Eleições 2018 e as lutas da juventude: Um chamado à rebelião

Fotos Romerito Pontes

Nos últimos anos, a juventude ocupou escolas e universidades, fez greves e protagonizou passeatas de milhões contra os ataques dos governos, seja Temer ou Dilma. Em 2017, ocorreram inúmeras greves e lutas contra a aprovação da reforma trabalhista, os cortes de verbas nas áreas sociais e a lei da terceirização. Estas medidas do governo provam que no capitalismo, para atender os interesses dos ricos e poderosos, estes sempre atacam os trabalhadores. Basta ver que o próprio governo PT fez uma série de políticas contra os trabalhadores e começou os ataques que o Temer continuou.

Se há alguma coisa que os escândalos de corrupção demonstram é que o regime democrático burguês é podre e corroído. E que o capitalismo é corrupto sim ou sim. Não é à toa que o sistema político está em profundo desgaste no Brasil e no mundo. A democracia dos ricos, além de corrupta, no seu funcionamento “normal” serve apenas para retirar direitos do povo e garantir os lucros dos empresários. Ninguém aguenta mais este regime político que só serve aos ricos e poderosos que lucram em cima do povo. Agora que se aproximam as eleições a coisa fica mais feia ainda com o show de hipocrisia, mentira e dinheiro.

A juventude trabalhadora é um dos setores que mais sofre as consequências da crise econômica e social. 28% dos jovens estão desempregados. E a maioria que consegue emprego é posta em trabalho precário, com baixo salário e sem direitos garantidos. A educação pública segue à míngua, sem verba e precarizada. Até para se locomover é uma desgraça com o altíssimo preço dos transportes.

Enquanto isso, segue a violência policial assassinando milhares de jovens negros e pobres nas periferias do país. Inclusive, a intervenção federal no Rio de Janeiro com a presença do Exército, além de não resolver o problema da segurança, aprofunda esta lógica de genocídio da juventude e a violência policial. Mas também as jovens LGBT’s são as que mais sofrem com a violência num dos países que mais mata LGBT’s no mundo. Assim como as jovens mulheres, são as principais vítimas dos assédios e da violência machista. Jovens negros, mulheres e LGBT’s recebem muito menos nestes empregos já precários oferecidos à juventude como os telemarketings, fast foods, ou nas piores funções das terceirizadas da indústria.

No mundo inteiro a juventude foi protagonista de diversas lutas nos últimos anos com enfrentamentos heroicos contra os governos capitalistas em várias partes do globo, desde os indignados no Estado Espanhol, Ocuppy nos EUA, Primavera Árabe, a luta pela educação no Chile, e por aí vai. Estes movimentos de juventude embora sejam bem diferentes, tiveram algumas características comuns como podemos ver também em junho de 2013 no Brasil.

As Jornadas de Junho de 2013 não só abriram uma nova situação política no país, como também aproximou o Brasil da dinâmica internacional da luta de classes. Foi o início da crise do governo PT e da ruptura da juventude e da classe trabalhadora com esta direção traidora histórica. Junho de 2013 colocou milhões em movimento, com os trabalhadores e jovens dispersos em uma massa popular furiosa e sem um programa definido. Foi o despertar político de toda uma geração, que se combina posteriormente com a onda de ocupações de escolas e o aumento considerável do número de greves.

A partir destas lutas, queremos debater com a juventude o que fazer nestas eleições. Os de cima, os capitalistas, colocam suas cartas na mesa. Começando pelo presidente vampírico Temer, ou uma velha alternativa neoliberal com Alckimin, ou ainda uma saída de perfil mais conservador com Bolsonaro.

Mas também o PT, PCdoB ou PSOL defendem à sua maneira o capitalismo, por mais que em alguns momentos digam o contrário. O PT governou para os ricos quando estava no governo e dividiu com eles até o jogo sujo da corrupção. Já o PSOL e Boulos compartilham da estratégia do próprio PT de conciliação de classes com a burguesia, e tem um programa reformista nos limites da ordem e do sistema. Afinal, de que adianta o PSOL dizer que é contra o PT e falar a mesma coisa que o PT?

