Haitianos acusam soldados brasileiros de roubarem e espancarem jovens

Jovem ferido por soldados brasileiros da Minustah
RNDHH

Patrulha de soldados da Minustah espancaram covardemente três jovens haitianos na madrugada do dia 13 para 14 de dezembro; denúncias estão documentadas por ONGUma sucessão de denúncias contra os soldados da Minustah, a missão da ONU para o Haiti, mostram cada vez mais o real caráter da ocupação militar daquele país caribenho. Desta vez, soldados brasileiros estão sendo acusados de roubo e agressão contra três jovens haitianos.

A denúncia partiu da ONG Rede Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (RNDHH), que elaborou um minucioso relatório sobre o caso após investigar os fatos, visitar o local do ocorrido e entrevistar a população e testemunhas.

Segundo o relatório, Joseph Gilbert, de 29 anos, e Abel Joseph, de 20, dirigiam um caminhão pipa no dia 13 de dezembro, quando o veículo enguiçou no meio de uma rua da capital Porto Príncipe. Pouco depois, Armos Bazile, de 19 anos, cujo pai era cliente de Gilbert, se juntou a eles. Tomavam conta do caminhão quebrado quando, por volta das 3h da manhã, foram abordados por uma patrulha da Minustah.

Foram obrigados a esvaziarem os bolsos e tiveram dinheiro (4500 gourdes, equivalente à entrega de três caminhões de água realizados durante o dia) e um celular furtados. Tiveram então que deitar de bruços e foram covardemente agredidos. ‘Os soldados nos chutavam com suas botas enquanto estávamos deitados´, relatou Joseph Gilbert. Foram então levados ao pátio de um colégio e continuaram a ser agredidos.

Os gritos por socorro despertaram os moradores do local, que tentaram intervir. Os soldados, porém, levaram os jovens a outro local e continuaram a sessão de espancamento. Fizeram os jovens se despirem para então golpearem com um bastão. Ao final, os soldados queimaram as roupas dos haitianos.

Apesar dos detalhes das denúncias, tudo devidamente documentado, o comandante do 1º Batalhão de Infantaria de Força de Paz, coronel Luciano Mendes Nolasco, divulgou nota à imprensa de que ‘até o momento não há elementos suficientes que confirmem a autoria ou a materialidade das alegações´. O caso ganhou repercussão na imprensa local e se soma às inúmeras denúncias de abusos contra os soldados da ONU.

‘Este incidente que ocorreu na Rota 9, na noite de 13 a 14 de dezembro de 2011, mostra o desprezo de Oficiais da MINUSTAH, que, desde sua chegada no Haiti, têm demonstrado em abertamente, e que são capazes de cometer atos bárbaros e violentos , em total desrespeito pelos direitos humanos´,, conclui o relatório da RNDHH.

  • Leia o relatório sobre a agressão (em inglês)