Indefinição do loteamento ministerial atrasa reforma

A conclusão da reforma ministerial do governo Lula passa por uma crise. Numa corrida insaciável pelo poder, PP e PMDB abusam do loteamento dos ministérios oferecidos por Lula. De acordo com as informações publicadas pela imprensa hoje, a reforma passa por uma indefinição sobre os cargos que seriam ocupados pelos partidos burgueses que apóiam o governo. O PP, de Severino Cavalcanti, exige o Ministério das Comunicações e a presidência da Empresa de Correios e Telégrafos. “Ou é isso, ou nada” ameaçou Severino. O nome indicado pelo PP é o do deputado Ciro Nogueira, atual corregedor da Câmara dos Deputados e conhecido também por empregar familiares no Congresso.

Indefinido também é o destino de Roseana Sarney. Filha do ex-presidente e atual senador José Sarney, ela está com seu nome garantido para a Esplanada dos Ministérios, apesar de, por enquanto, não se saber o cargo que vai ocupar. A senadora foi cotada por José Dirceu para o Ministério da Coordenação Política, atualmente ocupado por Aldo Rebelo, do PCdoB. A indicação de Roseana para o cargo agradou a maioria dos líderes dos partidos burgueses apoiadores do governo e tem, inclusive, apoiadores dentro do PT.

Definido mesmo está o destino do senador Romero Jucá (PMDB). Ex-líder de FHC, o senador, que no passado sonegou impostos ao INSS, vai assumir o Ministério da Previdência no lugar de Almir Lando.

Apesar da confusão com o loteamento de cargos do governo, a conclusão da reforma será anunciada no máximo até a próxima segunda-feira. Alguns deputados governistas especulam ainda que Lula poderá divulgar as mudanças ainda hoje, logo mais à noite.