O apartidarismo, o reformismo e a direita na juventude
Junho de 2013 e as ocupações de escolas foram completamente progressivos. E trouxeram à tona uma discussão importantíssima sobre a estratégia para as nossas lutas. Em junho de 2013 as mobilizações foram grandes e avançadas, mas o que faltou? Em nossa opinião, faltou a classe operária em cena como protagonista, uma organização revolucionária com peso e um programa revolucionário e socialista. Sem destruir o capitalismo qualquer vitória dos trabalhadores por mais pontual que seja tende sempre a retroceder.

As ocupações colocaram em questão o poder nas escolas. Os estudantes mostraram que, assim como foi possível tomar o poder nas escolas, é possível os trabalhadores tomarem o poder no país. A organização democrática das escolas ocupadas é o que deve ser feito em todo o país com os trabalhadores tomando o poder através de conselhos populares e operários. A experiência destas ocupações devem servir para tirarmos estas lições profundas e ser base para a construção de uma forte organização de juventude revolucionária aliada à classe operária. Ou seja, só a luta por direitos não basta, devemos ligá-la à estratégia da revolução.

Muitas organizações de esquerda tiveram posturas equivocadas durante estas lutas. Ou as condenaram, como fez o PT e UNE/PCdoB, que inclusive eram governo e foram coniventes com a repressão. Ou se adaptam aos próprios limites do sistema como o PSOL que não propunha nada além da democracia burguesa e de reformas no capitalismo.

Os milhões que foram às ruas queriam tacar fogo no Congresso, enquanto estas organizações que se dizem de esquerda queriam preservar as instituições e sonhavam em reverter a luta em votos. Diante da podridão deste sistema político capitalista e as sucessivas traições da maior parte da chamada esquerda, é comum entre os jovens ativistas as ideias apartidárias ou autonomistas, que neguem o papel das organizações políticas, mesmo as revolucionárias. As traições, inclusive, não se limitam apenas ao PT, mas a todos os reformistas e stalinistas que ao longo de décadas destruíram as lutas, a esperança e qualquer chance de uma revolução socialista triunfante.

Então não à toa muitos jovens se digam apartidários e tenham desprezo pela disputa política. Mas uma coisa é repudiarmos esta política burguesa, seus partidos burgueses, o sistema capitalista e essa democracia dos ricos. Uma coisa é denunciar os traidores e as lideranças burocráticas que se aliam à burguesia e destroem as lutas. Outra coisa é, a partir disso, negar qualquer forma de organização e de debate programático sobre os rumos do país e do mundo.

A negação da necessidade de disputar um programa revolucionário e de construir uma organização revolucionária acaba dando munição para a própria direita e para os reformistas. E a luta contra as péssimas condições de vida ganham um fim em si mesmo, e não são ligadas à luta geral contra a burguesia e seus governos. Sem um programa socialista, sem estratégia e organização revolucionária, não é possível destruir o capitalismo.

Já se passaram vários anos desses ascensos da juventude em todo o mundo. Já é possível fazermos um debate estratégico de balanço dos novos reformistas e dos autonomistas ou apartidários. Inclusive, muitos que nas lutas negam a participação das organizações políticas de esquerda, acabam no momento eleitoral escolhendo uma das opções viáveis na hora do voto, sendo na maioria das vezes reformistas velhos conhecidos.

Curioso que hoje, diante do crescimento eleitoral da extrema-direita na Europa e nos EUA, e com o crescimento de Bolsonaro no Brasil, a maior parte da esquerda faça alarde denunciando como a atual geração de jovens é reacionária. Mas vejam, estamos falando da mesma geração de jovens. O que explica que aqueles que ocuparam escolas, fizeram passeatas, se dispuseram a ir à luta contra tudo e todos, façam parte da mesma geração daqueles que votam na extrema-direita?

