Homem morto em ato contra G20 havia sido agredido pela polícia

Vídeo mostra agressão policial poucos momentos antes da morteO inglês Ian Tomlinson, de 47 anos, morreu durante os protestos anti-globalização realizados na véspera da reunião do G-20. As manifestações foram duramente reprimidas pela polícia londrina e as causas da morte não haviam sido esclarecidas. Pouco tempo depois da morte, as autoridades declararam que Ian havia morrido devido a “causas naturais” enquanto caminhava próximo à manifestação.

Tomlinson era jornaleiro e trabalhava próximo ao local em que concentrou os protestos naquele dia, a chamada “City” de Londres, região que é o centro financeiro da cidade, próximo ao Banco da Inglaterra. Para a polícia, o homem caminhava pela rua quando foi vítima de um ataque cardíaco. Testemunhas, porém, afirmavam que o homem havia sido agredido pela polícia, momentos antes de morrer.

No último dia 7, o jornal inglês The Guardian divulgou um vídeo que comprova essa versão. No vídeo, Tomalinson aparece caminhando, com as mãos nos bolsos, quando é atacado pelas costas por um policial e, mesmo sem esboçar resistência, atirado ao chão. Nas cenas, ele fica no chão por alguns segundos, se levanta e sai caminhando. Segundo o jornal, poucos momentos depois ele morreria.

Veja o vídeo que revela a agressão da polícia a Ian Tomlinson:

Escalada repressiva
Ao mesmo tempo em que crescem os protestos anti-capitalistas, aumenta também a repressão sobre os manifestantes. Durante a reunião do G-20, o centro de Londres foi sitiado e a polícia metropolitana implementou uma tática de repressão que causou polêmica no país. Batizada de “kettle”, ou “chaleira”, a tática da polícia era formar cordões em torno de grandes grupos de manifestantes, isolando-os em cantos da cidade e impedindo que os protestos se generalizassem.

Tal tática confinava milhares de pessoas, deixando-as sem banheiro ou comida por horas a fio. Os manifestantes só eram liberados após serem fotografados pela polícia e devidamente fichados. Quando os manifestantes tentavam romper o cordão, eram duramente reprimidos, com pancadas de cassetete, spray de pimenta e gás lacrimogêneo.

A polícia britânica, famosa por sua “cortesia” com os cidadãos, não hesita em privar a liberdade de ir e vir das pessoas ou usar a violência gratuita em nome do capital.

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