bar em São Paulo. Precisamos nos espelhar naqueles que fizeram história e continuam escrevendo uma história de luta e sem possibilidade de rendição.

Somente desta forma poderemos construir uma sociedade e um mundo onde não exista mais nenhuma forma de opressão e onde não exista mais exploração.

Por isso, nós do PSTU Grande Florianópolis nos solidarizamos com este jovem e sua família, e nos solidarizamos com todos LGBT+ que sofrem com a invisibilidade, violência e exploração produzida pelo capitalismo para dividir nossa classe fomentando ódio e preconceito entre nós.

Exigimos a apuração imediata deste crime brutal e a punição dos culpados!

Fora Bolsonaro e Mourão já!
Chega de LGBTfobia!