Com o autonomismo não conseguindo dar respostas programáticas revolucionárias, e ao mesmo tempo em que o neoreformismo vai se adaptando ao aparato de Estado burguês, várias camadas da juventude ficam suscetíveis ao discurso aparentemente radical e anti-regime da ultradireita. Mas a juventude atual não é de direita. Basta ver a pesquisa nos EUA onde afirma que grande parte da geração milllenials (nascidos em 2000) concordam e são simpáticos com o socialismo.

Ou seja, é preciso já fazer um balanço duro do neoreformismo que culminou com o Syriza na Grécia aplicando os planos da Troika e na atuação deplorável do Podemos no Estado Espanhol. No caso do Brasil é preciso questionarmos a estratégia do PSOL e do PT que buscam desviar as lutas para as eleições e não tem um programa de ruptura do capitalismo. O Syriza seria uma especie de PSOL grego e o PSOL um Syriza brasileiro. Assim como fazer um balanço dos autonomistas e anarquistas, que fizeram tudo que podiam para ganhar o movimento para suas concepções, fazendo assim estéril uma parte dos ativistas e não dando nenhum sentido estratégico para a luta.

A alternativa para a juventude é a revolução operária, popular e socialista
É óbvio que as eleições são um jogo de cartas marcadas. E sabemos que através do voto e por dentro do sistema nada vai mudar nunca. Mas aqui perguntamos: É importante ou não apresentar candidaturas revolucionárias a serviço da luta? É fundamental ou não colocar um programa revolucionário e socialista para milhões de trabalhadores que ainda participam das eleições? Podemos ou não usar as eleições contra o próprio sistema eleitoral? Pode-se ou não atuar de maneira revolucionária nas eleições burguesas combatendo inclusive os próprios reformistas e traidores? Nós achamos que sim e queremos convidar a juventude para debater conosco um programa e uma alternativa revolucionária para estas eleições em um momento tão importante para o país e depois de tantas lutas que passamos.

Para realizarmos as reivindicações das lutas da juventude, não basta sermos apenas anticapitalistas. Não é suficiente também só negar este sistema. É urgente dizer com todas as letras que a alternativa para este sistema podre é uma revolução operária e socialista. Não adianta acharmos que a juventude sozinha resolverá seus próprios problemas ou que irá mudar o mundo. Não, as lutas da juventude são importantes mas devem estar a serviço da luta da classe operária para destruir o capitalismo. Pois só com esta aliança entre a juventude trabalhadora e estudantil com os trabalhadores em geral é possível sermos vitoriosos. Para nós também não adianta defendermos apenas uma candidatura de esquerda, se não discutirmos que esquerda é essa. Para nós deve ser revolucionária e socialista e isso nem o PT e nem o PSOL são. Para nós, democracia real só com o fim do capital. Essas propostas que se limitam a tentar aperfeiçoar a democracia dos ricos não resolve nada. As conquistas democráticas são importantes e vamos defendê-las, mas queremos mesmo o poder para a classe trabalhadora, exercido através de suas organizações democráticas como os conselhos populares, por fora desta democracia burguesa.

Sabemos que mais jovens além daqueles que hoje se encontram na juventude do PSTU defendem que é preciso uma revolução. Por isso, o PSTU está discutindo com centenas de ativistas e lideranças das lutas as candidaturas que precisamos nestas eleições a partir de uma proposta de manifesto programático. As pré-candidaturas de Vera e Hertz são os melhores nomes para expressar este programa e as necessidades dos trabalhadores! Vera é operária, sapateira, negra e nordestina. Hertz professor, do movimento negro, do movimento Hip-Hop, compositor do gíria vermelha! Convidamos a todos a construção do manifesto do PSTU e este texto para construirmos uma campanha operária, revolucionária e socialista para estas eleições. Entre em contato e venha debater conosco!

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