Samuel Silva, militante do PSTU-Amazonas

Após 19 dias de greve, os trabalhadores terceirizados da Petrobrás, da base de Urucu/AM, obtiveram uma grande vitória. Ontem, 04/11, em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 11º Região, a justiça decidiu que a empresa Método Engenharia, após receber o dinheiro, que tinha sido bloqueado pela Petrobrás e pela Justiça, terá três dias para quitar todos os salários, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), benefícios e outros pagamentos que estão em atraso, e regularização do plano de saúde, sob multa de 10 mil e 20 mil reais por dia de descumprimento.

Foi uma importante vitória para a classe trabalhadora, já que a Método Engenharia e a Petrobrás utilizaram a Justiça, logo nos primeiros dias da paralisação, para tentar tornar a greve ilegal e abusiva, querendo obrigar os operários a voltarem ao trabalho sem salários e sem nenhuma garantia, enquanto suas famílias ficariam passando necessidades sem dinheiro.

“Não temos nenhuma ilusão de que a patronal vá parar com os ataques aos direitos da nossa classe ou que essa Justiça burguesa ficará sempre do nosso lado. A decisão de hoje não foi tomada por empatia, ou mera justiça, mas porque os trabalhadores souberam resistir de forma decidida contra o absurdo que seria a legalização do trabalho escravo no Amazonas”, diz Juliana Frota, dirigente do PSTU-Amazonas.

“Novamente nossa classe dá um belo exemplo do que podemos fazer organizados. Podemos pôr abaixo os patrões opressores, os governos corruptos e até o genocida Bolsonaro. Podemos pôr abaixo esse sistema capitalista e construir uma nova sociedade, justa e sem opressões, onde tenhamos direito à vida e ao trabalho, uma sociedade socialista”, completa Juliana.

Nesta batalha, não podemos deixar de citar o importante papel cumprindo pelo Sindicato dos Petroleiros que representa os trabalhadores dos Estados do Pará, Amazonas, Amapá e Maranhão, o Sindipetro PA/AM/AP/MA, filiado à Central Sindical e Popular (CSP) – Conlutas e à Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), na organização e condução da desta vitoriosa luta.

“Nós conseguimos calar a burguesia e justiça dos ricos. Este grupo de trabalhadores fez um desafio que eu não vi igual e desafiou a Justiça com luta de classe. A desembargadora que tentou nos intimidar foi obrigada a nos trazer uma resposta de verdade. Uma resposta que foi uma vergonha para a primeira decisão dela, quando julgou abusiva e ilegal a greve. É com muito orgulho que hoje me sinto mais fortalecido depois dessa greve de 20 dias”, pontua Silvio Cláudio, dirigente do Sindipetro PA/AM/AP/MA.