A intervenção no Rio, Temer na margem de erro e a necessidade da defesa do socialismo e da revolução

Brasília - O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o presidente Michel Temer participam da abertura do seminário internacional AGU 25 anos (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Os motivos de Temer e de sua quadrilha para intervir no Rio de Janeiro foram vários. O primeiro, sem dúvida, é a busca por um caminho para manter seu foro privilegiado e de seus protegidos (entre eles, Moreira Franco) depois que terminar seu mandato. Ao não conseguir aprovar a reforma da Previdência, o fim de sua utilidade para os de cima somou-se ao seu recorde de impopularidade entre os de baixo, o que arrasta sua fraqueza até o final do mandato, podendo ser preso logo depois.

Então, Temer resolveu dar um golpe de mestre decretando a intervenção. Uma forma de responder à aflição popular por segurança e tentar ganhar alguns pontos de popularidade.

Porém nem as circunstâncias, nem as consequências dessa intervenção se limitam a esses motivos oportunistas e eleitoreiros do vampiro neoliberalista. Ele decreta a medida apesar de sua fragilidade, dos motivos eleitoreiros e da enorme divisão interburguesa porque há uma imensa crise.

A despeito de a Rede Globo ter amplificado os dados da violência no carnaval, é fato que a questão da segurança é gravíssima em todo o país. No Rio, há agravantes. O estado está quebrado e em estado de calamidade pública, fato reconhecido pelo governo federal. A crise social é das maiores do país, e há uma situação de desgoverno e de colapso do Estado burguês. O governo estadual perdeu o controle das Forças Armadas do estado. Não só pela crônica infiltração do tráfico e das milícias, mas também pelo ajuste neoliberal e o não pagamento de salários. É preciso lembrar da ocupação da Assembleia Legislativa pelas polícias e pelos bombeiros em 2017.

A burguesia teme uma rebelião social. Tem medo que o morro resolva descer sem que tenha uma ação de repressão que dê conta do controle social e do enfrentamento. O governador Pezão, que já era a imagem do desgoverno, agora, de fato, governa quase nada, mas também mantém foro privilegiado. Ele é da mesma turma e do mesmo partido que Temer, Cunha, Cabral e Cia.

Embora a medida tenha motivos eleitoreiros de um governo fraco e mambembe, não quer dizer que não seja autoritária e grave. Essa é uma medida de exceção. Uma intervenção federal nos estados não é parte da normalidade burguesa, retirando das mãos do governador todo poder sobre a segurança (ainda que tenha sido em comum acordo com ele) e, principalmente, entregando-o nas mãos dos militares.

É grave, também, entregar a chefia do ministério da Defesa a um militar. Fatos como esses não ocorrem desde o fim da ditadura. Isso merece repúdio e alerta do movimento dos trabalhadores, pois se aumenta o uso da força e do autoritarismo para usá-los no controle social e contra as lutas.

Aliás, o PT, que bradou tanto contra o impeachment (uma medida democrático-burguesa normal de revogabilidade de mandato), absteve-se no Conselho da República perante uma medida de exceção real (apesar de bastante inferior a um Estado de sítio ou de emergência).

Os governos do PT, começaram a dar mais protagonismo às Forças Armadas para repressão interna. A intervenção no Rio, decretada por Temer, é um novo avanço nesse sentido. Mas é também um sintoma de aprofundamento da crise, mostrando que cresce a polarização na luta de classes.

A intervenção é vista com ceticismo pela população, que, de início até apoia, porque, diante da imensa violência, acha que algo precisa ser feito. No entanto, como nas intervenções militares anteriores, isso não vai resolver nada. O mais provável é que, em breve, esse apoio vire fumaça, e que o tremendo desgaste do Executivo, Legislativo e Judiciário se junte ao desgaste das Forças Armadas.

Como era de se esperar, o golpe de mestre do vampiro neoliberalista não foi capaz de melhorar sua popularidade. Segundo pesquisa CNT/MDA, realizada depois da intervenção, está em 4,3%, ou seja, na margem de erro.

É preciso combater a intervenção, organizar a luta e a autodefesa e apresentar um programa socialista contra a violência e o desemprego.

Como diz a proposta de manifesto que está sendo debatida em todo o país por ativistas nas fábricas, nas obras da construção civil, nas favelas e ocupações por moradia, nas escolas, nas batalhas do hip hop, é hora de propor e defender: um chamado à Rebelião e um projeto socialista!

ACESSE O SITE DO MANIFESTO UM CHAMADO À REBELIÃO