Grupo de Discussão contra as opressões foi o maior do CNE

Com cerca de 300 pessoas, o Grupo de Discussão sobre opressões, realizado na sexta-feira, 12 de junho, teve a presença de três convidados para abrir os debates sobre machismo, racismo e homofobia.

Fernanda Castro, do Movimento Mulheres em Luta da Conlutas, abriu a exposição falando sobre os efeitos da crise econômica sobre os setores mais oprimidos. Ela falou sobre a necessidade de debater a situação das mulheres jovens na sociedade e no movimento estudantil.

Fernanda defendeu bandeiras como a creche nos locais de trabalho e estudo, o respeito à licença-maternidade para as estudantes, o debate sobre a situação de estudantes mães e grávidas nos seus locais de estudo – de onde muitas vezes são expulsas -, a educação machista a que é submetida na sociedade e a necessidade de legalizar o aborto. Falou, ainda, sobre a necessidade de as mulheres se organizarem num movimento com um programa classista e socialista.

Para falar sobre o movimento LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros), três companheiros dividiram falas. Leonardo e Daniel falaram pelo Movimento GUDDS, de Minas Gerais, e Marília Macedo, pelo Grupo de Trabalho LGBTT da Conlutas. Eles falaram sobre a situação da opressão dos diversos setores LGBTTs, desde a falta de opções de emprego para transexuais e travestis, que terminam obrigados a sujeitarem-se à prostituição, passando pela análise do crescimento de grupos fascistas homofóbicos nas escolas e universidades, até as reivindicações democráticas. Defenderam a criminalização da homofobia e a união civil homossexual. O debate teve com muitas intervenções que narravam o drama pessoal e coletivo de uma juventude oprimida e superexplorada por sua orientação sexual.

Representando o Quilombo Raça e Classe da Conlutas, o estudante Pedro, da FND-UFRJ, defendeu as recém atacadas cotas raciais e sociais para o ingresso nas universidades. Ele resgatou o caráter histórico da opressão a negros e negras e localizou que a maior parte da população carente de nosso país é, por estas mesmas raízes históricas escravocratas, negra. Resgatando ainda a necessidade de se fazer o debate a partir dos marcos de classe, Pedro relembrou a atual ocupação de tropas brasileiras no Haiti, que defende os interesses da burguesia local em detrimento dos interesses majoritários de uma população negra e pobre.

Em meio a intervenções emocionantes e inflamadas, a discussão política rendeu muitos frutos e demonstrou que, na reorganização do movimento estudantil, o surgimento de uma nova alternativa à UNE e à UBES, hoje aliadas do governo federal na implementação de ataques ao ensino público gratuito e de qualidade e aos trabalhadores, se dará em base à discussão sobre os setores mais oprimidos da sociedade, a necessidade de um programa e ações próprias que façam parte de um programa e de ações maiores que defendam os estudantes, a educação e os trabalhadores como um todo.